O SUV da marca japonesa foi profundamente renovado. Traz um interior mais digital, maior atenção ao conforto e uma nova geração de motorizações híbridas. No NX 450h+, a bateria cresce para 23 kWh, a potência sobe para 307 cv e estreia-se o carregamento rápido em corrente contínua.

O Lexus NX é, há vários anos, um dos modelos mais importantes da marca japonesa na Europa. Foi com este SUV que a Lexus reforçou a sua presença num dos segmentos mais disputados do mercado premium, onde enfrenta propostas como o Audi Q5, o BMW X3, o Mercedes-Benz GLC ou o Volvo XC60. Teve também um papel importante na evolução tecnológica da marca: a atual geração foi a primeira a disponibilizar uma motorização híbrida plug-in.

Lançada em 2021, a segunda geração do NX continua atual no essencial, mas o mercado avançou depressa. A concorrência tornou-se mais digital, mais sofisticada e cada vez mais dependente da eletrificação. Por isso, nesta atualização de meio de ciclo, a Lexus foi bastante além do habitual retoque estético.

Há mudanças no exterior, uma transformação mais profunda no habitáculo, tecnologia atualizada e novidades importantes nas motorizações. Tudo isto sem alterar os elementos que sempre definiram o NX: conforto, qualidade de construção e uma atenção ao detalhe muito própria da cultura japonesa.

Um Lexus mais moderno, mas imediatamente reconhecível

Na Europa, a Lexus sempre ocupou um espaço muito próprio dentro do mercado premium. Nunca procurou ser a marca mais agressiva, nem a escolha mais óbvia. Construiu a sua identidade em torno do conforto, da fiabilidade, da qualidade de construção e, sobretudo, da eletrificação híbrida, numa altura em que muitos concorrentes ainda encaravam esta tecnologia como uma solução de nicho.

Os SUV foram decisivos nesse percurso. O RX ajudou a Lexus a afirmar-se entre os primeiros construtores a apostar num SUV premium e mostrou que havia espaço para uma proposta mais silenciosa, confortável e menos convencional. Anos mais tarde, o NX transportou essa fórmula para um formato mais compacto e mais próximo das preferências do cliente europeu.

Lançado originalmente em 2014, o NX tornou-se rapidamente um dos modelos de maior peso da Lexus no continente. Agora entra numa nova fase. Não se trata de uma geração inteiramente nova, mas a dimensão das alterações torna esta renovação bastante mais relevante do que um simples facelift.

A mudança mais evidente encontra-se na dianteira. A grelha fusiforme, uma das assinaturas visuais mais marcantes da Lexus, surge agora sem moldura, mais limpa e melhor integrada na carroçaria. Inspirada no fuso têxtil e nas origens industriais do grupo Toyota, deixa de parecer uma peça aplicada sobre a frente e passa a fazer parte do próprio desenho do automóvel. O resultado é uma imagem mais moderna e, segundo a marca, também mais eficiente do ponto de vista aerodinâmico.

As óticas foram igualmente revistas. Todas as versões passam a contar de série com faróis LED de triplo projetor, máximos adaptativos, iluminação em curva e lava-faróis. A assinatura luminosa diurna é nova e os indicadores de mudança de direção aparecem agora sob a forma de duas barras paralelas. É um pormenor discreto, mas dá ao NX uma frente mais técnica e torna-o mais fácil de reconhecer.

Na traseira, a Lexus voltou a trabalhar um elemento cada vez mais importante no desenho dos automóveis modernos: a assinatura luminosa. A barra de luz foi redesenhada e integra motivos em forma de “L”, ligados ao centro por um logótipo Lexus retroiluminado. É uma solução que ganha especial destaque à noite e permite identificar o automóvel à distância.

De perfil, as alterações são mais subtis. Há novas molduras nas embaladeiras e novos desenhos de jantes de liga leve, com 18 ou 20 polegadas, consoante a versão. Desaparecem também os cromados brilhantes, substituídos por uma abordagem menos ornamentada e mais alinhada com aquilo que o mercado premium tem vindo a valorizar.

Nas versões F SPORT, o ambiente é naturalmente mais desportivo. Os acabamentos em preto piano surgem nas barras de tejadilho, no spoiler traseiro, na zona inferior dos para-choques e nas embaladeiras. As jantes de 20 polegadas adotam um novo desenho aerodinâmico de raios duplos, as pinças de travão aparecem pintadas de vermelho e há ainda defletores traseiros que, além da componente visual, ajudam a gerir o fluxo de ar e a melhorar a estabilidade.

Mais digital, sem ficar refém dos ecrãs

É no interior que esta renovação se faz sentir com maior clareza. O novo NX moderniza-se, mas não procura reinventar por completo o habitáculo. Continua orientado para o condutor, com uma lógica prática e familiar, sem transformar tudo num ambiente excessivamente futurista.

Há duas novidades principais diante dos ocupantes da frente. O condutor passa a dispor de um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, enquanto ao centro surge um ecrã multimédia de 14 polegadas. Mais importante do que o tamanho é a forma como ambos estão posicionados. A Lexus alinhou-os no mesmo eixo visual para reduzir o movimento dos olhos e da cabeça durante a condução. Na prática, a informação fica mais fácil de consultar e exige um menor desvio de atenção da estrada.

Esta opção resume bem a abordagem da marca. O NX está mais digital, mas continua a ser um automóvel pensado para o uso diário. Existe uma preocupação evidente com a ergonomia, a leitura da informação e a facilidade de utilização.

O painel de bordo está também mais limpo e passa a integrar botões táteis ocultos, que se iluminam quando o condutor aproxima a mão e respondem com feedback ao toque. A ideia é simplificar visualmente o interior sem abdicar por completo da sensação física e da praticidade dos comandos — duas qualidades especialmente valorizadas numa altura em que muitas marcas transferiram quase todas as funções para o ecrã central.

É neste equilíbrio que o NX procura marcar a diferença: oferece mais tecnologia, mas evita tornar-se demasiado dependente do sistema multimédia; parece mais moderno, sem complicar aquilo que deve continuar a ser simples.

Entre os novos materiais encontra-se o Forged Bamboo. A textura varia de automóvel para automóvel, o que significa que não haverá dois painéis exatamente iguais, e a sua composição inclui 55% de biomaterial. É um detalhe pequeno, mas muito Lexus: combina sustentabilidade e atenção ao acabamento, dando ao habitáculo uma sensação mais artesanal e menos industrial.

Nas versões mais equipadas estará disponível o Lexus Sensory Concierge, um sistema que coordena iluminação ambiente, música, climatização, fragrâncias e temperatura dos bancos para criar diferentes atmosferas a bordo. Existem três modos principais — Inspire, Radiance e Revitalise — e a iluminação pode assumir 50 tonalidades. As fragrâncias foram desenvolvidas em colaboração com a Givaudan, uma das maiores empresas mundiais nesta área.

Mais do que um simples extra de conforto, o sistema mostra a forma como a Lexus continua a interpretar o luxo: não apenas através dos materiais ou da quantidade de equipamento, mas também da atmosfera criada dentro do automóvel.

LexusConnect atualizado e mais assistência à condução

A experiência tecnológica também evoluiu. O NX recebe a geração mais recente do LexusConnect, com maior rapidez de funcionamento, mais capacidade de armazenamento e a possibilidade de apresentar a navegação no painel digital do condutor. Esta função mantém-se mesmo quando são usadas aplicações como o Waze ou o Google Maps através do Apple CarPlay ou Android Auto.

No NX 450h+ existe ainda um menu dedicado ao sistema elétrico, com acesso direto às informações de carregamento, ao estado da bateria e às definições relacionadas com a sua utilização.

A segurança ativa foi igualmente atualizada. Todas as versões passam a incluir a nova geração do Lexus Safety System +, com maior capacidade de deteção e assistências mais completas. O sistema pré-colisão funciona em mais cenários e o cruise control adaptativo pode recorrer à informação do mapa para antecipar curvas, rotundas e cruzamentos.

Existe também uma câmara de monitorização capaz de detetar sinais de fadiga ou distração do condutor. Se este ficar incapacitado, o sistema de paragem de emergência pode reduzir a velocidade, imobilizar o veículo dentro da faixa de rodagem e ativar os quatro piscas.

No conjunto, o interior não tenta impressionar apenas pelo número de ecrãs ou pela quantidade de tecnologia. A Lexus procurou modernizar o NX sem perder a facilidade de utilização, o conforto e a sensação de calma que continuam a ser imagens de marca dos seus modelos.

NX 450h+ supera os 100 km de autonomia elétrica

Debaixo do capot, o renovado NX passa a utilizar a sexta geração da tecnologia híbrida da Lexus, tanto na versão híbrida plug-in como na variante full-hybrid.

É o NX 450h+ que concentra as maiores novidades. A capacidade da bateria aumenta de 18 para 23 kWh e a marca anuncia uma autonomia elétrica superior a 100 quilómetros em ciclo WLTP. O valor ainda é provisório e está sujeito a homologação, mas representa um salto importante face ao modelo atual.

Há razões para admitir que o valor final possa ser ainda mais favorável. A nova geração do Toyota RAV4, que utiliza uma bateria com a mesma capacidade, consegue percorrer mais de 125 quilómetros em modo elétrico. Tendo em conta a habitual prudência dos construtores japoneses na divulgação destes números, será interessante perceber até onde chegará o NX quando forem conhecidos os dados definitivos.

A potência combinada também aumenta, passando de 292 para 307 cv. A aceleração dos 0 aos 100 km/h é cumprida em 6,3 segundos.

A maior evolução, porém, poderá estar no carregamento. O NX 450h+ torna-se o primeiro híbrido plug-in da Lexus compatível com carregamento rápido em corrente contínua, permitindo recuperar dos 10 aos 80% da bateria em cerca de 30 minutos. Passa também a disponibilizar tecnologia V2L, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos elétricos externos.

O carregamento rápido pode mudar a forma como se utiliza um plug-in em viagem. Em vez de depender exclusivamente do carregamento em casa ou no destino, será possível recuperar uma parte considerável da autonomia elétrica durante uma breve paragem. Assim, torna-se mais fácil manter os consumos baixos mesmo em deslocações longas.

A capacidade de reboque passa a ser de 1500 kg, tanto no NX 450h+ como no NX 350h.

NX 350h mantém os 199 cv, mas fica mais leve

No NX 350h, a versão full-hybrid que não necessita de carregamento externo, as alterações são menos visíveis, embora não menos relevantes. A bateria foi revista e ficou mais leve e eficiente: o peso baixa de 32,7 para 23,5 kg, mantendo-se a potência máxima combinada de 199 cv.

O trabalho da Lexus não se limitou, contudo, às motorizações. A marca introduziu alterações no chassis, na suspensão, na direção, na posição de condução e na insonorização.

O banco do condutor foi instalado numa posição mais baixa e mais próxima do centro de gravidade. O volante é novo, ligeiramente mais pequeno e oferece maior amplitude de regulação. Também o pedal do acelerador foi revisto para proporcionar uma resposta mais linear e fácil de dosear.

A carroçaria está mais rígida graças à maior utilização de soldadura a laser e de adesivos estruturais. A rigidez do piso aumenta cerca de 25% e a zona da suspensão dianteira recebeu reforços adicionais. O objetivo passa por melhorar a precisão da direção, reduzir vibrações e dar ao NX uma sensação de maior solidez, sobretudo quando circula em pisos degradados.

A suspensão recebeu novos amortecedores, desenvolvidos para controlar melhor os pequenos movimentos da carroçaria sem comprometer o conforto. É uma afinação muito ao estilo da Lexus: manter o automóvel estável e previsível, mas dar sempre prioridade à qualidade de rolamento.

A insonorização foi outro dos pontos de atenção. A marca reforçou áreas específicas da carroçaria e acrescentou novos materiais de isolamento acústico. Segundo a Lexus, o ruído provocado pelo motor e pelo rolamento foi reduzido em cerca de 20%.

Depois da fase de desenvolvimento no Japão, o novo NX passou ainda pelo Nürburgring, na Alemanha. O objetivo não foi transformá-lo num SUV desportivo, mas adaptar o chassis, a suspensão e a direção às estradas e às preferências dos clientes europeus.

Quando chega o novo Lexus NX a Portugal?

A chegada do renovado Lexus NX a Portugal está prevista para a primeira metade de 2027, devendo a fase de pré-vendas arrancar nos primeiros meses do ano. Os preços ainda não foram divulgados.

Num segmento em que a eletrificação e a fiscalidade têm um peso crescente, o NX 450h+ poderá tornar-se uma proposta especialmente relevante para empresas. Mas o argumento deste Lexus não se resume à autonomia elétrica ou ao carregamento rápido. A marca procurou atualizar profundamente o modelo sem descaracterizar aquilo que o tornou importante na Europa.

O resultado é um NX mais digital, potente e eficiente, mas ainda reconhecivelmente Lexus: confortável, discreto e pensado com uma atenção ao detalhe que nem sempre se encontra nos rivais mais óbvios.

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