O Caramulo Motorfestival 2026 entra este domingo, 6 de setembro, nas suas últimas horas. Depois de três dias dedicados à história automóvel, competição, clássicos, motos e algumas das máquinas mais exclusivas do momento, a Serra do Caramulo prepara-se para se despedir de mais uma edição do maior festival motorizado realizado em Portugal.
E basta percorrer o recinto para perceber que não se trata de uma concentração automóvel convencional. Dos automóveis centenários aos hipercarros mais recentes, passando por clássicos que marcaram gerações, máquinas de competição, clubes e projetos portugueses, há modelos que dificilmente voltam a estar reunidos no mesmo lugar.
A organização apontava para mais de 1700 automóveis, motos e aviões e mais de 50 mil visitantes ao longo dos três dias. Para quem ainda está no Caramulo esta tarde, restam as últimas horas para aproveitar a edição de 2026.
Clássicos que raramente saem das garagens

Uma das grandes atrações do Caramulo Motorfestival continua a ser a possibilidade de encontrar automóveis de épocas completamente diferentes a poucos metros uns dos outros.
Na seleção de veículos imperdíveis feita pela própria organização aparece, por exemplo, um American LaFrance de 1918. Com mais de um século de história, é uma daquelas máquinas que mostram como era o automóvel numa época em que a indústria ainda dava os primeiros passos.
Avançando algumas décadas encontramos nomes muito diferentes, mas igualmente especiais. Um Aston Martin DB4 GT de 1959 e um Mercedes-Benz 300 SL estão entre os clássicos escolhidos pela organização para esta edição.
E o melhor é que muitos destes automóveis não estão simplesmente parados numa exposição. A Rampa Histórica Castrol permite ver várias destas máquinas em movimento, precisamente um dos elementos que distingue o Motorfestival de muitos encontros de clássicos.
Mais de 100 Alfa Romeo e um Spider com 60 anos
A presença dos clubes ajuda a transformar todo o Caramulo numa verdadeira exposição automóvel ao ar livre.
O Alfa Romeo Clube de Portugal, que celebra o seu 25.º aniversário, reuniu no evento mais de uma centena de automóveis da marca italiana, com várias gerações representadas.
Entre eles está um Alfa Romeo 1600 Spider, conhecido como “Duetto”, que celebra 60 anos. Produzido a partir de 1966, tornou-se num dos descapotáveis mais reconhecidos da história da marca italiana.
Mas há também espaço para mostrar o presente. O Giulia Quadrifoglio Luna Rossa fez no Caramulo a sua estreia em Portugal e é uma raridade por direito próprio: serão produzidos apenas dez exemplares em todo o mundo.
O modelo recebeu um conjunto específico de componentes aerodinâmicos em fibra de carbono capaz de gerar até 140 kg de força descendente a 300 km/h.
Um supercarro desenvolvido em Portugal

No meio de Ferrari, Lamborghini, McLaren, Bugatti e Aston Martin há também um nome português.
O Adamastor Furia regressou este ano ao Caramulo Motorfestival e voltou a enfrentar a Rampa Histórica, depois de ter realizado aqui a sua estreia dinâmica perante o público português em 2025.
Desenvolvido em Portugal, o Furia é uma presença particularmente especial num evento desta dimensão e foi incluído pela própria organização entre os veículos a não perder nesta edição.
Mais do que uma curiosidade nacional, o projeto coloca um automóvel português lado a lado com alguns dos supercarros e hipercarros mais exclusivos presentes no Caramulo.
Do Ferrari F80 ao Bugatti Veyron

E exclusividade é algo que não falta nesta edição.
Um dos grandes destaques é o Ferrari F80, um dos mais recentes hipercarros da marca italiana. Com 1200 cv de potência combinada, junta um motor V6 biturbo a três motores elétricos e está limitado a 799 exemplares.
Ao seu lado, a lista de máquinas especiais parece saída de uma coleção de sonho.
O Bugatti Veyron, que se tornou numa referência absoluta entre os hipercarros do início deste século, é outra das presenças no Caramulo. Há ainda um McLaren P1, um dos membros da chamada “Santíssima Trindade” dos hipercarros híbridos da década passada, juntamente com o Porsche 918 Spyder e o Ferrari LaFerrari.
A lista continua com nomes como Lamborghini Temerario, Dallara Stradale, Maserati MCPura, Porsche 935, Ford GT, Ferrari SF90 Stradale, Lamborghini Huracán STO e Nissan Skyline GT-R R34.
São automóveis que já são difíceis de encontrar individualmente. Vê-los reunidos no mesmo fim de semana é ainda mais raro.
Kimera recupera o espírito dos grandes ralis
Há máquinas que chamam a atenção não apenas pelos números, mas pela história que procuram recuperar.
É o caso da Kimera, construtor italiano que reinterpretou para o século XXI o espírito dos lendários Lancia de competição.
O Kimera EVO37 Louisa é uma das máquinas escolhidas pela organização entre os destaques desta edição do Motorfestival. Visualmente inspirado nos automóveis que marcaram os ralis nas décadas de 1970 e 1980, combina uma aparência clássica com tecnologia e desempenho modernos.
É também um bom exemplo do tipo de automóvel que se encontra no Caramulo: suficientemente raro para que muitos visitantes provavelmente nunca tenham visto um ao vivo.
Portaro também recorda a história portuguesa
O Adamastor não é o único automóvel português que merece atenção.
Entre os veículos selecionados pela organização encontra-se também um Portaro 240 Protótipo de 1975, recordando uma página muito particular da história automóvel nacional.
A componente portuguesa estende-se ainda à indústria.
A Stellantis levou ao Caramulo vários automóveis produzidos na fábrica de Mangualde, recuperando parte de uma história que começou em 1964 com a produção do Citroën 2 CV.
Mais de seis décadas depois, Mangualde continua em atividade e é atualmente a mais antiga fábrica de produção automóvel em funcionamento em Portugal.
Do Corsa GSi ao Corsa mais potente de sempre
O Caramulo também permite perceber quanto mudou o automóvel em poucas décadas.
A Opel colocou lado a lado um Corsa A GSi e o novo Corsa GSE, que fez precisamente no Motorfestival a sua estreia mundial perante o público.
O novo modelo é totalmente elétrico e desenvolve 281 cv e 345 Nm de binário. Acelera dos 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos e é o Corsa de produção mais potente de sempre.
A Opel levou ainda o Mokka GSE, também com 281 cv, enquanto a Abarth marca presença com o 600e Competizione. Com 280 cv, é o automóvel de produção mais potente alguma vez desenvolvido pela marca do Escorpião.
Até o pequeno FIAT Topolino entrou na festa, com várias unidades utilizadas para facilitar as deslocações dentro do recinto.
Mustang mantém o V8 vivo no Caramulo

A Ford também juntou diferentes gerações e formas de viver o automóvel nesta edição.
Um dos modelos que mais facilmente se faz ouvir é o Mustang Dark Horse, equipado com um motor V8 atmosférico de 5,0 litros.
A gama levada ao Caramulo inclui ainda Mustang Mach-E, Puma ST, Bronco e Ranger Raptor, enquanto Rui Madeira acrescenta a ligação da marca à competição com a sua participação na Rampa Histórica Castrol.
Num evento onde convivem automóveis elétricos, híbridos e modelos centenários, o Mustang é também um lembrete de como diferentes eras da indústria automóvel continuam a encontrar espaço no mesmo recinto.
Muito mais do que supercarros
Seria fácil resumir o Caramulo Motorfestival aos Ferrari, Bugatti, McLaren e restantes máquinas de milhões de euros. Mas isso deixaria de fora grande parte daquilo que torna o evento especial.
Há automóveis mantidos durante décadas pelos seus proprietários, clubes que juntam dezenas ou centenas de exemplares, motos, veículos de competição, automobilia e modelos que fizeram parte das estradas portuguesas e que hoje praticamente desapareceram.
A própria seleção de veículos imperdíveis preparada pela organização demonstra essa diversidade. Um American LaFrance de 1918 pode partilhar protagonismo com um Aston Martin DB4 GT de 1959, um Portaro de 1975, o português Adamastor Furia ou o novíssimo Ferrari F80.
É precisamente essa mistura de épocas, estilos e formas de viver o automóvel que continua a definir o Caramulo Motorfestival.
Agora, porém, o relógio já está a contar. Ao final da tarde deste domingo, 6 de setembro, termina a 21.ª edição do evento.
Para quem ainda está pelo Caramulo, são as últimas horas para percorrer o recinto e descobrir clássicos, raridades e máquinas que, literalmente, não se veem todos os dias.
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