O nome Freelander está oficialmente de volta, mas agora como submarca autónoma na China, nascida da parceria entre a Chery e a Jaguar Land Rover. E as primeiras unidades do novo SUV já saíram da linha de montagem.
Quem acompanhou a história do todo o terreno moderno recorda o Land Rover Freelander como o modelo que, no final dos anos 90 do século passado, democratizou o acesso à marca britânica.
Compacto, capaz e com aquele ar aventureiro que poucos rivais conseguiam replicar, vendeu mais de 875 mil unidades em duas gerações, até ser silenciosamente reformado em 2015 para dar lugar ao Discovery Sport , um substituto mais polido, mais familiar e, de certa forma, menos rebelde.
Agora, mais de dez anos depois, o seu sucessor espiritual chama-se Freelander 8 e… não é um Land Rover.
O 8 é o primeiro fruto visível da joint venture entre a Chery e a Jaguar Land Rover (JLR), uma aliança estratégica que reflete a nova geografia do automóvel, com a China em destaque.
Grande por fora e por dentro; só o ecrã mede 46 polegadas
Com 5.118 mm de comprimento, 3.040 mm de entre eixos e uma silhueta que supera o lendário Land Rover Defender 110 em largura e altura, o novo Freelander 8 impõe-se pela dimensão tanto quanto pela presença visual. É um SUV que não passa despercebido. E essas medidas generosas traduzem-se num interior tão amplo quanto tecnológico.
O habitáculo é dominado por um ecrã panorâmico de 46,3 polegadas, que se estende por todo o tablier, integrando num único bloco contínuo a instrumentação, a navegação e uma área dedicada ao passageiro. A este junta?se um segundo ecrã central de 15,6 polegadas para o sistema multimédia, criando um ambiente digital imersivo que reduz os comandos físicos ao mínimo , substituídos por uma interface limpa, intuitiva e visualmente desafiante.
O habitáculo conta ainda com iluminação ambiente com 256 cores, monitorização do condutor e até um difusor de fragrâncias cujo aroma foi inspirado numa mansão inglesa, um pormenor pensado para reforçar a ligação histórica ao universo Land Rover e à herança britânica que a marca evoca.

Plataforma iMAX será base para mais modelos no futuro
O novo Freelander 8 foi desenvolvido sobre a nova plataforma iMAX, que suporta motores 100% elétricos, sistemas com extensor de autonomia e ainda soluções híbridas plug?in. Esta flexibilidade técnica permite à Chery-JLR adaptar o modelo a diferentes mercados e necessidades, sem ter de redesenhar a arquitetura de base.
No SUV, a aposta recai primeiro sobre uma arquitetura EREV de 800 V, com um motor a combustão usado sobretudo como gerador para alimentar a bateria e o sistema elétrico.
Ou seja, ao contrário de um híbrido plug?in convencional, onde o motor térmico participa ativamente na propulsão, aqui o bloco de 1.5 litros turbo a gasolina funciona exclusivamente como gerador de eletricidade. O resultado é uma experiência de condução predominantemente elétrica, com a tranquilidade de um gerador a bordo para eliminar a ansiedade de autonomia.
A bateria de 60,3 kWh (química não divulgada, mas provavelmente NMC de alta densidade) permite ao Freelander 8 anunciar 221 km em modo puramente elétrico segundo o ciclo CLTC chinês , um valor que, embora otimista face aos ciclos europeus WLTP, coloca?o à frente da maioria dos PHEV do mercado ocidental. Para percursos mais longos, o motor gerador entra em ação, estendendo a autonomia total para valores acima dos 800 km, dependendo da capacidade do depósito de combustível (ainda não revelada).
Mas a verdadeira surpresa está na eletrónica de potência: a arquitetura de 800 V , uma raridade em veículos com extensão de autonomia , permite carregar a bateria a potências até 350 kW em corrente contínua. Isto significa que, mesmo em estações de carregamento ultrarrápido, o condutor pode recuperar uma parte significativa da capacidade em poucos minutos, um argumento de peso para quem utiliza o SUV em viagens longas ou em longas rotas fora de estrada.
Aliás, a bateria, desenvolvida em parceria com a gigante chinesa CATL, integra células de última geração com sistemas de gestão térmica ativa, garantindo desempenho consistente mesmo em climas extremos , um fator crítico para qualquer todo o terreno que se preze.
O ADN Freelander não se perdeu
Apesar de toda a nova eletrónica e da inédita plataforma REX, o Freelander 8 faz questão de não esquecer as suas origens. A suspensão pneumática de dupla câmara permite ajustar a altura ao solo em vários modos, adaptando?se tanto a pisos irregulares como a velocidades elevadas em autoestrada. E, para os aventureiros mais exigentes, a tração integral com três bloqueios de diferencial (central, traseiro e dianteiro) garante que o SUV mantém capacidade de progressão em situações extremas , lama, neve, areia ou pedras.
Este equilíbrio entre conforto rodoviário e aptidão off?road é uma das marcas históricas do Freelander, e a Chery-JLR parece ter feito questão de preservar esse espírito, mesmo num veículo que nasce numa era dominada pela eletrificação.
Tecnologia de bordo Huawei e cérebros de última geração
O SUV estreia um processador Qualcomm Snapdragon de última geração (presumivelmente o SA8295P), capaz de gerir múltiplos ecrãs de alta resolução, comandos por voz com reconhecimento de linguagem natural e atualizações over?the?air (OTA) para todo o veículo , desde o infotainment até aos sistemas de condução.
Mas o verdadeiro destaque vai para o sistema de condução assistida Huawei Qiankun ADS 5, uma das soluções mais avançadas disponíveis atualmente no mercado de massas. Alimentado por um sensor LiDAR de longo alcance, câmaras de alta definição e radares de ondas milimétricas, este conjunto promete capacidades de condução autónoma de nível 2+ a nível 3 em cenários específicos, com funcionalidades como a navegação em autoestrada com mudanças de faixa autónomas, estacionamento remoto e autónomo, e deteção de obstáculos dinâmicos (peões, ciclistas, veículos em contra?mão).
Europa? Não para já, mas…
Por enquanto, o Freelander 8 é um modelo exclusivo para o mercado chinês, mas fontes próximas da JLR não descartam totalmente uma expansão futura. Se o Freelander 8 provar ser um sucesso comercial na China (e tudo indica que o será, dado o apelo do nome e a competitividade técnica), uma versão adaptada às normas europeias (com ciclo WLTP, sistemas de segurança exigidos e, eventualmente, nova calibração da suspensão) poderá mesmo surgir num horizonte de dois a três anos.
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