A fábrica da Stellantis em Mangualde acaba de alcançar um dos maiores marcos da sua história: já produziu dois milhões de veículos. E o automóvel que ficou associado a este número redondo é elétrico e vai ficar em Portugal.
Foi a 2 de setembro que saiu da linha de produção o veículo número 2.000.000 da fábrica portuguesa da Stellantis. O modelo escolhido pelo acaso da produção para assinalar o momento foi um Citroën ë-Berlingo Van 100% elétrico, de cor cinzenta e numa edição especial que celebra os 30 anos do Berlingo.
Ao contrário da grande maioria dos veículos que saem de Mangualde, este não seguirá para outro país. O ë-Berlingo Van número dois milhões tem como destino um cliente português da região de Leiria.
O marco ganha ainda maior dimensão quando se olha para a história desta unidade industrial. São mais de seis décadas de produção automóvel em Portugal, durante as quais das linhas de Mangualde saíram modelos que vão do incontornável Citroën 2CV aos atuais comerciais ligeiros elétricos.
Tudo começou com o Citroën 2CV
A história da fábrica remonta a 1962, quando foi fundada com o nome Citroën Lusitânia. A produção automóvel propriamente dita arrancou dois anos mais tarde, em 1964, e o primeiro modelo fabricado foi o Citroën 2CV AZL.
Seguiram-se vários modelos que marcaram diferentes épocas da Citroën, entre os quais o DS, Méhari, AX e Saxo.
Mas existe um episódio que coloca Mangualde num lugar muito particular na história da indústria automóvel. Foi precisamente nesta fábrica portuguesa que, a 27 de julho de 1990, foi produzido o último Citroën 2CV do mundo.
Mais de três décadas depois desse momento, a mesma unidade está agora associada a outro marco, desta vez com um automóvel completamente diferente. O veículo número dois milhões é um comercial ligeiro elétrico, refletindo também a transformação que a fábrica sofreu ao longo das últimas décadas.
Berlingo e Partner abriram uma nova era

Outro momento determinante na história da fábrica aconteceu em 1998, com o início da produção do Citroën Berlingo e do Peugeot Partner.
Foi o começo de uma nova fase para Mangualde, cada vez mais orientada para os veículos comerciais ligeiros e respetivas versões de passageiros.
Atualmente, a fábrica já não produz apenas modelos da Citroën e Peugeot.
Das linhas de Mangualde saem veículos de quatro marcas pertencentes à Stellantis. A Peugeot está representada pelo Partner e Rifter, a Citroën pelo Berlingo e Berlingo Van, a Opel pelo Combo e Combo Life e a Fiat pelo Qubo e Doblò.
A produção inclui versões com motor de combustão e variantes totalmente elétricas.
É precisamente um desses elétricos, o Citroën ë-Berlingo Van, que fica agora registado como o veículo número dois milhões produzido na unidade portuguesa.
Mangualde já produz 372 veículos por dia
Os dois milhões de veículos acumulados são apenas uma parte dos números que ajudam a perceber atualmente a dimensão da fábrica.
A Stellantis Mangualde conta com cerca de 900 trabalhadores diretos e, segundo a empresa, é responsável por mais de 1.000 postos de trabalho indiretos na região.
Em 2025, a unidade atingiu mesmo o maior volume anual da sua história, ao produzir 91.670 veículos.
Atualmente, das linhas de produção saem 372 veículos por dia, num regime de três turnos. E a esmagadora maioria não fica no mercado português: 95% da produção é destinada à exportação.
Outro número ajuda a colocar a importância de Mangualde em perspetiva. De acordo com os dados de 2025 divulgados pela Stellantis, a unidade foi responsável por 27% de todos os veículos produzidos em Portugal.
Ou seja, mais de um em cada quatro veículos produzidos no país nesse ano saiu desta fábrica.
Da produção do 2CV à era elétrica
Se o Citroën 2CV está ligado às origens e à história da unidade, a eletrificação representa agora uma das principais transformações de Mangualde.
Segundo a Stellantis, esta foi a primeira fábrica em Portugal a produzir em grande série tanto automóveis de passageiros como veículos comerciais ligeiros totalmente elétricos a bateria.
A escolha de um Citroën ë-Berlingo Van como o veículo que, por coincidência da sequência de produção, atingiu a marca dos dois milhões acaba assim por ser particularmente simbólica.
A fábrica que começou a produzir o 2CV em 1964 e que viria a fabricar o último exemplar mundial desse modelo está hoje preparada para produzir, na mesma linha, veículos com motor de combustão e modelos totalmente elétricos.
A Stellantis afirma que pretende continuar a apostar na descarbonização da unidade e na produção de soluções de mobilidade mais sustentáveis.
Há novos modelos a sair de Mangualde

A atividade da fábrica também continua a evoluir.
Desde junho, Mangualde passou a produzir a nova Smart Compact Van da Stellantis Pro One, uma oferta de comerciais compactos disponível através de quatro das marcas do grupo.
Esta gama inclui o Citroën Berlingo FIRST, Fiat Doblò EASYPRO, Opel Combo START e Peugeot Partner ACTIVE.
A fábrica dispõe ainda de um CustomFit Center, uma área dedicada à transformação e personalização de veículos de frotas diretamente na unidade de produção.
Segundo a Stellantis, este sistema permite realizar as adaptações mantendo os padrões de qualidade e segurança da fábrica e garantindo maior rigor nos prazos de entrega ao cliente final.
Dois milhões e mais de 60 anos de história
O veículo número dois milhões surge, assim, num momento em que Mangualde combina duas realidades bastante diferentes.
Por um lado, há uma história industrial que começou há mais de 60 anos e que ficou ligada a automóveis como o 2CV, DS, Méhari, AX e Saxo. Por outro, a unidade está hoje concentrada sobretudo nos comerciais ligeiros e respetivas versões de passageiros, incluindo modelos totalmente elétricos.
Para Múcio Brasileiro, Diretor do Centro de Produção de Mangualde da Stellantis, atingir os dois milhões de veículos representa o trabalho de várias gerações de colaboradores e confirma o papel da fábrica dentro da estrutura industrial do grupo e da economia portuguesa. O responsável sublinha ainda que a unidade pretende continuar focada na transição para a mobilidade elétrica.
Mais de seis décadas depois de o primeiro Citroën 2CV AZL sair da linha de montagem, Mangualde chega agora aos dois milhões de veículos produzidos. E há um detalhe que resume bem a evolução ocorrida durante esse período: o primeiro foi um 2CV e o número dois milhões é um Citroën ë-Berlingo Van 100% elétrico.
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