Um dos nomes mais emblemáticos da Mitsubishi está de regresso. O novo Pajero foi totalmente redesenhado, assume o papel de topo de gama da marca japonesa e mantém uma fórmula cada vez mais rara: chassis de longarinas, tração integral e um motor Diesel.
A Mitsubishi apresentou mundialmente a nova geração do Pajero, mais de quatro décadas depois do aparecimento do modelo original. O novo SUV foi desenvolvido para recuperar as características que ajudaram a construir a reputação do Pajero, mas acrescenta mais tecnologia, conforto e uma abordagem mais premium.
E há uma decisão que não passa despercebida. Numa altura em que a eletrificação domina grande parte dos novos lançamentos, o Pajero continua fiel ao Diesel, recorrendo a um motor 2.4 turbo associado a uma nova caixa automática de oito velocidades.
O regresso começa pela Tailândia, onde também é produzido. Japão e Austrália seguem-se ainda durante o ano fiscal de 2026. A partir do ano fiscal de 2027, a Mitsubishi pretende alargar a comercialização a aproximadamente 100 países, incluindo mercados da ASEAN, América Latina e Médio Oriente. Para já, a marca não confirmou a chegada do novo Pajero a Portugal ou a outros mercados europeus.
Um nome com mais de 3,29 milhões de unidades

O Pajero apareceu pela primeira vez em 1982, desenvolvido como um verdadeiro 4x4 capaz de combinar aptidões fora de estrada e robustez com níveis de conforto mais próximos dos automóveis de passageiros.
O sucesso acabaria por transformar o Pajero num dos modelos mais reconhecidos da Mitsubishi. Ao longo de quatro gerações foram produzidas mais de 3,29 milhões de unidades e o modelo conquistou seguidores em mais de 170 países e regiões.
Para esta nova geração, a Mitsubishi decidiu preservar a filosofia histórica do modelo em torno de dois conceitos: confiança e conforto. A estes junta agora um terceiro elemento, o prestígio, numa tentativa de posicionar o novo Pajero como um SUV mais sofisticado e como o novo topo de gama da fabricante japonesa.
Continua a ser um verdadeiro todo-o-terreno
Apesar da evolução tecnológica e da aposta num ambiente mais premium, a Mitsubishi não transformou o Pajero num SUV exclusivamente orientado para a estrada.
Na base continua a existir um chassis de longarinas de elevada rigidez. A utilização mais extensa de aço de alta resistência permitiu reduzir peso, enquanto alterações na estrutura aumentaram a rigidez à torção e à flexão.
A suspensão dianteira é independente de triângulos sobrepostos, enquanto atrás encontramos um novo eixo rígido com cinco ligações. A Mitsubishi afirma ter procurado conciliar capacidade fora de estrada com estabilidade e conforto em estrada, dando particular atenção ao comportamento durante viagens longas e em pisos degradados.
O novo Pajero recebe ainda o sistema Super Select 4WD-II. O condutor pode escolher entre quatro configurações de tração: 2H, com tração traseira, 4H, com tração integral permanente, 4HLc, com bloqueio do diferencial central, e 4LLc, que acrescenta relações reduzidas.
A isto junta-se o S-AWC, sistema de controlo integrado da dinâmica do veículo da Mitsubishi, que gere diferentes parâmetros relacionados com a tração, estabilidade e travagem.
São ainda disponibilizados sete modos de condução: Normal, Eco, Gravel, Snow, Mud, Sand e Rock.
E sim, o novo Pajero continua Diesel

Debaixo do capô encontramos um motor 2.4 turbo Diesel desenvolvido especificamente para esta geração.
A unidade utiliza um turbo de geometria variável e desenvolve um binário máximo de 480 Nm, embora determinadas versões fiquem pelos 470 Nm. A Mitsubishi não indica no comunicado a potência máxima do motor.
O Diesel trabalha em conjunto com uma nova transmissão automática de oito velocidades, que inclui um modo Sport. Segundo a marca, a combinação foi afinada para proporcionar uma resposta progressiva tanto em estrada como fora dela, sem esquecer o conforto e a redução do ruído.
É uma escolha particularmente relevante num modelo com estas características. Em vez de abandonar a receita que marcou a sua história, a Mitsubishi optou por manter um Diesel associado a um sistema 4x4 preparado para utilização mais exigente.
O comunicado não anuncia, nesta fase, qualquer versão híbrida, híbrida plug-in ou totalmente elétrica do novo Pajero.
Quase cinco metros e sete lugares

O Pajero cresceu até dimensões próprias de um grande SUV.
São 4.920 mm de comprimento, 1.925 mm de largura e 1.910 mm de altura, com uma distância entre eixos de 2.870 mm. A distância ao solo pode chegar aos 230 mm nas configurações indicadas pela Mitsubishi.
As capacidades fora de estrada também se refletem nos ângulos da carroçaria. O ângulo de ataque chega aos 30,4 graus, o ventral aos 22,6 graus e o de saída aos 25,8 graus.
No interior há três filas de bancos e capacidade para sete ocupantes. A segunda fila pode deslizar longitudinalmente ao longo de 150 mm e dispõe de um mecanismo que facilita o acesso aos lugares traseiros. Segundo a Mitsubishi, a terceira fila foi concebida para conseguir acomodar adultos.
Design novo, mas há referências aos antigos Pajero
A aparência também muda substancialmente, embora a Mitsubishi tenha procurado manter elementos que estabelecem uma ligação visual com as gerações anteriores.
As proporções verticais e as linhas horizontais recuperam elementos do primeiro Pajero. Os guarda-lamas pronunciados reforçam a imagem de robustez e a dianteira pode apresentar dois desenhos de grelha diferentes, um com barras horizontais e outro com estrutura em favos de mel.
Os faróis adotam uma nova assinatura em forma de T. Mais atrás, o pilar C foi inspirado no roll bar da primeira geração e o desenho hexagonal da traseira procura reinterpretar visualmente a roda suplente que os antigos Pajero transportavam na porta da bagageira.
A Mitsubishi chama “Grand Charisma” ao conceito de design desta geração e assume que pretende dar ao Pajero uma presença mais premium, adequada ao seu novo estatuto de flagship.
Dois grandes ecrãs transformam o interior

É no habitáculo que a distância para as gerações anteriores se torna particularmente evidente.
O tablier mantém uma orientação horizontal inspirada no primeiro Pajero, mas passa a integrar um conjunto digital composto por dois ecrãs que podem chegar às 14,3 polegadas.
A Mitsubishi recuperou inclusivamente o conceito dos três instrumentos característicos dos antigos Pajero através de uma representação digital denominada Multi-Meter.
Neste sistema podem ser consultadas informações particularmente úteis fora de estrada, como altitude, orientação da bússola, temperatura, inclinação longitudinal e lateral do veículo e estado do sistema AYC.
Existem ainda 16 fundos diferentes para o painel de instrumentos, que podem mudar de acordo com a hora do dia, e o sistema multimédia permite ligação sem fios ao smartphone.
O conforto também recebeu atenção. Há vidro acústico no para-brisas e nas janelas dianteiras e traseiras, acompanhado por diferentes medidas de isolamento destinadas a reduzir o ruído aerodinâmico e do motor dentro do habitáculo.
Tecnologia também ajuda quando acaba o asfalto
Uma das novidades é o 3D Multi Around Monitor. O sistema combina as imagens de quatro câmaras instaladas no veículo e cria uma representação tridimensional da área envolvente.
Além de ajudar nas manobras e estacionamento, pode ser utilizado durante a condução fora de estrada.
Existe inclusivamente uma função que permite visualizar no ecrã o piso situado imediatamente à frente e por baixo do automóvel, uma zona normalmente invisível a partir do lugar do condutor. A funcionalidade pode ser particularmente útil perante pedras, desníveis ou inclinações acentuadas.
O equipamento de assistência à condução inclui ainda sistemas de prevenção de colisão, deteção de peões, ciclistas e motociclistas, assistência em cruzamentos, alerta de tráfego dianteiro transversal e Emergency Lane Assist.
O MI-PILOT combina controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo com assistência à manutenção na faixa em autoestrada. O Pajero dispõe ainda de oito airbags, incluindo, pela primeira vez num Mitsubishi, um airbag central dianteiro.
O novo Pajero quer voltar a ser o rosto da Mitsubishi
A importância desta geração vai além do regresso de um nome conhecido. A Mitsubishi assume o Pajero como o primeiro automóvel a materializar a sua visão de médio e longo prazo para a década de 2030.
Keisuke Kishiura, presidente e COO da Mitsubishi Motors, descreve-o como o modelo que deverá liderar não apenas a futura família Pajero, mas toda a gama da fabricante.
Quarenta e quatro anos depois do aparecimento da primeira geração e depois de mais de 3,29 milhões de unidades produzidas, o Pajero regressa assim profundamente modernizado, mas sem abandonar alguns dos elementos que construíram a sua reputação.
Continua a ter sete lugares, chassis de longarinas, sistemas de tração preparados para enfrentar terrenos difíceis e, talvez o detalhe mais inesperado em 2026, um motor Diesel.
A grande incógnita para nós continua a ser outra: a Mitsubishi anunciou uma expansão para cerca de 100 países a partir do ano fiscal de 2027, mas Portugal e a Europa não aparecem entre os mercados confirmados no comunicado. Para já, teremos de esperar para saber se o regresso do Pajero também acontecerá por cá.
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