Eleito Carro do Ano na Europa, o novo CLA representa um ponto de viragem na estratégia da marca alemã para a mobilidade elétrica. Esta geração, construída sobre a arquitetura MMA de 800 volts, estabelece novos padrões em autonomia e rapidez de carregamento. Mas sem descurar tudo o que é mais representativo do ADN da Mercedes-Benz em matéria de prazer de condução, requinte ou imagem.

A Mercedes-Benz comunicou que o Classe A e o Classe B não vão ter sucessor, mas acaba de apresentar substituto à altura, o novo CLA, um modelo projetado para oferecer mais em todos os aspetos: mais espaço, mais requinte e conforto, mais eficiência e mais inteligência eficiência em comparação com o seu antecessor.

É, segundo a marca alemã, o automóvel mais inteligente que a Mercedes-Benz alguma vez produziu – e o primeiro modelo de uma família de veículos completamente nova. Cada novo modelo estará disponível com propulsão elétrica e híbrida de alta tecnologia. A estreia no mercado nacional fez-se com este  CLA 250+  totalmente elétrico, que tem como grande trunfo técnico a plataforma de 800 volts,a  permitir uma potência de carregamento até 320 kW em estações ultrarrápidas compatíveis. 

Na prática, estamos a falar de uma recuperação de 10 a 80% da bateria em apenas 22 minutos. 

A autonomia combinada, superior a 700 quilómetros, é outro argumento de peso que coloca um ponto final na ansiedade de alcance. No entanto, a marca não equipou este modelo desde o lançamento com um conversor para carregadores de 400 volts, os mais frequentes na Europa, uma limitação que poderá condicionar o dia a dia de alguns utilizadores até à chegada da prometida solução para a versão Shooting Brake.

Desenho aerodinâmico e presença visual

Para esta carroçaria de três volumes, que a Mercedes designa agora de Limousine, manteve-se o perfil “coupé” como a assinatura estilística, com uma linha de tejadilho fluída que não compromete a identidade desportiva. A preocupação com a eficiência levou a um trabalho minucioso na aerodinâmica, patente na grelha dianteira selada, nos puxadores embutidos e num coeficiente de arrasto de apenas 0,21 Cd. Mas também a iluminação assume um papel de destaque, com os faróis Multibeam a integrarem uma barra LED horizontal que atravessa o painel frontal decorado por 142 estrelas retroiluminadas, uma assinatura visual que se repete na traseira com as óticas em formato de estrela unidas por uma faixa luminosa. A personalização é incentivada através de opções como a pintura metalizada Vermelho Patagónia, a Linha AMG ou as jantes de 19 polegadas, que acentuam a vertente desportiva do modelo.

Interior digital e materiais refinados

O habitáculo foi profundamente renovado, com uma aposta clara em materiais de toque suave, camurça e pele sintética com pespontos contrastantes que elevam a perceção de qualidade. A bordo, a tecnologia é soberana: o painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas e o ecrã central tátil de 14 polegadas são o núcleo de um sistema MB.OS de última geração, alimentado por IA e processamento rápido, que oferece uma experiência fluída e intuitiva com capacidade para atualizações remotas.

 A climatização está integrada no ecrã, mas permanece acessível na parte inferior, enquanto o comando dos vidros na porta do condutor poderia ser mais ergonómico. No capítulo do espaço, o CLA acomoda confortavelmente quatro adultos de estatura média, embora os lugares traseiros exijam algum cuidado no acesso devido à queda do tejadilho. A bagageira de 405 litros é complementada por um generoso compartimento frontal de 101 litros, compensando a capacidade principal.

Dinâmica de condução e desempenho super-eficientes

A motorização elétrica intermédia do CLA 250+ recorre a um motor síncrono montado no eixo traseiro, que desenvolve 272 CV e um binário máximo de 335 Nm, proporcionando acelerações prontas e enérgicas em qualquer um dos modos de condução disponíveis no sistema Dynamic Select. A forma pronta como a potência é disponibilizada consegue surpreender pela positiva, emprestando um caráter desportivo à condução, sobretudo quando se ativa o programa Sport. Uma entrega que está bem patente nas prestações declaradas pela marca, que anuncia um a velocidade máxima limitada eletronicamente a 210 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h em despachados 6,7 segundos, embora na prática ainda pareça mais rápido.

Porém, o maior trunfo reside na forma como alia esse desempenho a uma eficiência exemplar: a bateria de 85 kWh garante uma autonomia combinada anunciada de 790 quilómetros, valor que nesta unidade, equipada com jantes de 19 polegadas, se fixa nos 743 quilómetros. 

Durante o teste, os consumos revelaram-se contidos: registámos uma média de 14,2 kWh/100 km num percurso misto, um valor que não anda longe dos 13,8 kWh homologados pela marca para a configuração da unidade ensaiada, com jantes de 19 polegadas.

Um feito que se deve em grande medida à transmissão automática de duas velocidades, particularmente útil para otimizar o gasto em autoestrada, e ao sistema de regeneração com quatro níveis de intensidade, desde o D+, que permite um rolamento quase sem retenção, até ao modo Auto, que adapta a travagem regenerativa às condições do momento.

A estes atributos acresce o notável equilíbrio entre o conforto apurado e a agilidade desportiva, com uma direção precisa a transmitir confiança e uma segurança exemplar em curva, sem que isso comprometa o bem-estar em pisos mais degradados. A competência dinâmica do modelo é, de facto, notável. Paralelamente, o habitáculo beneficia de uma insonorização exemplar, enquanto as sonoridades artificiais disponíveis permitem diversificar a experiência ao volante, consoante o estado de espírito do condutor.

Mesmo em piso degradado ou com ondulações, o conjunto não perde a compostura, preservando um conforto de rolamento que honra a tradição da marca. O centro de gravidade baixo, inerente à arquitetura com baterias no piso, contribui para uma sensação de estabilidade permanente, transmitindo uma confiança que convida a explorar os limites do modelo com segurança. Por falar nela, referir a distinção atribuída pelo Euro NCAP, que coroou o CLA como o veículo mais seguro do ano de 2025, obtendo a classificação máxima de cinco estrelas com percentagens notáveis em todas as categorias de proteção.

Um preço competitivo, mas com opcionais a ponderar

A relação qualidade-preço do CLA 250+ é, à partida, atrativa, considerando a tecnologia embarcada, a autonomia e o desempenho oferecidos nesta versão intermédia, desde 56.200 €.

Naturalmente, a lista de opcionais é vasta e convidativa, com destaque para os faróis Multibeam, o head-up display e o sistema de som Burmester, agrupados no Pack Premium Plus (4.450 euros), ou para a Linha AMG (3.350 euros), que confere um visual mais desportivo com bancos desportivos Plus e volante em pele Nappa. Sem surpresa, uma escolha mais criteriosa de extras pode rapidamente inflacionar o preço final. 

Neste contexto, o Tesla Model 3 Long Range RWD mantém-se como a referência a bater, com 320 CV, 750 quilómetros de autonomia e um preço de 44.990 euros que sublinha a diferença estratégica entre as duas abordagens: enquanto a Tesla privilegia a acessibilidade e a simplicidade, a Mercedes aposta na personalização, no requinte dos materiais e no prestígio da marca como argumentos de peso.

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