O novo Dacia Spring está aí e, desta vez, falar apenas numa atualização seria ficar muito aquém das mudanças. A segunda geração mantém o nome, mas é um automóvel totalmente novo: estreia plataforma, cresce em tamanho, ganha espaço, passa a ter uma bateria LFP e, pela primeira vez, é produzida na Europa.

Há, porém, algo que a Dacia pretende manter: o posicionamento acessível. Segundo a marca, toda a gama europeia do novo Spring ficará abaixo dos 20.000 euros, antes de eventuais incentivos à compra de veículos elétricos. Os preços específicos para Portugal ainda não foram divulgados no press kit apresentado a 8 de setembro de 2026.

A nova geração chega ainda com 80 cv, até 250 km de autonomia WLTP, uma bagageira de 337 litros e a possibilidade de carregar em corrente contínua a 50 kW. Mas talvez a maior diferença esteja mesmo na origem: o Spring deixa de ser produzido na China e passa a sair da fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia.

Novo Dacia Spring: uma segunda geração que muda praticamente tudo

A própria Dacia resume a transformação de forma simples: o novo Spring conserva o nome da geração anterior, mas muda tudo o resto.

A base desta transformação é a nova plataforma RG-EV small do Grupo Renault, desenvolvida para pequenos veículos elétricos. O Spring é também o primeiro Dacia a beneficiar dos novos programas de desenvolvimento do Grupo Renault, que procuram reduzir o ciclo de conceção de um automóvel para menos de dois anos e, simultaneamente, baixar os custos de desenvolvimento.

Há também uma mudança significativa na produção. A primeira geração era fabricada na China, enquanto o novo Dacia Spring será produzido em Novo Mesto, na Eslovénia.

A aposta surge integrada na estratégia de eletrificação da marca. A Dacia confirmou quatro modelos totalmente elétricos até 2030, sendo este Spring o primeiro dessa nova ofensiva.

O ponto de partida não é propriamente modesto. Desde 2021, a primeira geração acumulou mais de 210.000 unidades vendidas em mais de 40 países.

Maior por fora e com mais espaço por dentro

Novo Dacia Spring muda tudo e continua abaixo dos 20 mil euros

Uma das mudanças mais evidentes está nas proporções.

O novo Dacia Spring mede 3,85 metros de comprimento e 1,74 metros de largura, sem contar com os espelhos. Face à geração anterior, cresceu 15 centímetros em comprimento e nada menos do que 18 centímetros em largura.

O aumento da largura permite uma presença visual mais robusta, mas também foi aproveitado para melhorar o espaço no habitáculo.

Apesar do crescimento, continua a ser um automóvel compacto pensado sobretudo para ambientes urbanos. O raio de viragem anunciado é de apenas 4,95 metros, uma característica importante para manobras e estacionamento em cidade.

Visualmente, a segunda geração adota uma linguagem mais geométrica. As faixas pretas que unem os faróis e os farolins procuram acentuar a largura do automóvel e incorporam uma assinatura luminosa inspirada no símbolo Dacia Link.

Inicialmente, estarão disponíveis quatro cores: Agave, Schist Grey, Diamond Black e Glacier White.

Bagageira de 337 litros e até um pequeno frunk

O crescimento exterior também trouxe ganhos na capacidade de carga.

A bagageira oferece até 337 litros, um valor que a Dacia apresenta como referência entre os elétricos do segmento A. Rebatendo o banco traseiro, dividido numa configuração 50/50, a capacidade pode chegar aos 1.283 litros.

Existe ainda um piso removível dividido em duas secções, permitindo criar diferentes compartimentos para organizar ou esconder objetos.

E há espaço também debaixo do capô. O novo Dacia Spring mantém uma característica pouco habitual entre automóveis tão compactos: pode receber um frunk.

Este compartimento dianteiro é opcional e acrescenta 18 litros, podendo ser utilizado, por exemplo, para guardar cabos de carregamento sem ocupar espaço na bagageira.

80 cv e até 250 km de autonomia

A nova geração simplifica bastante a escolha mecânica.

Todas as versões utilizam o mesmo motor elétrico, com 60 kW, equivalentes a 80 cv, e 175 Nm de binário. Segundo os valores divulgados pela Dacia, o novo Spring acelera dos 0 aos 100 km/h em 12,1 segundos e atinge uma velocidade máxima de 130 km/h.

A energia é armazenada numa bateria LFP com 27,5 kWh de capacidade útil, suficiente para uma autonomia de até 250 km no ciclo combinado WLTP.

A opção pela química LFP, ou lítio-ferro-fosfato, é também uma novidade relevante. A Dacia salienta que esta tecnologia utiliza materiais como ferro e fosfato, mais disponíveis do que metais como níquel e cobalto utilizados noutras químicas de baterias.

A autonomia poderá parecer relativamente contida perante elétricos de segmentos superiores, mas a marca sustenta a escolha com dados de utilização da geração anterior. Segundo dados provenientes dos automóveis conectados, os proprietários percorrem em média 34 km por dia, a uma velocidade média de 34 km/h, e 75% dos carregamentos são feitos em casa.

Com base neste padrão de utilização, a Dacia estima que uma carga semanal seja suficiente para a maioria dos utilizadores do novo Spring.

Um dos números mais interessantes está no consumo

Mais capacidade de bateria não é a única forma de aumentar a autonomia de um automóvel elétrico. Reduzir a quantidade de energia necessária para percorrer cada quilómetro é igualmente importante.

E é precisamente aqui que o novo Dacia Spring apresenta um dos seus números mais interessantes.

A marca anuncia um consumo combinado de apenas 12,7 kWh/100 km segundo o ciclo WLTP, que atribui, entre outros fatores, ao baixo peso do automóvel.

O novo Spring começa nos 1.212 kg, sendo, segundo a Dacia, um dos elétricos mais leves do seu segmento.

Esta abordagem permite combinar uma bateria relativamente pequena de 27,5 kWh úteis com os anunciados 250 km de autonomia WLTP, evitando aumentar desnecessariamente peso e custo.

Carregar em casa ou chegar aos 50 kW em DC

O carregamento também foi pensado em função da utilização quotidiana.

De série, o novo Dacia Spring inclui um carregador AC de 6,6 kW. Numa tomada doméstica, a Dacia indica 9 horas para passar de 15% a 80% da bateria. Numa tomada reforçada, esse período desce para 5 horas e 40 minutos, enquanto uma wallbox de 7 kW permite realizar a mesma operação em 2 horas e 55 minutos.

Para quem necessitar de maior flexibilidade, existe um pack de carregamento rápido.

Este acrescenta um carregador AC de 11 kW e capacidade de carregamento DC até 50 kW. Numa wallbox trifásica de 11 kW ou posto de 22 kW, os 15% a 80% podem ser recuperados em 1 hora e 55 minutos.

Num posto rápido DC de 50 kW, a mesma operação demora 28 minutos, segundo os dados oficiais.

O Spring também pode fornecer eletricidade

Outra novidade é a tecnologia V2L, incluída no pack de carregamento.

A sigla significa Vehicle-to-Load e, na prática, permite utilizar a energia armazenada na bateria do automóvel para alimentar equipamentos elétricos externos.

A Dacia dá como exemplos lanternas, baterias de bicicletas elétricas e até máquinas de café.

Não deve ser confundida com tecnologias destinadas a fornecer energia diretamente à rede elétrica ou a uma habitação. A funcionalidade anunciada para o Spring destina-se a alimentar pequenos equipamentos.

O interior também dá um salto tecnológico

Posto de carregamento do novo Dacia Spring, detalhe do conector

A transformação continua no habitáculo.

O painel de instrumentos digital tem 7 polegadas e é equipamento de série em toda a gama. Dependendo da versão, a solução multimédia muda.

No nível Expression, o sistema Media Control permite utilizar o smartphone em conjunto com os comandos no volante e o painel de instrumentos. Existe um suporte específico para o telemóvel na zona central do tablier.

A versão Journey recebe o sistema Media Nav Live, com ecrã tátil central de 10,1 polegadas e integração sem fios de Apple CarPlay e Android Auto.

Inclui ainda oito anos de navegação conectada, informação de trânsito em tempo real e mapas europeus atualizados, além de serviços como programação do carregamento, pré-climatização do habitáculo e localização do veículo.

Expression ou Journey: gama simples com duas versões

Dacia Spring 2025 em contexto urbano, rua de cidade portuguesa

A Dacia manteve a estrutura da gama particularmente simples.

Existem apenas dois níveis de equipamento: Expression e Journey. Ambos utilizam o mesmo motor de 80 cv, a mesma bateria LFP de 27,5 kWh e o mesmo carregador AC de 6,6 kW de série.

O Expression inclui, entre outros equipamentos, jantes de aço Mura de 15 polegadas, ar condicionado manual, sensores traseiros de estacionamento, travão de estacionamento elétrico, sistema Media Control, banco traseiro rebatível 50/50 e três pontos de fixação YouClip.

O Journey acrescenta jantes de aço Drava de 16 polegadas, cartão mãos-livres, câmara de marcha-atrás, Media Nav Live com ecrã de 10,1 polegadas, navegação e serviços conectados, entre outros elementos.

Continua abaixo dos 20 mil euros, mas há uma ressalva para Portugal

Apesar de todas as mudanças, o preço continua a ser uma das peças centrais da estratégia do Spring.

A Dacia afirma que toda a gama da segunda geração terá um preço inferior a 20.000 euros, sem contabilizar eventuais incentivos governamentais à aquisição de automóveis elétricos.

Há, contudo, uma distinção importante para quem estiver a ler em Portugal.

O press kit apresentado pela Dacia não divulga preços específicos para o mercado português. Assim, os menos de 20.000 euros devem ser entendidos como o posicionamento anunciado pela marca para a gama europeia e não como confirmação de um preço de venda ao público concreto em Portugal.

Também não é possível, com base neste documento, indicar quando começam as encomendas ou as primeiras entregas no nosso país.

Esses valores e datas terão de ser confirmados quando a Dacia Portugal divulgar a gama nacional.

Agora é um elétrico produzido na Europa

Detalhe da bagageira e espaço interior traseiro do novo Dacia Spring

A mudança de local de produção é uma das diferenças mais relevantes face ao Spring que conhecíamos.

A nova geração será construída na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia, passando assim a ter produção europeia.

Segundo a Dacia, esta produção permite também ao modelo cumprir os critérios necessários para beneficiar dos incentivos disponíveis em vários países da União Europeia. Isso não significa, porém, que exista automaticamente um incentivo específico garantido em Portugal, uma vez que os apoios dependem das regras nacionais em vigor.

A marca estabelece ainda uma meta ambiental para a nova geração: reduzir a pegada de carbono ao longo do ciclo de vida em cerca de 60% face a modelos equivalentes com motor de combustão. A afirmação baseia-se numa avaliação comparativa do ciclo de vida realizada segundo a metodologia do Grupo Renault e aplicada ao mix de vendas previsto para o Spring em 2027, comparando-o com médias dos segmentos A e B equipados com motores a gasolina não híbridos.

É, portanto, uma estimativa produzida segundo metodologia do próprio grupo automóvel e não deve ser interpretada como uma redução universal de 60% face a qualquer automóvel a gasolina.

Um Spring novo em praticamente tudo

A segunda geração representa uma mudança profunda para o pequeno elétrico da Dacia.

Há uma nova plataforma, produção europeia, dimensões maiores, mais espaço para bagagem, 80 cv, bateria LFP de 27,5 kWh úteis e até 250 km de autonomia WLTP. A possibilidade de carregamento rápido DC a 50 kW e a função V2L acrescentam capacidades que procuram tornar a utilização diária mais flexível.

Ao mesmo tempo, a Dacia não tentou transformar o Spring num elétrico de grande autonomia ou de elevada potência. Os números divulgados pela própria marca sobre os utilizadores da primeira geração — 34 km percorridos por dia, em média — ajudam a explicar essa opção.

O objetivo continua a ser um pequeno elétrico orientado para deslocações quotidianas, mas agora assente numa plataforma diferente, maior e produzido na Europa.

Falta conhecer um dado particularmente importante para os consumidores portugueses: o preço.

Por enquanto, sabemos apenas que a Dacia promete manter toda a gama europeia abaixo dos 20.000 euros, antes de incentivos. Quanto custará efetivamente o novo Dacia Spring em Portugal é algo que ainda terá de ser confirmado.

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