A BMW mergulhou a fundo no lucrativo segmento dos SUV compactos elétricos com o iX1, a versão zero emissões do bem-sucedido X1. Combinar a
silhueta de SUV compacto com a propulsão elétrica parece uma jogada de mestre. Mas uma questão pode perseguir o entusiasta mais purista da marca: este elétrico é ainda um BMW de coração? E a nova versão de entrada, a eDrive20, mais acessível, valerá a pena?

Design: maior e com mais presença

Com 4,5 metros de comprimento, o X1 deixou de ser o "baby SUV" da família. Ganhou porte, e o iX1 acompanha na íntegra esse crescimento. Visualmente, as diferenças para os seus irmãos de combustão são discretas: uma grelha de duplo rim totalmente fechada, de inspiração iX, e discretos apontamentos azuis nos para-choques. Na traseira, é o vidro escurecido e os faróis em L que acentuam o seu carácter desportivo.

A aerodinâmica não foi negligenciada – com um Cx de 0,26 e puxadores de portas à face da carroçaria –, provando que a eficiência e o estilo podem andar de mãos dadas.

Interior: espaço, versatilidade e qualidade inquestionável

Apesar do porte compacto (o iX1 é o menor SUV elétrico da BMW), no interior há espaço para a família. Conforto nos bancos dianteiros, lugar
generoso atrás para três ocupantes – sem o intrusivo túnel de transmissão a roubar espaço – e uma bagageira de 490 litros que engole a tralha de um fim de semana. Um compartimento superior, estrategicamente colocado à saída, guarda os cabos de carregamento. A abertura elétrica do portão, com
sensor de pé, é um pormenor de extrema conveniência.
Ao volante, a primeira impressão é de qualidade superior. Superfícies almofadadas, pele com costuras e um ambiente "premium". Depois, o volante de pega a “encher a mão” e uma posição de condução baixa, tipicamente BMW. O painel é dominado pelo ecrã curvo que alberga o quadro de instrumentos (10,25") e o sistema de multimédia (10,7"), comandado pelo ágil OS 9.0. A conectividade é topo de gama, com o BMW ConnectedDrive, a Digital Key Plus (que dispensa tirar o telemóvel do bolso) e uma panóplia de serviços remotos via app My BMW.

Em estrada, a versão eDrive20, com o seu motor de 204 cv e tração dianteira, oferece prestações mais modestas (0-100 km/h em 8,6 segundos) do que o topo de gama xDrive30 (313 cv), mas foca-se na eficiência, garantindo com a sua bateria de 64,7 kWh (utilizáveis) cerca de 450 km em cidade, enquanto em autoestrada a 120 km/h é realista esperar quase 300 km. Com estes números, o iX1 não será o campeão de autonomia do segmento, mas a sua dinâmica é possivelmente a mais envolvente da classe.

A direção é precisa e comunicativa, e com o opcional Pack Desportivo M (3.700 €), que inclui suspensão adaptativa, o iX1 atinge um equilíbrio brilhante entre conforto e agilidade. Em modo Sport, as entradas nas curvas são neutras e a tração é exemplar. Quanto ao carregamento, numa Wallbox de 11 kW, necessita de 6h30 para chegar aos 80% da carga. Num posto AC de 22 kW, o registo desce para 3h45. A forma mais rápida é num posto DC de 130 kW, que leva a bateria de 10 a 80% em apenas 29 minutos.

Eficiência, mas com alma… e preço!

Em resumo, um SUV elétrico compacto que não compromete a qualidade de construção, o espaço familiar e, acima de tudo, o prazer de condução que tornou a BMW uma referência.

Com um preço a partir de 49.694 € em Portugal (podendo ascender a 60.000 € com extras), o iX1 eDrive20 posiciona-se claramente no patamar premium. E, no entanto, contra o que seria de esperar, consegue ser uma proposta mais acessível do que concorrentes diretos como o Audi Q4 e-tron, o Mercedes EQA ou o Ford Mustang Mach-E, com apenas o Kia EV6 a surgir como alternativa mais barata.

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