A MG continua a sua expansão no mercado português com uma proposta que promete fazer mossa no segmento dos grandes familiares. O S9 PHEV chega com o formato SUV da moda para ocupar um nicho ainda pouco preenchido: o dos híbridos plug-in com sete lugares a preços verdadeiramente competitivos. Arranca nos 42.990 euros, o que lhe garante o estatuto de opção mais barata da categoria, mas será que o compromisso entre preço e qualidade se mantém? 

Espaço e habitabilidade: um verdadeiro sete lugares

Com 4,98 metros de comprimento, o MG S9 é o maior SUV da marca britânica do grupo chinês SAIC Motor, e também o primeiro a oferecer sete lugares. São mais 30 centímetros do que o HS, e essa diferença sente-se, obviamente, no desafogo dop interior. Ao contrário de alguns concorrentes que oferecem uma configuração "cinco mais dois" com uma terceira fila praticamente inutilizável, este S9 consegue acomodar adultos nos dois bancos mais recuados, pelo menos com até 1,80 m de altura.

Apesar de não disporem de ancoragens ISOFIX - o que não inviabiliza a instalação de uma cadeira infantil, que poderá ser fixada com o cinto de segurança —, estes lugares contam com saídas de ar, localizadas também no teto, e uma porta USB.

Condução “nas alturas” e muita arrumação

Também à frente, o MG S9 PHEV dispõe de bancos confortáveis e com folga em todas as direções, amplos arrumos, dois porta-copos, espaços para telemóveis e um compartimento sob a consola central. A posição de condução é elevada e bem enquadrada, com excelente visibilidade para todos os ângulos, incluindo para trás graças à ampla superfície vidrada.

Na segunda fila, destaque para um enorme tejadilho panorâmico (de série) que não compromete em nada o espaço para a cabeça, e o piso completamente plano favorece o conforto do passageiro central. O banco desliza sobre calhas, permitindo gerir o espaço entre esta fila e a terceira, embora o ocupante central fique ligeiramente elevado. O acesso à terceira fila faz-se de forma simples através de um botão que dobra e desliza o banco lateral num único movimento.

Em termos de bagageira, com todos os lugares a uso, sobram 332 litros, o equivalente à bagageira de um Volkswagen Polo. Com a terceira fila rebatida, a capacidade sobe para 1026 litros.

Tecnologia e sofisticação com alguns compromissos

O espaço a versatilidade é, sem dúvida, o trunfo n.º1 do interior do S9, mas o SUV da MG surpreende igualmente pela qualidade de construção, claramente acima do que seria expectável para este patamar de preço. O painel curvo no topo do tablier integra dois ecrãs de 12,3 polegadas: um para a instrumentação digital e outro para o sistema multimédia tátil, compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

A MG merece elogios por manter comandos físicos por baixo do ecrã central — atalhos que facilitam o acesso ao menu da climatização e ao ajuste da ventilação, evitando distrações desnecessárias durante a condução. Já as saídas de ar inteligentes, posicionadas acima do ecrã, são menos acertadas: semelhantes às de um Tesla Model Y, só podem ser ajustadas no ecrã tátil, obrigando o condutor a navegar por cursores, uma distração evitável face às tradicionais saídas manuais.

Nos acabamentos, apresenta materiais que tentam transmitir uma sensação de luxo — o couro e a madeira são claramente sintéticos, mas o conjunto agrada visualmente. 

Os pontos menos positivos incluem a falta de brilho dos ecrãs em dias de sol, gráficos que poderiam ser mais nítidos e um tempo de resposta do sistema multimédia que fica aquém do ideal. Apesar disso, a sensação geral é de um interior bem resolvido e claramente superior ao dos modelos mais baratos da marca.

O "peso" do conforto

A mecânica do S9 PHEV combina um motor a gasolina turbo de 1,5 litros (140 CV) com um motor elétrico de 228 CV, alimentados por uma bateria LFP de 24,7 kWh. A potência total sobe para impressionantes 299 CV, mas a realidade da estrada é mais modesta. O peso extra de 300 kg em relação ao HS prejudica a aceleração: são necessários 9,6 segundos para atingir os 100 km/h.

A transmissão, que a marca descreve como de uma velocidade, é na realidade mais complexa: o motor elétrico aciona as rodas com uma relação fixa, e o motor a gasolina também o pode fazer, embora muitas vezes funcione como gerador. Estão disponíveis dois modos de funcionamento. No modo EV, o S9 circula em modo 100% elétrico até restarem apenas dois quilómetros de autonomia; então o motor a gasolina entra para carregar a bateria até aos três quilómetros, retomando depois o modo elétrico num ciclo contínuo. No modo Hybrid, circula em elétrico a baixas velocidades, e o motor de combustão entra a velocidades mais elevadas, reduzindo o consumo da bateria.

Na estrada, o S9 não esconde a sua vocação familiar. A direção tem peso e resposta naturais, tornando-o mais fácil de guiar do que alguns concorrentes chineses, e a sensação dos travões é aceitável. No entanto, a resposta inicial dos travões poderiam ser melhores. A suspensão macia proporciona uma condução confortável na generalidade das situações, embora surjam alguns solavancos em estradas mal pavimentadas e um controlo da carroçaria menos firme em ondulações mais desafiantes.

Em curva, a inclinação da carroceria é pronunciada e os pneus dianteiros perdem aderência mais cedo do que seria desejável. A melhor abordagem é aceitar um ritmo mais calmo, algo que o S9 incentiva naturalmente.

Autonomia para 100km elétricos

Uma vantagem competitiva do S9 PHEV é a autonomia declarada de 100 km em modo 100% elétrico (ciclo WLTP), um valor que coloca este SUV entre os melhores da categoria. Na prática, conseguimos pouco mais de 80 km com alguma condução em vias rápidas, um número perfeitamente aceitável.

O carregamento da bateria de 24,7 kWh faz-se em cerca de quatro horas num wallbox de 7,4 kW, não sendo possível recorrer a carregamentos rápidos — uma limitação que pode pesar para quem depende exclusivamente da corrente pública.

Já os consumos em modo híbrido merecem um alerta. Durante o nosso teste, registámos consumos à volta dos 6,7 l/100 km em utilização mista, um valor que nos parece mais razoável. Mas com a bateria descarregada e em modo Hybrid é fácil passar do 9 l/100 km: este modo “full-hybrid” do S9 está programado para manter a bateria perto dos 50% de carga, privilegiando a disponibilidade de potência em detrimento da eficiência. O modo EV, por sua vez, utiliza o motor a gasolina o menos possível, estendendo ao máximo a autonomia elétrica. 

Duas versões, muito equipamento

O MG S9 PHEV cumpre o que promete: muito espaço, sete lugares utilizáveis, uma autonomia elétrica competitiva e um preço difícil de igualar. A versão Comfort, a partir de 43.026 euros, já é generosa em termos de equipamento de série, com bancos dianteiros elétricos e aquecidos, climatização de três zonas, jantes de 20 polegadas, teto panorâmico, iluminação ambiente, sistema multimédia com Android Auto e Apple CarPlay sem fios, porta da bagageira elétrica, quatro câmaras de estacionamento e a funcionalidade V2L. 

Quem optar pela versão Luxury, por 45.026 euros, passa a contar com pele sintética preta, bancos dianteiros ventilados e com massagem (três níveis), apoio lombar elétrico ajustável em quatro posições, portão elétrico com abertura inteligente, sistema de som Bose® com 12 altifalantes e carregamento sem fios para telemóveis.

Veredito: vale a pena?

Há compromissos, como seria de esperar. A dinâmica de condução é pesada, a aceleração fica aquém do sugerido pelos números de potência, e alguns detalhes do interior — como as saídas de ar digitais ou a falta de brilho dos ecrãs - revelam onde a MG cortou custos. Mas o conforto de suspensão é bom, a posição de condução é elevada e a visibilidade é excelente.

Comparado com concorrentes como o Hyundai Santa Fe ou o Peugeot 5008, o S9 perde em refinamento e dinâmica, mas é provavelmente o mais sensato para quem precisa de espaço ao melhor preço.

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