Graças a um mercado interno gigantesco e a marcas cada vez mais fortes, a evolução tem sido rápida, e nota-se. Marcas recentes, como a Jaecoo, fundada apenas em 2023, já começam a aproximar-se do nível das construtoras europeias… com uma vantagem difícil de ignorar: preços muito mais competitivos.

E este Jaecoo 7 é um bom exemplo disso. Um modelo que começa a ganhar cada vez mais peso no mercado europeu e que já lidera a tabela de vendas no Reino Unido, um mercado exigente e tradicionalmente dominado por marcas bem estabelecidas. Isso diz muito sobre o momento que estamos a viver.

Claro que, ao olhar para ele, é quase impossível não pensar no Range Rover Evoque. As semelhanças estão lá. Mas a grande questão é: será que o Jaecoo 7 é apenas uma alternativa mais barata ao SUV inglês… ou será que é mesmo uma proposta sólida, capaz de desafiar a sério?

Quem é a Omoda & Jaecoo?

Para percebermos o que é na verdade o Jaecoo 7, temos de começar um passo atrás  e olhar para a marca que lhe dá nome.

A Jaecoo nasceu em 2023 e, juntamente com a Omoda, fazem parte do grupo chinês Chery, um dos maiores construtores automóveis do seu mercado e cada vez mais relevante a nível global. A estratégia é clara: conquistar espaço fora da China com produtos competitivos, qualidade premium percebida, e com níveis visuais e de equipamento muito apelativos.

E a verdade é que os resultados começam a aparecer. No Reino Unido, o Jaecoo 7 já lidera a tabela de vendas, ultrapassando modelos bem estabelecidos naquele mercado como o Ford Puma e o Nissan Qashqai, tendo entregue em 2026 mais de 10 mil unidades. Um sinal claro de que os tempos estão a mudar.

Em Portugal, o Jaecoo 7 junta-se ao Jaecoo 5, um SUV 100% elétrico mais compacto, mas com uma linguagem estética muito semelhante e identidade bem definida.

A frente é alta, muito vertical, e dominada por uma grelha generosa que assume o protagonismo. É um daqueles carros que não passa despercebido, não pela extravagância, mas pela forma como ocupa o espaço.

Depois, há uma clara aposta em linhas direitas e superfícies limpas. O desenho é contido, mas intencional. E é aqui que entram as comparações inevitáveis.

A inspiração no Range Rover Evoque está lá, nas proporções, no perfil, na forma como o carro se apresenta na estrada… Mas não fica preso a essa referência. Em vez disso, pega nessa base mais clássica e interpreta-a de forma mais moderna, quase futurista, com uma abordagem mais minimalista.

Vê-se isso, por exemplo, na forma como os elementos são simplificados. Os puxadores embutidos, as superfícies mais “limpas”, a ausência de linhas desnecessárias. Tudo contribui para um visual mais depurado. Ao mesmo tempo, a assinatura luminosa mais fina e a divisão dos faróis dão-lhe um toque tecnológico que o afasta de uma leitura mais tradicional.

O tejadilho com efeito flutuante e a linha de cintura elevada remetem para o universo premium, mas o tratamento mais limpo e moderno aproxima-o de uma linguagem mais atual.

Na traseira, o discurso mantém-se: linhas horizontais, uma assinatura em LED bem definida e uma postura larga, mas sem excessos e sem ruído.

No fundo, o Jaecoo 7 parece jogar em dois mundos ao mesmo tempo. Por um lado, inspira-se claramente em referências bem estabelecidas. Por outro, tenta simplificar, modernizar e até futurizar essa mesma base.

Interior impressiona pela qualidade

Se por fora já há argumentos, é no interior que este Jaecoo 7 começa realmente a surpreender.

E aqui há um ponto que é difícil ignorar: hoje em dia, as marcas chinesas estão, em muitos casos, um passo à frente das europeias no que toca à qualidade percebida. E neste Jaecoo 7 isso sente-se… literalmente.

É muito difícil encontrar plásticos rijos no habitáculo. Quase tudo o que tocamos tem um acabamento suave, com materiais que imitam pele e que elevam bastante a sensação de qualidade a bordo. Há uma consistência que impressiona, porque não é só nas zonas mais visíveis, é mesmo transversal.

Depois, há o conforto. Os bancos são amplos, bem desenhados e sempre com ajustes elétricos, o que nem sempre é garantido neste segmento. E nesta versão Exclusive, vão ainda mais longe: temos aquecimento e ventilação nos bancos, e até o volante é aquecido. Pequenos detalhes… mas que fazem diferença no dia a dia.

E claro, não dá para falar deste carro sem tocar no equipamento. Porque aqui, as marcas chinesas continuam a dar uma verdadeira lição às europeias.

Este Jaecoo 7, no fundo, já traz praticamente tudo. Portão traseiro elétrico, teto panorâmico, head-up display, câmaras 540º em HD, carregamento por indução com ventilação, consola central refrigerado… a lista é longa. E mais importante do que isso: tudo funciona bem. O sistema é rápido, intuitivo, responde bem ao toque… Mas nem tudo é perfeito.

Este minimalismo, que até funciona bem do ponto de vista visual, tem um custo na utilização. Funções básicas, como ajustar a climatização ou até o volume, exigem mais passos do que seria desejável. Não há um acesso direto tão imediato, e isso, no dia a dia, acaba por se notar.

Ainda assim, no global, a experiência é muito positiva. Porque a somar a tudo isto, há ainda o espaço.

À frente, a posição de condução é elevada, confortável, com boa visibilidade. Atrás, há espaço mais do que suficiente para adultos, tanto para pernas como para cabeça, e o piso praticamente plano ajuda no conforto de um terceiro passageiro.

A bagageira também acompanha essa lógica prática, com uma capacidade generosa e formas regulares, pensadas para o uso real do dia a dia.

No fundo, o interior do Jaecoo 7 volta a seguir a mesma filosofia do exterior: parecer mais caro do que é, mas aqui, com um detalhe importante: não é só aparência, há mesmo substância.

Ao volante do Jaecoo 7

A primeira impressão ao volante do Jaecoo 7 é de conforto. Um conforto muito focado numa condução descontraída. O isolamento está muito bem conseguido, fruto também da qualidade dos materiais que isolam o interior, e, em ritmos mais calmos, o silêncio a bordo é mesmo um dos pontos mais fortes do modelo.

E isso também se explica pelo tipo de motorização.

O Jaecoo 7 utiliza aquilo a que a marca chama um sistema super híbrido plug-in. Na prática, combina um motor a gasolina 1.5 turbo de 4 cilindros com um motor elétrico, alimentado por uma bateria de 18,3 kWh de capacidade.

Ao contrário de um híbrido mais tradicional, onde o motor a combustão está frequentemente ligado às rodas, neste sistema o motor elétrico é quem faz a maior parte do trabalho. Ou seja, na maioria das situações, é o motor elétrico que está efetivamente a mover o carro.

O motor a gasolina entra muitas vezes como um gerador. Em vez de estar diretamente a impulsionar as rodas, o que faz é produzir energia para alimentar a bateria ou o motor elétrico. Isto permite que o carro mantenha aquela sensação de condução elétrica, suave, silenciosa e com entrega imediata de potência durante mais tempo.

Depois, claro, há momentos em que o motor térmico também pode contribuir diretamente para a tração, sobretudo em velocidades mais altas ou quando é necessário mais esforço. Mas, no dia a dia, a experiência é muito mais próxima de um elétrico do que de um carro a combustão.

No total, a potência combinada ronda os 347 cavalos e 525NM de binário, o que, no papel, é um valor bastante interessante para este segmento. Mas mais do que a potência em si, o que se destaca é a forma como ela é entregue: de forma progressiva, suave, sem grandes picos.

Depois, há a autonomia elétrica. Estamos a falar de valores que rondam com facilidade e sem grande gestão os 90 quilómetros em modo 100% elétrico, em circuito citadino, claro, o que permite fazer grande parte das deslocações diárias sem recorrer ao motor a combustão, podendo carregar a totalidade da capacidade desta bateria durante 1 noite numa tomada convencional, em casa.

Admite também carregamento rápido em DC com potências até 40kW carregando a bateria em 30min

Neste modo 100% elétrico podemos conduzir até velocidades de 120km/h.

A caixa de velocidades também segue esta lógica de suavidade. Trata-se de uma transmissão automática dedicada ao sistema híbrido, uma DHT, que tem um funcionamento semelhante a uma CVT, mas aprimorada para uma gestão híbrida mais eficiente e pensada para maximizar a eficiência e o conforto.

Na verdade, graças a este tipo de caixa, só percebemos que temos um motor a combustão quando exigimos mesmo entrega máxima de potência do carro. 

Os consumos anunciados pela Jaecoo são de 0.7L/100km quando arrancamos com a bateria cheia, valores que sobem até perto da casa dos 6L quando a bateria se esgota, ainda assim, um valor muito aceitável, tendo em conta toda a potência do conjunto, e que carregamos sempre uma enorme bateria de 18,3kWh de capacidade, que pesa muito.

Com a carga máxima e depósito atestado, a autonomia do modelo supera os 1200km. 

Preços

Por último, o preço, que é, no fundo, uma das grandes armas deste Jaecoo 7.

Em Portugal, o Jaecoo 7 posiciona-se com um preço base de 31.625€ + IVA, podendo chegar até aos 45 mil euros, IVA Incluído, nesta versão Exclusive mais equipada. E menciono estes valores de forma separada, porque para empresas ou ENIs, este valor é realmente um argumento muito forte.

Sobretudo quando olhamos para tudo aquilo que oferece: motorização híbrida plug-in, níveis de equipamento muito completos e uma qualidade percebida bastante elevada. É difícil ignorar o valor que está aqui em cima da mesa.

Sobretudo quando o colocamos lado a lado com alternativas europeias, muitas vezes mais caras e, em alguns casos, menos equipadas. E isso leva-nos à conclusão inevitável.

Durante muitos anos, houve uma desconfiança natural em relação aos carros chineses. Questões de qualidade, de durabilidade, de fiabilidade. Mas a verdade é que o mercado mudou, e está a mudar muito.

Hoje, o produto está lá. Em alguns casos, como este, não só está ao nível das propostas europeias… como até consegue superá-las em vários pontos: no equipamento, na tecnologia, na qualidade percebida e, claro, no preço.

A fiabilidade continua a ser uma incógnita? Sim, é um ponto válido. Ainda vamos precisar de tempo para perceber como é que estes carros envelhecem e como se comportam a longo prazo.

Mas também é justo dizer isto: o modelo e a marca em que este Jaecoo 7 se inspira nunca foi propriamente uma referência em fiabilidade… e isso nunca impediu as suas vendas e o seu sucesso.

O Jaecoo 7 mostra–nos que já não estamos a falar de alternativas “baratas”. Estamos a falar de propostas sérias, competitivas e cada vez mais difíceis de ignorar.

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