Ao contrário do que temos visto noutros modelos da BMW, a marca da Baviera, com o novo Série 1, decidiu jogar pelo seguro e manter a fórmula, mas sobretudo o formato do seu modelo mais compacto. À primeira vista, o novo F70 pode parecer apenas uma evolução do F40, mas não se deixem enganar: estamos perante uma nova geração que traz muitas mudanças, sobretudo no sítio onde realmente faz a diferença.
Levámos para a estrada o novo BMW Série 1, na versão 120d, e mostramos porque é que, contra todas as expectativas, o diesel ainda tem muito para dar.
A Europa sempre foi o palco predileto do BMW Série 1. Desde o seu lançamento, em 2004, mais de 3 milhões de unidades saíram da fábrica de Leipzig, na Alemanha, sendo que mais de 80% ficaram no continente europeu. Não é, por isso, surpreendente que a BMW tenha decidido moldar a nova geração ainda mais ao gosto refinado e exigente dos condutores europeus.
Estética contida, mas imponente

Ao contrário da dianteira mais exuberante de modelos como o Série 4 ou o Série 7, criados com o mercado asiático em mente, o novo Série 1 mantém uma linguagem estética mais comedida, mas ainda assim agressiva. Cresceu 42 mm no comprimento (agora com 4,36 m) e ganhou 25 mm na altura (totalizando 1,46 m), oferecendo uma postura mais robusta.
A grelha assume agora proporções mais discretas, posicionada numa zona inferior, podendo ainda contar com moldura iluminada em algumas versões. Os faróis LED, de série em toda a gama, recebem uma nova assinatura luminosa, enquanto na traseira destaca-se a ausência das ponteiras de escape – reservadas apenas para a mais exclusiva versão M135.
Adeus ao “i”, olá à nova linguagem
Com esta nova geração, a BMW reformulou também a sua nomenclatura. O sufixo “i” desaparece das motorizações a gasolina, passando a ser exclusivo dos modelos 100% elétricos. Já o “d” mantém-se como indicador dos motores a gasóleo, facilitando a distinção entre versões.
Menos botões, mais ecrãs

O habitáculo sofreu uma transformação notória – e nem todos os fãs vão aprovar. Os interiores outrora celebrados pela sua ergonomia analógica, repletos de botões físicos, deram agora lugar a um ambiente minimalista e digital. A climatização e outras funções passam a ser operadas exclusivamente através do ecrã tátil de 10,7”, equipado com o novo sistema operativo OS 9.
Apesar da mudança, a BMW manteve alguns atalhos físicos na consola central, como o controlo de volume, acessível tanto ao condutor como ao passageiro. Um segundo ecrã, também digital, substitui o painel de instrumentos, com uma colocação curvada que evita ângulos mortos – uma atenção ao detalhe que reforça a componente emocional da condução.
O novo Série 1 evoluiu também na escolha de materiais. A pele natural desapareceu do catálogo e, de série, os bancos são agora revestidos em Econeer, um tecido reciclado produzido a partir de garrafas de plástico. Em alternativa, é possível optar por uma combinação de imitação de pele com Alcantara, que reforça ainda mais o conforto a bordo. Apesar dos esforços, a lotação ideal continua a ser de quatro ocupantes, mantendo a filosofia compacta do modelo.
A plataforma F40 trouxe consigo o fim da tração traseira nas versões base, mas o volumoso túnel central ainda permite a presença de versões com tração integral. A bagageira mantém os 380 litros das gerações anteriores, embora nas versões mild hybrid se perca cerca de 80 litros devido à inclusão da bateria de 48V.
Ao volante

O novo BMW Série 1 chega ao mercado com uma gama alargada de motorizações sob a chancela NEUE KLASSE, distribuídas entre gasolina e Diesel, onde se destaca a introdução da tecnologia mild-hybrid de 48V em algumas versões. Uma atualização que não só reflete a resposta às exigências ambientais, como também eleva a performance e o conforto de condução.
Independentemente da motorização escolhida, todas as versões estão agora associadas a transmissões automáticas. As versões convencionais utilizam a caixa de dupla embraiagem e sete velocidades, já conhecida dos F40, enquanto as mais potentes mantêm a prestigiada ZF de oito relações. Um adeus à caixa manual que, neste segmento premium, parece cada vez mais natural.

A entrada na gama é feita pelo BMW 116, equipado com um motor 1.5 de três cilindros e 122 cv, com tração dianteira. A versão seguinte, o 120, usa o mesmo bloco mas com o reforço elétrico do sistema mild-hybrid, oferecendo 170 cv.
Mais acima, o 123 xDrive introduz a tração integral com um motor 2.0 de quatro cilindros e 218 cv. No topo da oferta surge o M135 xDrive, com uns entusiasmantes 300 cv, que promete emoções à flor da pele.
No campo dos Diesel, encontramos o 118d com 150 cv e o 120d, agora com assistência elétrica e 163 cv. Ambas as versões recorrem a motores de quatro cilindros, uma configuração que deverá continuar a dominar no universo Diesel da BMW, graças à sua elasticidade e maior eficiência na gestão de emissões.
Durante mais de 800 km ao volante do BMW 120d, os consumos médios rondaram os 5,3 L/100 km. Com um depósito de 49 litros, é teoricamente possível ultrapassar os 1100 km de autonomia, tornando este Série 1 um aliado de peso nas longas viagens. Dados como estes tornam cada vez mais difícil justificar a eletrificação total a condutores habituados à racionalidade do Diesel.
E tudo isto sem sacrificar prestações: 0-100 km/h em 7,9 segundos, velocidade máxima acima dos 220 km/h e um binário generoso de 400 Nm que, com a ajuda do sistema mild-hybrid, melhora significativamente a resposta em baixos regimes.

Estreia ainda no Série 1 uma funcionalidade curiosa e útil: a patilha “Boost” no lado esquerdo do volante. Um simples toque prolongado e o automóvel ativa durante 10 segundos um modo de condução mais desportivo, ajustando eletrónica e caixa para respostas mais imediatas.
Mas as novidades não acabam nas motorizações. O chassis foi revisto e pode ser complementado com o pack M Sport, que inclui suspensão rebaixada em 8 mm, direção mais direta e amortecedores de frequência variável. Estes últimos adaptam-se em tempo real às condições da estrada, oferecendo conforto nos pisos mais degradados e firmeza nos momentos de condução mais intensa.
No M135, este conjunto é de série, acompanhado por um diferencial autoblocante mecânico, elevando a tração e a estabilidade em curva. A entrada em curva é precisa, rápida e segura, com melhorias claras na dinâmica face à geração anterior. A traseira responde com vivacidade sempre que se alivia o acelerador — uma característica que os puristas vão certamente apreciar.
Preços

A gama arranca nos 33.500 € para o BMW 116, seguindo-se o 120 por 39.200 €. Para tração integral e mais potência, o 123 xDrive parte dos 44.995 €, e o M135 xDrive está disponível a partir dos 59.996 €.
Nas versões Diesel, o 118d começa nos 39.895 € e o 120d nos 41.894 €. Contudo, convém lembrar que, sendo este um modelo premium, o preço final pode subir consideravelmente com pacotes como o Pack M ou o Pack Premium — como foi o caso da unidade ensaiada, que ultrapassava os 55.000 €.
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