O novo Clio não descura o seu ADN de carro utilitário, ágil, fácil de estacionar e económico. Mas acrescenta-lhe nesta geração VI uma dose generosa de tecnologia, qualidade, espaço e presença. Ficou mais maduro, mais seguro e, sobretudo, mais desejável.
Trinta e cinco anos de história é uma grande bagagem para um ícone que ensinou milhões a conduzir com estilo e vendeu qualquer coisa como 17 milhões de unidades, tornando-se o carro francês comercialmente mais bem-sucedido de todos os tempos. Mas quem olha para esta sexta geração do Clio diz que não acusa o peso da idade. Chega com uma nova identidade, mais atual que nunca, com o design de ruptura, mais tecnológico e maior.
O novo Clio cresceu em todas as direções: mais 67 mm em comprimento (agora 4,12 m), 39 mm na largura (1,77 m) e 11 mm em altura. Ganhou um porte mais atlético e uma frente que se destaca, com os novos faróis e uma assinatura luminosa em forma de "seta" ou "meio losango" (se os juntarmos, temos o losango da Renault). Todos os modelos vêm equipados com tecnologia 100% LED, inspirada diretamente no protótipo Renault Emblème de 2024 e no Rafale.
O novo desenho das óticas e a grelha com padrão de diamante demarcam-se totalmente do anterior, mas não são apenas estética. Em combinação com outras soluções – como os puxadores de portas traseiras escondidos nos pilares C, a linha de tejadilho mais baixa a terminar num spoiler – melhoram a aerodinâmica do conjunto (Cx de 0.30).
Na traseira, o fator surpresa está no formato hexagonal das óticas, que não cedem à moda da faixa de luz contínua, apresentando ainda farolins bipartidos (repartidos entre a carroçaria e o portão), num toque de estilo italiano. O Clio VI adota a filosofia ‘Modern Latin’, inspirada no Emblème. Talvez o elemento mais discutido…
Interior: salto qualitativo indiscutível
Onde não há discussão é no valente salto qualitativo. Abrir a porta é perceber que a subida de gama não é conversa de marketing. O ambiente é limpo, moderno e centrado no condutor. O duplo ecrã de 10,1 polegadas em forma de “V” domina o quadro de bordo, trazendo o sistema OpenR Link com Google integrado – um mundo de aplicações e serviços sem necessidade de smartphone. Há ainda atualizações remotas (OTA) e o assistente de voz “Hey Renault” que aprende hábitos do condutor, além da replicação sem fios de smartphones.
A qualidade dos materiais deu, sim, um salto notável. Na versão topo Esprit Alpine, o Alcantara e os acabamentos metálicos lembram-nos que estamos num hatchback com ambições desportivas. Mas a diferença está nos detalhes: a iluminação ambiente personalizável em 48 cores, o compartimento central macio que lembra a tampa de um tablet, e o espaço extra conquistado para os passageiros traseiros. A bagageira, com 391 litros, é mais acessível e prática. Tudo pensado para que a viagem, curta ou longa, seja sempre em boas condições de conforto.
Híbrido com alma e uma caixa multimodal
Ao volante da versão Esprit Alpine E-Tech full hybrid de 160 cv, o Clio revela-nos o seu carácter “maduro”. O arranque é sempre silencioso, em modo elétrico. E, nas acelerações, o conjunto híbrido – com o novo motor a gasolina 1.8, em vez do anterior mil-e-seiscentos – responde com uma fluidez e suavidade impressionantes. O coração deste sistema híbrido é o quatro cilindros atmosférico, agora acompanhado por uma bateria de 1,4 kWh — um aumento face aos 1,2 kWh da geração anterior. Somando a contribuição do motor elétrico, a potência total combinada atinge os 160 cv. O motor a gasolina entrega 172 Nm de binário, enquanto o elétrico (com 49 cv) acrescenta 205 Nm próprios.
Segundo a Renault, esta versão consegue percorrer 80% do tempo em ambiente urbano sem recorrer ao motor de combustão. Mérito também de uma caixa que além das quinze combinações de mudanças teoricamente possíveis, ganhou mais uma, otimizando ainda mais o funcionamento da transmissão.
O novo Clio E-Tech também introduz um modo de condução inédito chamado Smart, que alterna automaticamente entre os perfis Eco, Comfort e Sport com base no estilo de condução, tipo de estrada e condições de trânsito, optando pelo mapa mais económico sempre que justificado.
No modo Eco, o acelerador revela-se menos sensível, mas suficiente para o ritmo urbano, sendo a transição entre modos elétrico e gasolina tão suave que quase passa despercebida – apenas identificável pelo símbolo verde "EV" no painel.
Sempre que há carga na bateria, os arranques são feitos exclusivamente em modo elétrico, com funcionamento suave, silencioso e binário generoso em baixas rotações, aproximando-se da experiência de um veículo 100% elétrico.
A regeneração de energia também parece bastante eficaz, repondo rapidamente pelo menos metade da carga da bateria através do princípio da regeneração assistida. O pedal do travão exige um pouco mais de pressão, mas facilita o doseamento e oferece boa sensação de controlo.
Dinamicamente, mesmo com pneus 205/45 R18, a nova afinação de molas, amortecedores e casquilhos melhorou bastante o compromisso entre conforto e o controlo dinâmico.
Não é um foguete, mas o 0 a 100 km/h em 8,3 segundos mais do que satisfaz. Os consumos ficam abaixo dos 5L/100 km.
Tecnologia e ADAS reforçados
O novo Clio vem equipado com até 29 sistemas de assistência à condução (ADAS). O mais inteligente é o Active Driver Assist, que não só mantém a distância do carro da frente, como ajusta a velocidade a curvas e rotundas, lendo a estrada como um condutor experiente. E para quem não quer ser interrompido por alertas constantes, a Renault inventou o ‘My Safety Switch’: um botão físico que permite desligar alguns avisos com um simples toque. Simplicidade genial, que é também parte da fórmula do sucesso.
O dilema do crescimento e uma versão GPL a caminho
De geração em geração, o Clio foi crescendo. Foi ganhando músculo, tecnologia e sofisticação. Nesta 6ª geração, sobretudo com este conjunto E-TECH, o progresso sente-se de forma gritante na qualidade de condução e na vida a bordo. Mas esse crescimento tem um peso na fatura final. É inegável que, olhando só para o segmento B, este Clio ficou mais caro. A não ser que pensemos que, nesta sua nova vida, o Clio não veio só substituir o Clio antigo. Ele ocupa de certa forma um lugar que ficou vago: o do Mégane a combustão. Que, convenhamos, com os seus 4,35 metros, não era assim tão maior que isto.
Preços no mercado português
O preço deste Clio full hybrid E-Tech 160 cv, que está apenas disponível na versão de topo, esprit Alpine, arranca nos 28.990 €.
Para o mercado português, onde a fiscalidade castiga disparatadamente este bom híbrido francês, a grande notícia vem a caminho: no segundo semestre de 2026, chegará uma versão bifuel, a gasolina e GPL, com 120 CV e uma autonomia combinada de até 1.450 km. Uma aposta certeira num país onde o GPL representa 69% das vendas do modelo. A entrada de gama fica a cargo do económico TCe 115, um três cilindros eficiente e surpreendentemente vivo, desde 21.900 €.
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