O Renault 5 E-Tech elétrico vai receber uma atualização que mexe em vários dos pontos mais importantes para quem procura um automóvel elétrico: autonomia, eficiência, carregamento e tecnologia. A gama passa a poder alcançar até 430 km em ciclo WLTP, enquanto a futura versão de entrada Five recebe uma nova bateria LFP e carregamento rápido em corrente contínua.

As alterações foram anunciadas pela Renault a 25 de agosto de 2026 e abrangem a gama comercializada nos mercados europeus onde o modelo está disponível. Segundo o comunicado da marca, as encomendas da gama atualizada já abriram nesses mercados, embora algumas das novidades só cheguem nas próximas semanas.

Em Portugal, porém, há uma ressalva. À data da preparação deste artigo, a informação nacional disponível ainda poderá não refletir todas as novas configurações anunciadas para a Europa. A disponibilidade e os preços nacionais das novas versões deverão, por isso, ser confirmados quando a gama portuguesa for atualizada.

Renault 5 E-Tech elétrico: o que muda na autonomia?

A principal novidade do Renault 5 E-Tech elétrico está no aumento da autonomia homologada. Não resulta da instalação de baterias maiores nas versões já existentes, mas de melhorias destinadas a tornar o automóvel mais eficiente.

De acordo com a Renault, foram introduzidas alterações aerodinâmicas na parte inferior da carroçaria e nos retrovisores, acompanhadas por uma otimização da eletrónica das baterias.

Na configuração Urban Range de 40 kWh, associada ao motor de 90 kW (120 cv), a autonomia máxima passa dos anteriores 312 km para 315 km WLTP. É uma diferença pequena, de apenas três quilómetros, mas conseguida sem aumentar a capacidade nominal da bateria.

A evolução é bastante mais significativa na bateria Comfort Range de 52 kWh, combinada com o motor de 110 kW (150 cv). Neste caso, o valor anunciado sobe dos anteriores 410 para 430 km WLTP, um ganho de 20 quilómetros, ou aproximadamente 4,9%.

Na prática, estes valores WLTP devem ser interpretados como uma referência normalizada para comparar automóveis. A autonomia efetivamente conseguida em estrada varia com fatores como velocidade, temperatura exterior, utilização da climatização, relevo e estilo de condução.

Autonomias anunciadas para a gama atualizada

  • 40 kWh Urban Range, 120 cv: até 315 km WLTP;
  • 52 kWh Comfort Range, 150 cv: até 430 km WLTP;
  • 36,5 kWh LFP, 110 cv: até 305 km WLTP, na nova configuração Five.

Os números ajudam também a perceber que a atualização não se limita a aumentar a capacidade das baterias. O trabalho sobre aerodinâmica, peso e gestão energética continua a ser uma das formas utilizadas para extrair mais quilómetros da energia disponível.

Nova versão Five estreia bateria LFP

É na versão de entrada Five que o Renault 5 E-Tech elétrico recebe uma alteração técnica mais profunda.

Segundo o comunicado da marca, a configuração de 95 cv e bateria de 40 kWh deverá passar a contar, dentro de algumas semanas, com uma nova solução equipada com motor de 80 kW, equivalentes a 110 cv, e uma bateria de 36,5 kWh.

Esta bateria utiliza química LFP, sigla de lítio-ferro-fosfato, e tecnologia cell-to-pack. Segundo a Renault, esta solução foi concebida para otimizar a densidade energética tendo em conta as dimensões e o peso do conjunto.

Apesar de apresentar uma capacidade inferior aos 40 kWh da configuração de entrada anterior, a marca anuncia até 305 km de autonomia WLTP.

A Renault refere ainda uma aceleração dos 0 aos 50 km/h em 3,5 segundos. É um indicador particularmente adequado para avaliar a resposta do automóvel em contexto urbano, onde as acelerações a velocidades mais baixas têm maior relevância no quotidiano do que os tradicionais valores dos 0 aos 100 km/h.

Carregamento rápido passa a estar disponível desde a entrada da gama

Há outra mudança particularmente relevante na nova Five. O Renault 5 E-Tech elétrico de entrada passará a incluir um carregador de bordo AC de 6,6 kW e capacidade de carregamento rápido DC até 80 kW.

Isto significa que esta configuração poderá utilizar postos de carregamento rápido em corrente contínua, aumentando a sua versatilidade para deslocações que ultrapassem a utilização predominantemente urbana.

É uma alteração com impacto prático. Uma autonomia homologada próxima dos 300 km pode responder às necessidades de muitas utilizações quotidianas, mas a possibilidade de recorrer a carregamento DC facilita viagens mais longas e reduz a dependência de carregamentos mais demorados durante o percurso.

A Renault não indica no comunicado um tempo de carregamento de 10% a 80%, ou equivalente, para a nova bateria LFP de 36,5 kWh. Assim, não é possível antecipar com rigor quanto tempo demorará uma paragem num posto rápido apenas a partir da potência máxima de 80 kW.

Versões de 40 e 52 kWh mantêm propostas distintas

Com a atualização, o Renault 5 E-Tech elétrico mantém diferentes soluções de bateria e potência destinadas a perfis de utilização também distintos.

A bateria Urban Range de 40 kWh continua associada ao motor de 120 cv e passa a oferecer até 315 km WLTP. Já a Comfort Range de 52 kWh e 150 cv chega aos 430 km.

A diferença de 115 km entre estes dois valores máximos torna a bateria maior mais adequada, em teoria, a quem realiza frequentemente trajetos interurbanos ou viagens longas. Para uma utilização essencialmente citadina e suburbana, as configurações de menor capacidade podem ser suficientes, dependendo naturalmente da quilometragem diária e das possibilidades de carregamento.

No caso da versão Five, a introdução da bateria LFP acrescenta uma terceira combinação à oferta anunciada, com 36,5 kWh e até 305 km WLTP.

Novas cores e mais possibilidades de personalização

As alterações do Renault 5 E-Tech elétrico não ficam pela mecânica. A gama vai receber também novas combinações exteriores e interiores.

Entre as novidades está a cor Flame Red, cuja introdução está prevista para as semanas seguintes ao anúncio em vários níveis de equipamento. A marca anunciou ainda o Metallic Schist Grey para outras versões da gama.

As opções de personalização passam igualmente por um tejadilho Starry Black, acabamentos Red ou Warm Titanium para a linha do tejadilho, jantes Techno com acabamento dourado opcional em determinadas versões e novas decorações Vibrant5 e Hyper5 para o tejadilho e guarda-lamas.

No habitáculo, o revestimento da versão Iconic passa de uma tonalidade amarela mesclada para azul mesclado.

Mais tecnologia a bordo

A atualização tecnológica é outro dos pilares desta revisão do Renault 5 E-Tech elétrico. O sistema eCall passa a ser compatível com redes móveis 4G e surge um novo carregador sem fios magnético e refrigerado para smartphones, baseado na norma Qi2.

Segundo a Renault, este sistema consegue recuperar até 50% da bateria de um smartphone numa hora, procurando simultaneamente evitar o sobreaquecimento durante o carregamento.

Outra novidade é o Smart driving mode, que substitui o MySense. Em vez de exigir sempre uma seleção manual, o sistema pode alternar automaticamente entre os modos Eco, Comfort e Sport em função da condução.

Por exemplo, pode privilegiar a resposta do modo Sport quando é necessária maior aceleração e mudar para Eco em situações nas quais existe margem para reduzir o consumo. A seleção manual continua disponível através do sistema OpenR Link e por comando de voz.

Com esta mudança, o botão Multi-Sense deixa também de estar presente no volante, uma vez que a Renault considera que será utilizado com menor frequência.

Gemini chega ao sistema multimédia

O Renault 5 E-Tech elétrico prepara-se também para receber o Gemini, o assistente de inteligência artificial da Google, através de uma atualização remota do Google Assistant.

De acordo com a Renault, o objetivo é permitir interações por voz mais naturais do que as proporcionadas por comandos predefinidos. O utilizador poderá formular pedidos em linguagem corrente, manter uma conversa mais fluida, interromper uma resposta e até mudar de idioma durante a interação.

A marca anunciou igualmente uma oferta de conectividade de 2 GB de dados por mês durante três anos, ou durante determinados contratos de leasing da Mobilize Financial Services. Segundo o comunicado, esta quantidade poderá corresponder, a título de exemplo, a até 40 horas de streaming de música com qualidade standard ou três horas de vídeo.

O documento europeu não esclarece, contudo, as condições específicas desta oferta para Portugal. A sua aplicação ao mercado nacional necessita, por isso, de confirmação.

O que significam estas alterações para quem procura um elétrico?

Mais do que uma transformação completa, esta atualização procura melhorar vários aspetos concretos do Renault 5 E-Tech elétrico.

Na bateria de 52 kWh, os 20 km adicionais de autonomia WLTP são a evolução mais visível. Já na entrada da gama, a combinação de bateria LFP, motor de 110 cv e carregamento rápido DC de 80 kW poderá ter maior impacto na utilização diária do que uma simples subida da autonomia.

Há ainda um detalhe relevante: a melhoria das versões de 40 e 52 kWh foi conseguida sem aumentar a capacidade nominal das respetivas baterias. As alterações anunciadas mostram como a aerodinâmica e a gestão eletrónica podem contribuir para aumentar a distância homologada sem recorrer necessariamente a baterias de maior capacidade.

Para quem estiver a considerar um Renault 5 E-Tech elétrico em Portugal, será importante confirmar quais destas especificações estão efetivamente disponíveis no mercado nacional no momento da compra, bem como os respetivos preços e níveis de equipamento.

Quando chega a nova gama?

A Renault afirma que as encomendas da gama atualizada estão abertas nos países europeus onde o Renault 5 E-Tech elétrico é comercializado, embora algumas novidades sejam introduzidas apenas nas semanas seguintes ao anúncio.

A gama atualizada estará também presente no Salão Automóvel de Paris de 2026, que decorre de 12 a 18 de outubro.

Quanto ao mercado português, o comunicado europeu não fornece informação suficiente para confirmar a data exata de chegada da nova Five de 110 cv e bateria LFP, o respetivo preço ou a calendarização de todas as restantes novidades em Portugal. Até existir informação específica para o mercado nacional, estes dados devem permanecer em aberto.

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