Comprar um carro elétrico novo já não implica necessariamente ultrapassar a barreira dos 30 mil euros. A oferta aumentou, chegaram novos modelos ao mercado português e há propostas que começam abaixo dos 20 mil euros.

Mas olhar apenas para o preço pode ser enganador. Entre os carros elétricos mais baratos em Portugal encontramos desde pequenos citadinos pensados essencialmente para percursos urbanos até modelos com mais espaço, autonomia superior a 300 km e características que permitem encarar viagens mais longas com maior facilidade.

Há ainda outro detalhe importante: campanhas. O preço anunciado por algumas marcas pode variar substancialmente consoante seja destinado a particulares ou empresas, exija financiamento ou retoma, ou corresponda apenas a unidades em stock.

Por isso, para esta lista considerámos automóveis 100% elétricos novos comercializados em Portugal, com preços disponíveis para clientes particulares e IVA incluído. Não descontámos incentivos públicos à compra nem utilizámos campanhas exclusivas para empresas ou empresários em nome individual.

Então, afinal, quanto é preciso gastar para comprar um elétrico novo em Portugal?

Carros elétricos mais baratos em Portugal: estes são os 10 a considerar

O mercado está a mudar rapidamente e os preços apresentados correspondem aos valores disponíveis à data da consulta. Algumas propostas beneficiam de campanhas comerciais e os preços podem não incluir despesas de legalização, transporte, pintura ou outros custos.

A lista está ordenada do preço de entrada mais elevado para o mais baixo, deixando para o final o automóvel que atualmente permite entrar na mobilidade elétrica gastando menos.

10. Kia EV2: desde 27.750€

Kia EV2 Lateral

O Kia EV2 é uma das novidades mais recentes entre os elétricos acessíveis e entra diretamente na zona inferior dos 30 mil euros.

No configurador português, a versão Urban com bateria de 42,2 kWh surge desde 27.750 euros. Trata-se já de um modelo de uma geração mais recente de elétricos e que procura oferecer uma utilização mais abrangente do que os pequenos citadinos que ocupam os primeiros lugares desta lista.

É também um exemplo de como a fasquia dos 30 mil euros está a tornar-se particularmente concorrida. Há cada vez mais modelos a aproximarem-se deste valor, o que significa que pequenas alterações de preço ou novas campanhas podem mudar rapidamente as últimas posições deste ranking.

9. Opel Frontera Electric: desde 27.490€

Se a prioridade for espaço, o Opel Frontera Electric apresenta uma proposta bastante diferente dos citadinos que dominam os lugares cimeiros.

A Opel anuncia atualmente o Frontera 100% elétrico desde 27.490 euros. A gama dispõe de versões capazes de chegar aos 409 km de autonomia WLTP, embora a autonomia dependa da bateria e configuração escolhidas.

É importante não confundir este preço de entrada com determinadas campanhas de financiamento. A marca tem apresentado condições mais baixas associadas a retoma e financiamento, mas essas ofertas não foram utilizadas para ordenar esta lista.

O Frontera mostra também como os elétricos mais acessíveis já não estão limitados a pequenos automóveis urbanos: por menos de 30 mil euros começa a ser possível encontrar propostas com dimensões e espaço de utilização familiar.

8. Peugeot E-208: desde 27.035€

Peugeot-e-208

O Peugeot E-208 consegue entrar neste Top 10 graças ao preço promocional disponível para clientes particulares à data da consulta.

A marca anuncia o citadino 100% elétrico desde 27.035 euros, com IVA incluído, embora acresçam despesas de legalização e transporte. Dependendo da versão, a autonomia pode chegar aos 433 km WLTP e a potência aos 156 cv.

Há, contudo, um detalhe essencial: o valor considerado corresponde a uma promoção com prazo definido. Isso significa que a posição do E-208 nesta lista poderá mudar assim que a campanha terminar.

É precisamente por este motivo que, ao comparar elétricos pelo preço, convém verificar sempre não apenas o número destacado pela marca, mas também as condições associadas.

7. Citroën ë-C3 Aircross: a partir de cerca de 26.500€

Novo Citroen e-C3 Aircross Standvirtual verde

O ë-C3 Aircross é outra proposta que leva a eletrificação para um formato mais familiar.

Na versão elétrica de entrada com bateria de 44 kWh, a Citroën apresenta uma autonomia combinada WLTP até 302 km, 113 cv de potência e carregamento rápido até 100 kW.

O modelo destaca-se sobretudo pelo espaço face ao ë-C3 convencional. Com 4,39 metros de comprimento e uma bagageira anunciada de 460 litros, dirige-se a quem precisa de maior versatilidade sem necessariamente passar para a faixa dos elétricos de preço mais elevado.

Tal como acontece com outros modelos deste ranking, os preços e campanhas da Citroën têm sofrido alterações, pelo que o valor disponível no momento da compra deve ser confirmado junto da marca.

6. Renault 5 E-Tech elétrico: desde 24.900€

Renault 5 E-Tech

Um dos elétricos mais reconhecíveis desta lista também consegue ficar abaixo dos 25 mil euros.

O Renault 5 E-Tech elétrico começa atualmente nos 24.900 euros na versão Five de 95 cv.

Esta variante utiliza uma bateria de 40 kWh e anuncia 310 km de autonomia combinada WLTP. Em utilização exclusivamente urbana, a Renault indica um valor que pode chegar aos 428 km segundo o mesmo protocolo de homologação.

É uma proposta particularmente interessante porque já não estamos perante um elétrico pensado exclusivamente para deslocações muito curtas. Os 310 km homologados colocam o Renault 5 num patamar de utilização diferente dos modelos mais baratos da lista.

A bateria tem ainda uma garantia de oito anos ou 160 mil quilómetros.

5. Hyundai Inster: um dos candidatos abaixo dos 25 mil euros

Hyundai Inster combina versatilidade urbana com autonomia até 360 km

O Hyundai Inster é um dos modelos que mais veio agitar o segmento dos pequenos elétricos.

Está disponível com baterias de 42 kWh e 49 kWh, sendo que a Hyundai anuncia até 327 km de autonomia para a primeira e até 360 km para a bateria de maior capacidade.

Há, porém, um cuidado importante quando se compara o preço deste modelo.

A Hyundai Portugal anuncia atualmente o Inster desde 18.800 euros mais IVA numa campanha destinada a empresas e empresários em nome individual. Esse valor não deve ser interpretado como preço para um comprador particular e, por essa razão, não o utilizámos para colocar artificialmente o Inster entre os elétricos abaixo dos 20 mil euros.

Para particulares, é essencial confirmar o PVP e a campanha em vigor no momento da compra.

Ainda assim, pelas suas dimensões compactas e autonomia disponível, continua a ser um dos modelos que merece comparação para quem procura um elétrico relativamente acessível.

4. BYD Dolphin Surf: cerca de 24.600€ com IVA

Outro preço que exige atenção é o do BYD Dolphin Surf.

A BYD anuncia atualmente o modelo por 19.990 euros mais IVA. Aplicando a taxa normal de IVA de 23%, esse valor corresponde a aproximadamente 24.588 euros.

O Dolphin Surf pode oferecer até 322 km de autonomia combinada WLTP, enquanto a autonomia em utilização urbana pode ultrapassar os 500 km, dependendo da versão.

A gama chega ainda aos 115 kW, equivalentes a 156 cv, na versão Comfort.

É, portanto, uma proposta bastante diferente do elétrico mais barato desta lista: custa mais, mas também disponibiliza versões com autonomia, potência e equipamento superiores.

Antes da compra, importa confirmar as condições comerciais aplicáveis a clientes particulares, uma vez que a comunicação de preço da marca é apresentada sem IVA.

3. Dongfeng Box: 23.500€ em campanha

O Dongfeng Box é um dos exemplos da crescente presença de fabricantes chineses no segmento dos elétricos acessíveis em Portugal.

A campanha para particulares consultada coloca o Box Plus com bateria de 42 kWh nos 23 500 euros, já com IVA.

Esta versão anuncia 310 km de autonomia combinada WLTP e um consumo homologado de 15,6 kWh/100 km.

Existe, contudo, um custo adicional relevante: a campanha não inclui despesas de legalização e transporte, que ascendem a 1 045,50 euros para Portugal Continental. A pintura metalizada também pode acrescentar 450 euros.

Além disso, o preço promocional está limitado a unidades em stock e tem uma data de validade definida.

É um bom exemplo de por que razão dois automóveis com preços anunciados semelhantes podem acabar por apresentar valores “chave na mão” diferentes.

2. Citroën ë-C3: abaixo dos 20 mil euros em campanha

Novo Citroen e C3 Standvirtual

O Citroën ë-C3 é um dos poucos automóveis elétricos novos que consegue atualmente entrar na zona abaixo dos 20 mil euros através das condições promocionais disponibilizadas pela marca.

E isso é particularmente relevante porque já oferece uma abordagem mais próxima de um automóvel convencional do segmento B do que alguns dos pequenos citadinos elétricos de entrada.

Dependendo da versão escolhida, preço, bateria e autonomia variam, pelo que é importante comparar a configuração incluída na campanha com as restantes opções da gama.

Ainda assim, a presença do ë-C3 nesta faixa de preço mostra a velocidade com que o mercado está a evoluir. Há poucos anos, encontrar um elétrico novo abaixo dos 20 mil euros era excecional. Hoje já existe concorrência neste patamar.

1. Dacia Spring: desde 16.900€

Novo Dacia Spring carro elétrico Standvirtual

E chegamos ao mais barato.

O Dacia Spring continua a assumir-se como a porta de entrada para quem procura um carro 100% elétrico novo gastando o mínimo possível.

O configurador português apresenta atualmente o Spring Essential Electric 70 desde 16 900 euros, com IVA incluído.

A versão de entrada tem 70 cv, bateria de 24,3 kWh e uma autonomia combinada WLTP na ordem dos 220 km.

Os números deixam imediatamente claro o posicionamento do Spring. Não pretende competir com elétricos de maior autonomia ou concebidos para percorrer regularmente centenas de quilómetros em autoestrada. É sobretudo um automóvel compacto e simples, orientado para cidade e deslocações quotidianas.

E é precisamente essa simplicidade que permite manter o preço tão baixo.

A diferença para alguns modelos seguintes da lista já permite perceber a escolha que um comprador terá de fazer: gastar o mínimo possível e aceitar menor autonomia, ou aumentar o orçamento para ter uma bateria maior e maior versatilidade.

O elétrico mais barato é necessariamente a melhor compra?

Não. O preço de aquisição é importante, mas deve ser apenas um dos fatores considerados na escolha de um automóvel elétrico.

Um condutor que percorra 30 ou 40 quilómetros por dia e possa carregar em casa terá necessidades completamente diferentes de alguém que faça regularmente Lisboa-Porto ou percorra muitos quilómetros em autoestrada.

A autonomia WLTP é um ponto de partida, mas também vale a pena comparar a capacidade da bateria, consumo, potência máxima de carregamento, espaço interior, bagageira, equipamento e garantia.

Há ainda que pensar no local de carregamento. Ter possibilidade de carregar em casa ou no trabalho pode alterar substancialmente a experiência e o custo de utilização de um elétrico.

E quanto maior for a dependência da rede pública, mais importante se torna perceber a velocidade máxima de carregamento do automóvel.

Cuidado com os preços anunciados

Este ranking revela outra realidade do mercado português: comparar preços de automóveis novos nem sempre é tão simples como parece.

Há marcas que apresentam preços com IVA e outras que destacam campanhas sem IVA. Algumas ofertas destinam-se exclusivamente a empresas ou empresários em nome individual. Outras exigem financiamento, retoma ou estão limitadas a determinadas unidades em stock.

Há ainda despesas de transporte, legalização e pintura que podem não estar incluídas.

Por isso, antes de comparar dois modelos apenas pelo preço anunciado, convém perceber quanto será efetivamente necessário pagar para colocar cada automóvel na estrada nas mesmas condições.

Neste artigo não descontámos qualquer incentivo público à aquisição de veículos elétricos, precisamente porque a elegibilidade e disponibilidade desses apoios não são iguais para todos os compradores.

Quanto é preciso gastar num carro elétrico novo em Portugal?

A resposta curta é que já é possível começar abaixo dos 20 mil euros.

O Dacia Spring estabelece atualmente a referência mais baixa entre as propostas analisadas, enquanto o ë-C3 consegue também aproximar-se desta fasquia através de campanhas.

Mas talvez o dado mais interessante esteja um pouco acima.

Entre aproximadamente 23 mil e 28 mil euros já começa a existir uma variedade considerável: pequenos citadinos, modelos com mais de 300 km de autonomia homologada e até propostas com dimensões mais familiares.

Isso torna a escolha menos óbvia (e provavelmente mais interessante).

Quem procura apenas o preço mínimo encontra uma resposta clara. Quem puder aumentar o orçamento em alguns milhares de euros passa a ter de decidir quanto valoriza autonomia, espaço, carregamento e equipamento.

E é aí que “o elétrico mais barato” deixa de ser necessariamente sinónimo de “o elétrico que faz mais sentido comprar”.

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