A eletrificação avança, mas isso não significa que todos os motores de combustão estejam prestes a desaparecer. A Mercedes-Benz acaba de apresentar o novo Mercedes-Benz Classe C Limousine e Station, naquela que a própria marca descreve como a atualização técnica mais abrangente da história do modelo.

A novidade surge em paralelo com a chegada do Classe C elétrico ao mercado europeu. Em vez de substituir imediatamente gasolina e Diesel, a Mercedes-Benz optou por manter diferentes soluções lado a lado. O Classe C renovado continua, por isso, disponível com motores de combustão eletrificados e versões híbridas plug-in, ao mesmo tempo que recebe alterações no design, no sistema operativo, nos assistentes de condução e no chassis.

Novo Mercedes-Benz Classe C mantém gasolina e Diesel

Vista frontal do novo Mercedes-Benz Classe C renovado em estrada, destacando os novos faróis LED

A principal conclusão desta atualização está debaixo do capô. A Mercedes-Benz continua a oferecer motores de quatro cilindros a gasolina e Diesel, todos associados a tecnologia mild hybrid de 48 volts.

Segundo a documentação oficial da marca, todas estas motorizações recorrem agora à segunda geração do motor-gerador de arranque integrado, denominado ISG 2.0. O sistema elétrico consegue fornecer temporariamente até 17 kW, equivalentes a cerca de 23 cv, e 205 Nm adicionais, apoiando o motor de combustão sobretudo a baixos regimes. Permite também funções como recuperação de energia e circulação por inércia com o motor térmico desligado.

Na prática, um mild hybrid não transforma o Classe C num automóvel elétrico nem num híbrido plug-in. A pequena componente elétrica serve essencialmente para apoiar o motor de combustão e recuperar energia. Não existe uma bateria de tração concebida para percorrer dezenas de quilómetros exclusivamente em modo elétrico.

A gama a gasolina anunciada internacionalmente inclui os C 200, C 250 e C 300. O primeiro desenvolve 177 cv, o segundo 218 cv e o C 300 chega aos 258 cv, antes de contabilizado o apoio temporário do sistema mild hybrid.

Para quem continua a preferir Diesel, a Mercedes-Benz mantém o quatro cilindros OM 654 EVO, disponibilizado em versões de 163 e 200 cv. A marca indica ainda compatibilidade com combustíveis HVO100, B10 e B20.

Há, contudo, um detalhe importante quando se olha para Portugal: esta é a gama internacional apresentada pela Mercedes-Benz. A composição exata das motorizações disponíveis no mercado português poderá ser diferente.

Motores preparados para as novas regras Euro 7

Mercedes-Benz Classe C renovado em ambiente urbano, de perfil, evidenciando a silhueta berlina actualizada

Manter motores a gasolina e Diesel em 2026 não significa simplesmente prolongar as mecânicas anteriores sem alterações.

A Mercedes-Benz afirma ter desenvolvido toda a gama de motores tendo em conta os futuros requisitos Euro 7, além de procurar melhorar eficiência, resposta e suavidade de funcionamento.

No caso das versões a gasolina, o motor M 254 EVO de dois litros recebe, entre outras alterações, um novo compressor auxiliar elétrico. A função é ajudar a reduzir o atraso de resposta do turbocompressor, sobretudo em situações como arranques e recuperações.

No Diesel, o OM 654 EVO utiliza turbocompressor de geometria variável e injeção common rail a 2200 bar. A estratégia mostra que, pelo menos nesta fase da vida do Classe C, a Mercedes-Benz continua a considerar os motores térmicos eletrificados parte da resposta para diferentes perfis de utilização.

Isto acontece num momento particularmente interessante: o Classe C elétrico já é uma realidade. Em Portugal, o Classe C 400 4MATIC elétrico está disponível para encomenda desde 70.600 euros, com 489 cv e até 743 km de autonomia homologada WLTP.

Ou seja, não estamos perante a escolha entre um Classe C elétrico ou um Classe C com motor de combustão. Pelo menos por agora, as duas abordagens coexistem.

Os híbridos plug-in chegam aos 100 km de autonomia elétrica

Entre um mild hybrid a gasolina ou Diesel e o Classe C totalmente elétrico existe ainda uma terceira possibilidade: o híbrido plug-in.

Nas versões C 400 e 4MATIC apresentadas pela Mercedes-Benz, um motor a gasolina de quatro cilindros trabalha em conjunto com um motor elétrico, para uma potência combinada de até 395 cv e 650 Nm de binário.

A bateria tem 19,53 kWh de capacidade útil e permite percorrer até 100 km em modo elétrico segundo o ciclo WLTP. Pode ser carregada até 11 kW em corrente alternada (AC) e, algo menos habitual num PHEV, admite carregamento rápido DC até 55 kW.

Os 100 km devem, contudo, ser interpretados como aquilo que são: um valor de homologação. A própria Mercedes-Benz salienta que a autonomia real pode variar com fatores como estilo de condução, temperatura, climatização, equipamento, carga e tipo de percurso.

Num híbrido plug-in, a forma como o automóvel é utilizado também faz uma diferença particularmente grande. Quem carregar regularmente pode fazer muitos percursos quotidianos recorrendo sobretudo à energia da bateria. Com a bateria descarregada, o motor de combustão assume uma parcela muito maior do trabalho e o consumo de combustível aumenta.

As diferenças exteriores são fáceis de encontrar

A renovação não ficou escondida debaixo da carroçaria. O novo Mercedes-Benz Classe C recebe uma frente revista, com uma grelha de maior presença vertical, para-choques redesenhados e uma nova assinatura luminosa.

A grelha pode ter iluminação de contorno e os novos faróis adotam a estrela da Mercedes-Benz como elemento gráfico das luzes diurnas. Na Limousine, o mesmo motivo chega também aos farolins traseiros. A iluminação da estrela central da grelha depende do mercado e da configuração, pelo que não deve ser assumida como equipamento de todas as versões.

Há ainda novas opções de jantes entre 17 e 19 polegadas e duas novas cores exteriores. Pela primeira vez, o Classe C passa também a contar com uma versão AMG Line Plus, que acrescenta elementos de aparência mais desportiva.

Não é, portanto, uma revolução visual. Continua imediatamente reconhecível como um Classe C, mas há diferenças suficientes para distinguir a atualização, sobretudo através da frente e da iluminação.

Mais inteligência artificial dentro do Classe C

É no interior que algumas das mudanças tecnológicas ganham maior expressão.

O painel de instrumentos digital tem 12,3 polegadas e o ecrã central vertical mede 11,9 polegadas. O volante multifunções foi revisto e recupera comandos físicos particularmente familiares, incluindo um rolo para regular o volume.

Mais importante é aquilo que acontece por detrás dos ecrãs. O novo Classe C passa a utilizar o sistema operativo MB.OS e a quarta geração do MBUX.

O assistente virtual integra inteligência artificial proveniente de diferentes serviços, incluindo ChatGPT, Microsoft Bing e Google Gemini, podendo manter conversas com várias perguntas relacionadas e conservar temporariamente o contexto. A navegação, por sua vez, passa a ter como base o Google Maps e integra tecnologia de inteligência artificial da Google Cloud para fornecer informação relacionada com destinos e pontos de interesse.

O MB.OS permite também atualizações de software remotas e a ativação posterior de determinados extras digitais, embora algumas funcionalidades possam depender do mercado, configuração, subscrições ou serviços adicionais.

Também há novidades quando chega a hora de estacionar

A tecnologia não se limita ao entretenimento. Dependendo do equipamento escolhido, o novo Classe C pode reunir até 10 câmaras, cinco radares e 12 sensores ultrassónicos para alimentar os diferentes sistemas de assistência.

Entre as funcionalidades anunciadas estão assistência à mudança de faixa e sistemas de apoio ao estacionamento. A Mercedes-Benz continua também a disponibilizar direção no eixo traseiro.

Neste caso, as rodas traseiras podem virar até 2,5 graus, permitindo reduzir o diâmetro de viragem em 43 centímetros, para 10,64 metros. A baixas velocidades, viram no sentido oposto às dianteiras para facilitar as manobras; acima dos 100 km/h, passam a acompanhar o sentido das rodas da frente, contribuindo para a estabilidade.

São números que têm uma consequência prática fácil de perceber: um automóvel relativamente comprido precisa de menos espaço para dar a volta e torna-se mais fácil de manobrar em parques e ruas apertadas.

Limousine ou Station continua a ser uma escolha

A atualização abrange tanto o Classe C Limousine como o Classe C Station, mantendo a opção de carroçaria familiar numa altura em que grande parte do mercado se concentra nos SUV.

Na Station, a bagageira oferece 490 litros com os bancos em utilização e pode chegar aos 1510 litros quando os encostos traseiros são rebatidos. Estes dividem-se numa proporção 40:20:40, permitindo ajustar o espaço de carga às necessidades de cada viagem.

A Mercedes-Benz afirma também ter revisto a suspensão para melhorar a agilidade sem comprometer o conforto em viagens longas. Entre as alterações estão novas afinações de amortecimento e uma ligação mais rígida de alguns componentes do chassis.

E quanto vai custar o novo Classe C em Portugal?

É aqui que importa separar aquilo que já está confirmado daquilo que ainda não está.

A Mercedes-Benz abriu as encomendas da gama renovada em 18 de agosto de 2026 e anunciou, para a Alemanha, um preço inicial de 48.844 euros com IVA para o C 200 Limousine. Esse valor é específico do mercado alemão e não deve ser convertido ou utilizado como preço para Portugal.

No site português da Mercedes-Benz, a nova geração atualizada a gasolina, Diesel e híbrida plug-in já aparece identificada como “disponível em breve”, tanto na carroçaria Limousine como Station. À data desta verificação, porém, ainda não surge ali um preço português específico para estas novas versões.

Os valores atualmente apresentados no configurador português para os Classe C de combustão já comercializados começam nos 54.850 euros para a Limousine e nos 56.600 euros para a Station, mas correspondem à oferta disponível antes desta nova atualização e, por isso, não devem ser confundidos com preços do modelo agora apresentado.

Teremos, portanto, de esperar pela confirmação da Mercedes-Benz Portugal para saber quanto custará efetivamente o novo Mercedes-Benz Classe C com estas motorizações no mercado nacional.

O que já sabemos é que o Classe C entra numa fase pouco habitual da sua história. A família passa a ter uma alternativa totalmente elétrica, mas a Mercedes-Benz não encerrou o capítulo da combustão. Gasolina, Diesel, mild hybrid e híbrido plug-in continuam presentes, agora acompanhados por uma das maiores atualizações tecnológicas alguma vez feitas ao modelo.

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