Uma das críticas mais frequentes aos automóveis elétricos está no tempo necessário para carregar. Mesmo nos postos rápidos, uma paragem continua geralmente a demorar mais do que abastecer um automóvel a gasolina ou gasóleo.

Mas essa diferença está a diminuir rapidamente.

O XPENG G9 acaba de completar um carregamento dos 10% aos 80% em apenas 11 minutos num teste independente realizado nos Países Baixos. Durante o processo, o SUV elétrico atingiu 452 kW de potência máxima e, mais importante, conseguiu uma impressionante potência média de 381 kW.

O resultado deu ao G9 o primeiro lugar no WK Snelladen 2026, um teste dedicado a descobrir quais os automóveis elétricos que carregam mais depressa em condições reais.

Onze minutos ainda não permitem afirmar que carregar um elétrico é sempre mais rápido do que abastecer e pagar. Mas mostram que, com o automóvel e o carregador certos, uma paragem para recuperar grande parte da bateria começa a aproximar-se do tempo de uma pausa convencional numa viagem.

Dos 10% aos 80% em apenas 11 minutos

O teste foi realizado pela publicação neerlandesa Autoblog, em colaboração com a Fastned, utilizando um carregador capaz de fornecer até 600 kW.

O objetivo não era simplesmente descobrir qual dos automóveis conseguia apresentar o maior número no pico de carregamento. Os participantes foram avaliados pela rapidez com que conseguiam passar dos 10% aos 80% da bateria.

E foi aqui que o XPENG G9 se destacou.

  • O SUV elétrico registou:
  • 452 kW de potência máxima
  • 381 kW de potência média entre 10% e 80%
  • 11 minutos para passar dos 10% aos 80%

O resultado é particularmente interessante porque a XPENG anuncia oficialmente 12 minutos para realizar o mesmo carregamento no G9 europeu. No teste independente, o automóvel conseguiu fazê-lo um minuto mais depressa.

Não são os 452 kW que mais impressionam

XPENG G9 elétrico, capaz de carregar dos 10% aos 80% em apenas 11 minutos

Quando se fala em carregamento rápido, é habitual olhar primeiro para a potência máxima.

Mas atingir um pico elevado durante alguns segundos não significa necessariamente que um automóvel carregue rapidamente.

O que realmente determina o tempo passado no posto é a capacidade de manter potências elevadas durante uma parte significativa do carregamento.

E é precisamente aí que o G9 conseguiu destacar-se.

Apesar de ter atingido um máximo de 452 kW, abaixo dos 525 kW que pode aceitar segundo a ficha técnica, conseguiu manter uma média de 381 kW durante o carregamento entre 10% e 80%.

A curva de carregamento é, por isso, tão ou mais importante do que o valor máximo anunciado pelo fabricante.

É essa capacidade de receber muita energia durante vários minutos consecutivos que permitiu reduzir a paragem para apenas 11 minutos.

A XPENG anuncia até 525 kW

A versão atual do G9 comercializada na Europa utiliza uma arquitetura elétrica de 800 volts e uma bateria com capacidade de carregamento 5C.

Nas versões Long Range e Performance, a XPENG anuncia uma potência máxima de carregamento em corrente contínua de 525 kW.

A versão Standard Range fica pelos 445 kW.

Segundo os dados oficiais da marca, todas conseguem realizar o carregamento dos 10% aos 80% em aproximadamente 12 minutos quando estão reunidas as condições necessárias.

No teste realizado nos Países Baixos, o G9 conseguiu melhorar ligeiramente essa referência.

Afinal, o que significa uma bateria 5C?

A designação 5C ajuda a perceber como são possíveis potências de carregamento tão elevadas.

De forma simplificada, o valor C relaciona a potência de carga ou descarga com a capacidade da bateria. Uma taxa de carregamento mais elevada significa que a bateria foi concebida para aceitar grandes quantidades de energia num período reduzido.

Mas aumentar simplesmente a potência não chega.

É necessário controlar a temperatura das células, gerir a corrente recebida e garantir que a bateria permanece dentro dos limites definidos pelo fabricante.

É aqui que entram a arquitetura de 800 volts, a eletrónica de potência, o sistema de gestão da bateria e a gestão térmica.

O resultado é um automóvel capaz de receber potências que há poucos anos seriam difíceis de imaginar num modelo de produção em série.

Em dois anos, o tempo de carregamento caiu drasticamente

Xpeng G9 elétrico

Há outro dado que ajuda a perceber a velocidade a que esta tecnologia está a evoluir.

A mesma publicação neerlandesa já tinha testado o XPENG G9 em 2024.

Nessa altura, o modelo então disponível precisou de aproximadamente 19,5 minutos para passar dos 10% aos 80%, apresentando uma potência média de cerca de 231 kW.

Agora foram necessários apenas 11 minutos, com uma média de 381 kW.

Naturalmente, não estamos perante exatamente a mesma configuração tecnológica. A atual geração do G9 recebeu uma bateria 5C e uma evolução da plataforma de alta tensão.

Ainda assim, a comparação mostra quanto evoluiu o carregamento rápido num espaço de tempo relativamente curto.

Mas há uma condição importante: o carregador

É aqui que convém colocar os 11 minutos em perspetiva.

O XPENG G9 pode estar preparado para receber potências extremamente elevadas, mas precisa de encontrar um carregador capaz de as fornecer.

O teste foi realizado num equipamento Fastned com uma potência máxima de 600 kW.

Num carregador de 50, 100 ou 150 kW, o G9 continuará naturalmente limitado à potência que a infraestrutura conseguir disponibilizar.

Mesmo num posto anunciado com uma potência elevada, o valor efetivamente recebido pelo automóvel pode depender de vários fatores, incluindo a temperatura da bateria, o estado de carga, as condições ambientais e a eventual partilha de potência entre diferentes pontos.

Por isso, os 11 minutos não devem ser interpretados como o tempo garantido em qualquer carregamento.

São uma demonstração daquilo que o automóvel consegue fazer quando encontra infraestrutura capaz de acompanhar a sua tecnologia.

E conseguimos carregar assim em Portugal?

Portugal já dispõe de pontos de carregamento classificados oficialmente como ultrarrápidos, mas nem todos conseguem fornecer as potências necessárias para explorar o máximo que o G9 pode receber.

Segundo a classificação utilizada pela Direção-Geral de Energia e Geologia, um ponto de carregamento em corrente contínua entre 150 e 350 kW é considerado ultrarrápido de nível 1. A partir dos 350 kW passa a ser classificado como ultrarrápido de nível 2.

Isto significa que a infraestrutura necessária para carregamentos a potências muito elevadas já faz parte do enquadramento da rede portuguesa.

Mas há uma diferença entre encontrar um carregador acima dos 350 kW e encontrar um capaz de fornecer os mais de 450 kW observados neste teste ou aproximar-se dos 525 kW que o G9 pode aceitar.

Para tirar o máximo partido da tecnologia do automóvel, veículo e carregador têm de estar à altura um do outro.

Carregar 70% da bateria não significa recuperar 70% da autonomia

Também é importante distinguir bateria de autonomia.

Dizer que o G9 passou dos 10% aos 80% em 11 minutos significa que recuperou 70 pontos percentuais do estado de carga da bateria.

Não significa necessariamente que recuperou 70% da autonomia máxima homologada.

A autonomia disponível depois do carregamento depende do consumo, velocidade, temperatura, percurso e vários outros fatores.

A versão Long Range do atual XPENG G9 anuncia até 585 km de autonomia WLTP, enquanto a Performance anuncia até 540 km e a Standard Range até 502 km.

Na utilização real, esses valores podem variar.

Estamos perto de carregar durante uma simples pausa?

É provavelmente esta a consequência mais interessante do resultado.

Durante anos, uma das diferenças mais evidentes entre um automóvel elétrico e um automóvel de combustão foi o tempo necessário para recuperar autonomia numa viagem.

Com 30 ou 40 minutos de carregamento, era necessário planear uma paragem.

Com 11 minutos, a situação começa a mudar.

Ir à casa de banho, comprar um café ou comer qualquer coisa pode ocupar uma parte significativa do tempo necessário para levar a bateria dos 10% aos 80%.

Isto não significa que carregar já seja equivalente a abastecer em todas as situações. Um automóvel de combustão continua a conseguir receber centenas de quilómetros de autonomia em poucos minutos e existe uma rede de abastecimento extremamente disseminada.

Além disso, para conseguir tempos como os registados pelo G9 são necessários carregadores de potência muito elevada.

Mas a distância entre as duas experiências está claramente a diminuir.

O próximo desafio pode já não estar nos automóveis

interior do Xpeng G9 com ecrã panorâmico

O resultado do XPENG G9 mostra também uma mudança interessante na mobilidade elétrica.

Durante muito tempo, o automóvel era frequentemente o principal limite da velocidade de carregamento.

Agora começam a chegar ao mercado modelos capazes de aceitar 400, 500 kW ou mais.

Isso transfere parte do desafio para a infraestrutura.

Não basta construir automóveis capazes de carregar dos 10% aos 80% em pouco mais de dez minutos. É necessário instalar carregadores capazes de fornecer essas potências e garantir que estão disponíveis nos locais onde fazem mais diferença, particularmente nos grandes eixos rodoviários.

O G9 demonstra que a tecnologia dentro do automóvel já permite reduzir drasticamente os tempos de espera.

A questão passa cada vez mais a ser se a rede de carregamento conseguirá acompanhar essa evolução.

Onze minutos mudam a conversa sobre os elétricos

O XPENG G9 não provou que carregar um automóvel elétrico é sempre mais rápido do que abastecer um carro a gasolina ou gasóleo.

Mas os 11 minutos registados no teste mostram que a diferença está a tornar-se muito menor.

Mais importante do que os 452 kW atingidos momentaneamente foi a capacidade de manter uma média de 381 kW e completar dos 10% aos 80% num intervalo suficientemente curto para coincidir com uma pequena pausa numa viagem.

Há poucos anos, falar de carregamentos desta dimensão em cerca de dez minutos parecia um objetivo distante.

Em 2026, o XPENG G9 já consegue passar dos 10% aos 80% de bateria em apenas 11 minutos num teste independente. Agora, o desafio é garantir que a infraestrutura de carregamento consegue acompanhar a evolução dos automóveis.

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