As candidaturas ao incentivo à aquisição de veículos elétricos abrem hoje, marcando o arranque de mais uma fase do programa público de apoio à mobilidade eléctrica em Portugal. Os particulares que pretendam comprar um carro eléctrico novo têm agora a possibilidade de aceder a um subsídio directo, no âmbito de uma dotação de 20 milhões de euros disponibilizada pelo Governo para este ciclo de candidaturas.

Como funciona o incentivo e quem pode candidatar-se

Carregar carro elétrico conduzir devagar

O programa destina-se a particulares que adquiram veículos 100% eléctricos novos, matriculados pela primeira vez em Portugal. A candidatura é feita electronicamente, através da plataforma do Fundo Ambiental, entidade responsável pela gestão do mecanismo de apoio. O processo exige a apresentação do contrato de compra e venda ou da factura pro forma do veículo, bem como a documentação de identificação do requerente.

O valor do apoio atribuído por veículo situa-se nos 4.000 euros para a generalidade dos compradores. No caso de famílias numerosas ou com rendimentos mais baixos, o montante pode ser superior, havendo escalões específicos previstos na regulamentação do programa. A atribuição segue uma lógica de ordem de chegada: as candidaturas são analisadas por ordem cronológica de submissão, até esgotamento da verba disponível, pelo que a celeridade no processo é determinante.

Importa também referir que o incentivo é cumulável com o abate de veículos em fim de vida útil. Quem entregue um automóvel com mais de dez anos para desmantelamento poderá beneficiar de um acréscimo no valor do apoio, chegando a um total que pode atingir os 5.500 euros nalgumas situações. Esta componente pretende simultaneamente acelerar a renovação do parque automóvel português e retirar de circulação veículos mais poluentes.

O contexto do mercado eléctrico em Portugal

Posto de carregamento de veículo elétrico associado aos novos apoios à mobilidade elétrica em Portugal

A abertura destas candidaturas surge num momento em que o mercado de veículos eléctricos em Portugal regista uma trajectória de crescimento, ainda que com alguma volatilidade associada aos ciclos de incentivos públicos. A experiência das últimas edições demonstrou que a dotação se esgota rapidamente, gerando picos de procura concentrados nos primeiros dias de candidatura. Esta dinâmica tem levado muitos compradores a preparar antecipadamente toda a documentação necessária, de forma a submeter a candidatura logo na abertura.

Segundo dados do setor, uma parte significativa das vendas de eléctricos em Portugal está correlacionada com a existência destes apoios, o que sublinha a dependência do mercado face aos programas governamentais. A edição anterior das candidaturas ao apoio para compra de veículos eléctricos confirmou este padrão, com a procura a concentrar-se nas primeiras horas após a abertura do portal.

O preço médio dos veículos eléctricos continua a ser apontado como o principal obstáculo à adopção em massa. Ainda assim, a oferta disponível no mercado alargou-se consideravelmente, com vários construtores a proporem modelos abaixo dos 30.000 euros antes de incentivos, o que torna o apoio governamental particularmente relevante para tornar a aquisição acessível a um maior número de famílias.

Custos de utilização: o argumento que reforça a decisão

Para além do preço de aquisição, os potenciais compradores consideram cada vez mais os custos totais de utilização ao longo da vida do veículo. Neste capítulo, os eléctricos têm vindo a consolidar a sua vantagem face às motorizações convencionais.

A rede de carregamento público em Portugal tem crescido, embora de forma irregular no território. Os grandes centros urbanos e os principais eixos rodoviários estão progressivamente mais cobertos, mas a realidade nas zonas do interior ainda apresenta limitações que influenciam a decisão de compra de muitos consumidores. Para quem dispõe de instalação de carregamento em casa ou no local de trabalho, este factor perde relevância, tornando a experiência de uso quotidiana substancialmente mais cómoda.

O que fazer antes de submeter a candidatura

Incentivo abate carros usados carro elétricos

Para evitar contratempos, os interessados devem verificar antecipadamente se o modelo escolhido consta da lista de veículos elegíveis publicada pelo Fundo Ambiental, uma vez que nem todos os eléctricos disponíveis no mercado cumprem os critérios do programa, nomeadamente em matéria de preço máximo de venda. A lista actualizada está disponível no portal do Fundo Ambiental.

É igualmente aconselhável confirmar junto do concessionário se existe stock disponível e obter a documentação comercial necessária antes da abertura, de modo a não perder tempo após o início das candidaturas. Convém também verificar se reúne as condições para aceder ao escalão de apoio acrescido, caso se aplique a situação familiar ou de rendimento.

Posso candidatar-me se ainda não assinei o contrato de compra?

De acordo com as regras habitualmente aplicadas neste tipo de programas, é possível submeter uma candidatura com base numa proposta ou factura pro forma emitida pelo concessionário, sem que o contrato definitivo esteja já assinado. Contudo, a candidatura fica condicionada à concretização da compra no prazo definido pelo regulamento, pelo que é essencial confirmar os termos exactos na documentação oficial do Fundo Ambiental antes de avançar.

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