Quarenta anos após a estreia do primeiro BMW M3, lançado em 1986 com o propósito de homologação para competir no Campeonato Alemão de Carros de Turismo (DTM), a marca alemã confirma que a berlina desportiva vai ganhar uma versão “zero emissões”.

O primeiro M3 elétrico de sempre chegará no terceiro trimestre de 2027, com quatro motores (um por roda) e uma bateria de capacidade superior a 100 kWh. Boa notícia: a novidade não significará o fim da variante com motor de combustão, que continuará a fazer parte da gama M3.

A revelação foi feita durante a edição de 2026 das 24 Horas de Le Mans, à margem da ação em circuito, com a BMW a exibir o protótipo que antecede o lançamento do primeiro M3 elétrico.

Designado BMW M Concept Neue Klasse, este estudo assinala uma nova fase para a divisão desportiva da fabricante bávara e fornece pistas definitivas para o modelo de produção, internamente conhecido pelo código ZA0. A começar pela linguagem visual, 100% nova e mais agressiva do que aquela que a BMW já exibiu no iX3, o primeiro veículo da família Neue Klasse.

Entre os elementos que marcam a diferença contam-se a altura muito próxima do solo, o alargamento das vias e um apêndice em forma de V no centro do capot , a que a marca chama “shark nose” ,, cuja função é melhorar a refrigeração do sistema de propulsão.

“A nova linguagem de design da BMW M forma a ponta de lança expressiva da Neue Klasse, determinada e objetiva”, afirmou Oliver Heilmer, responsável pelo design da BMW Compact Class, Neue Klasse e BMW M. “Na BMW M, a forma segue consistentemente a função. Cada detalhe serve à performance.”

Novo duplo rim e inspiração náutica

A secção dianteira evoca a silhueta de um trimarã, com uma zona central ladeada por duas grandes entradas de ar que garantem a refrigeração da bateria colocada sob o piso do habitáculo. Os faróis seguem a assinatura luminosa da “Neue Klasse”, mas as luzes diurnas de tom amarelo remetem diretamente para os modelos de competição que a BMW utiliza no Mundial de Resistência, nas categorias Hypercar e LMGT3. A divisão M promete que esta solução se tornará uma marca distintiva dos seus futuros modelos.

Outro destaque vai para os Track Lights, módulos luminosos de forma quadrangular posicionados nas extremidades dos para-choques dianteiro e traseiro, também inspirados no M Hybrid V8 que conquistou a “pole position” em Le Mans. Na retaguarda, um difusor generoso e um spoiler do tipo “ducktail” (cauda de pato), semelhante ao do M2 CS, ajudam a aumentar a carga aerodinâmica e a melhorar a estabilidade em altas velocidades.

Materiais sustentáveis dentro e fora e uma cor inédita

Novo bmw m3 2027

Pela primeira vez num modelo da BMW, o tejadilho e vários componentes exteriores , incluindo o splitter dianteiro, a saída de ar do capô e o difusor , são fabricados com fibras de origem natural. Estes materiais receberam um acabamento especial que permite incorporar as cores tradicionais da divisão M. O protótipo exibe ainda uma tonalidade designada Monza Red, desenvolvida especificamente para este modelo, cuja chegada ao carro de série ainda não foi garantida pela marca.

O interior segue a tendência minimalista dos modelos Neue Klasse, apostando forte na digitalização para reduzir a presença de botões físicos. O centro do painel de bordo é ocupado por um ecrã tátil de 17,9 polegadas, complementado pelo sistema Panoramic Vision, que projeta informações na base e em toda a largura do para-brisas.

O volante, de desenho inédito, incorpora atalhos vermelhos para os modos de condução M1 e M2 e patilhas para a tecnologia “Emulated Shift”, um sistema de mudanças simuladas. É totalmente revestido a pele natural preta (nobuck de alta qualidade), material que também aparece nos painéis laterais das portas e na estrutura de reforço montada atrás dos bancos dianteiros.

O M Concept Neue Klasse dispõe de quatro lugares individuais. Os bancos desportivos , em configuração concha , caracterizam-se pelos generosos apoios laterais, pela estrutura em fibras naturais e pelos revestimentos em pele bicolor Merino nas cores Bathurst Blue e Berry Red, que resgatam as cores históricas da BMW M. O protótipo está ainda equipado com cintos de segurança vermelhos de cinco pontos, típicos de competição.

Arquitetura de 800 V e quatro motores com controlo inteligente

A BMW não revelou os valores de potência do concept, mas as estimativas apontam para um número claramente superior aos 530 cv do atual M3 Competition xDrive. Acredita-se que poderá aproximar-se do dobro. A marca confirmou, no entanto, a adoção de uma arquitetura elétrica de 800 V e de uma bateria com mais de 100 kWh de capacidade, à semelhança do que acontece nos iX3 e i3.

O futuro M3 elétrico recorrerá a quatro motores elétricos de sexta geração (Gen6), fabricados na unidade industrial de Steyr, na Áustria. Este sistema, designado BMW M eDrive, foi desenvolvido especificamente para os automóveis BMW M totalmente elétricos. De acordo com as informações disponíveis, integra dois motores assíncronos no eixo dianteiro e dois motores síncronos no traseiro, permitindo um controlo independente de cada roda através do software BMW M Dynamic Performance Control.

Esta configuração promete níveis de tração e precisão dinâmica nunca vistos na história do M3, permitindo alta capacidade de recuperação de energia, tração ideal até ao limite e respostas particularmente diretas.

Apesar de dispor de tração integral, o sistema é capaz de desacoplar automaticamente os motores dianteiros em determinadas condições de utilização, reduzindo o consumo de energia e, mais importante, reproduzindo o comportamento de uma berlina de tração traseira , uma característica que os entusiastas da marca prezam particularmente.

A gestão integrada de todos os sistemas fica a cargo do computador de alta performance “Heart of Joy”, que centraliza o controlo da propulsão e da travagem.

Duas vias para o futuro da gama M3

A BMW está a sondar o mercado com o seu M3 elétrico, um concept radical construído sobre a plataforma Neue Klasse. O objetivo é antecipar o que aí vem sem, contudo, deitar por terra a possibilidade de continuar a oferecer um M3 com motor de combustão. A estratégia passará por oferecer o M3 Neue Klasse em duas versões: elétrica e a gasolina.

No 100% elétrico, enquanto muitos concorrentes tentam replicar o som dos motores de combustão nos seus desportivos elétricos, a BMW optará por uma abordagem diferente. O sucessor elétrico do icónico M3, que está na fase final do seu desenvolvimento, não irá imitar os motores M mais carismáticos da história da marca , um V8, um V10 e o lendário straight-six , mas sim inspirar-se nestes para oferecer um som gerado artificialmente que irá variar em função da aceleração, criando uma sensação de progressão que se assemelha (sem copiar) à mudança de relações de uma caixa de velocidades tradicional.

Os engenheiros notaram, por exemplo, que o famoso V10 da BMW soa “plano e sem graça” quando mantido a 6000 rpm constantes. No EV, pretendem evitar esses “planaltos” emocionais, oferecendo um som que se mantenha interessante ao longo de toda a gama de utilização.

Além disso, as pistas auditivas são cruciais: num traçado como o mítico Nürburgring, perceber se estamos a acelerar ou a travar apenas pelo som permite manter a atenção na estrada em vez de estar sempre a olhar para o velocímetro.

Numa demonstração recente da BMW, o engenheiro de testes acionou a patilha direita no volante , exatamente como faria para efetuar uma mudança de velocidade num carro de combustão. Isto sugere que o M3 elétrico poderá incluir uma simulação de trocas de caixa para aumentar o envolvimento do condutor, uma característica que falta a muitos EV atuais. A confirmação, essa, chegará no outono de 2027.

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