A escalada dos preços dos combustíveis, na sequência da guerra dos EUA e Israel contra o Irão e o fecho do estreito de Ormuz, está a acelerar de forma significativa a procura por veículos elétricos na Europa.
Gasolina, gasóleo e GPL mais caros, maior procura por veículos elétricos. É essa a leitura dos dados revelados pela New Automotive e a E-Mobility Europe, que avançam que as matrículas de veículos eléctricos registaram um aumento homólogo de 34% em Abril em 16 mercados europeus, que representam mais de 80% das vendas automóveis na União Europeia, e na EFTA, que compreende Islândia, Listenstaine, Noruega e Suíça.
A atual aceleração da procura está diretamente ligada ao aumento do preço do barril de crude, que ultrapassou os 100 dólares após a escalada do conflito no Médio Oriente, que fechou o estreito de Ormuz e conduziu ao aumento dos preços dos combustíveis fósseis.
O impacto é particularmente visível no Reino Unido, um mercado muito dependente de importações energéticas e, por isso, mais exposto à volatilidade dos preços. No entanto, a tendência pode ser constatada no continente, incluindo países onde a adoção de veículos elétricos tem sido historicamente mais lenta, como Itália, mas também em mercados como Portugal, onde, em abril, foram matriculados 9.225 veículos 100% elétricos, dos quais 5.730 correspondem a veículos novos e 3.495 a veículos importados usados. Em comparação com abril de 2025, o crescimento homólogo de matrículas de elétricos novos foi de 34,61%. Mas, considerando todas as categorias de veículos 100% elétricos, novos e importados usados, o crescimento homólogo em abril de 2026 atingiu os 54,73%.
Perante este cenário, alguns construtores admitem rever os seus planos de produção. Fontes ligadas à Renault indicam que a marca está a estudar um aumento da capacidade produtiva de veículos elétricos. Já Markus Haupt, CEO da Seat e da Cupra, revelou que, no início de maio, cerca de 60% das encomendas na Alemanha correspondiam a modelos elétricos, muito acima da meta interna de 25%, admitindo a necessidade de ajustar volumes.
Este novo enquadramento surge num momento crítico para a indústria automóvel europeia, que tem vindo a enfrentar desafios relacionados com o ritmo de adoção da mobilidade elétrica, após investimentos avultados e ajustamentos financeiros significativos nos últimos anos, o que levou a Comissão Europeia a rever as metas estabelecidas e a anunciar benesses para uma nova categoria automóvel, que denominou de E-Car. Nesta semana, a Stellantis anunciou que irá começar a produzir estes veículos pequenos, elétricos e acessíveis em 2028.
Leia também:
- Novo incentivo aos elétricos pode arrancar antes do verão devido aos preços dos combustíveis
- Audi Q9 mostra o interior pela primeira vez e prepara ofensiva no luxo premium
- Incentivo carros elétricos 2026: 20 milhões para apoiar a compra
Leia também

Primeiro Range Rover elétrico chega com 550 cv e até 598 km de autonomia

Novo Dacia Spring muda tudo e continua abaixo dos 20 mil euros

936 km sem carregar: como conseguiu o Škoda Peaq ir tão longe?

Quanto dura a bateria de um carro elétrico? Estudo com 500 mil testes dá novas pistas

Estes são os 10 carros elétricos mais baratos que pode comprar em Portugal

