O mercado automóvel europeu continua a dar sinais de recuperação em 2026. Entre janeiro e maio, as vendas de automóveis novos na União Europeia cresceram 4% face ao mesmo período do ano anterior, refletindo uma procura consistente por modelos eletrificados, apesar das incertezas económicas e geopolíticas que continuam a marcar o setor. De acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), os veículos elétricos a bateria representaram já um em cada cinco automóveis novos matriculados na União Europeia, enquanto os híbridos consolidaram a sua posição como a motorização preferida dos consumidores.

Esta evolução confirma uma tendência que se tem vindo a acentuar nos últimos anos: a eletrificação do parque automóvel europeu está a ganhar ritmo, impulsionada por incentivos fiscais, novos modelos lançados pelos fabricantes e uma oferta cada vez mais diversificada.

Portugal acompanha esta tendência. As matrículas de veículos eletrificados continuam a crescer acima da média europeia, contribuindo para uma transformação gradual do mercado nacional.

Vendas de automóveis crescem na Europa com forte impulso dos elétricos

Entre janeiro e maio de 2026 foram matriculados 4.748.801 automóveis novos na União Europeia, mais 4% do que no mesmo período de 2025. Apesar dos desafios económicos, o mercado europeu demonstra uma capacidade de recuperação sustentada, impulsionada sobretudo pela crescente procura de veículos eletrificados.

Segundo a ACEA, esta evolução resulta da conjugação de vários fatores, incluindo a renovação da oferta dos fabricantes, programas de incentivo à aquisição de veículos de baixas emissões e uma maior confiança dos consumidores em tecnologias eletrificadas.

Ao contrário do que acontecia há apenas alguns anos, os veículos elétricos deixaram de representar um nicho de mercado para assumirem um papel central na estratégia dos principais construtores automóveis.

Os híbridos continuam a liderar as preferências

Embora os automóveis 100% elétricos estejam a crescer rapidamente, são os híbridos (HEV) que continuam a dominar o mercado europeu.

Entre janeiro e maio, os híbridos representaram 37,8% de todas as novas matrículas na União Europeia, mantendo-se como a motorização mais escolhida pelos consumidores. No total, foram registados 1.795.071 veículos híbridos, um crescimento de 12,1% face ao mesmo período de 2025.

Esta preferência explica-se por vários fatores:

  • permitem reduzir consumos sem necessidade de carregamento externo;

  • oferecem uma transição mais gradual para a eletrificação;

  • continuam a beneficiar de uma boa aceitação junto dos condutores que percorrem longas distâncias.

Países como Itália (+24,5%), Espanha (+19,5%), Alemanha (+5,4%) e França (+2,2%) contribuíram significativamente para este crescimento do segmento híbrido.

Elétricos atingem uma quota histórica

jovens malteses a utilizar transportes públicos numa cidade densamente urbanizada de Malta

O grande destaque dos primeiros cinco meses de 2026 é, contudo, o crescimento dos veículos elétricos a bateria (BEV).

Foram matriculados 950.521 automóveis elétricos, mais 35,7% do que no período homólogo de 2025. Como resultado, os BEV representam agora 20% de todas as matrículas na União Europeia, quando há um ano correspondiam a apenas 15,3%.

Este é um marco importante para a indústria automóvel europeia, significando que um em cada cinco automóveis vendidos já é totalmente elétrico.

Os maiores impulsionadores deste crescimento foram:

  • Itália: +75,7%;

  • França: +55,4%;

  • Alemanha: +40,9%.

Estes três mercados representam cerca de 63% de todas as matrículas de veículos elétricos na União Europeia.

Segundo a ACEA, esta evolução foi apoiada por novos incentivos públicos, benefícios fiscais e pelo lançamento de modelos mais acessíveis em diversos segmentos de mercado.

Plug-in híbridos também aceleram

Os híbridos plug-in (PHEV) continuam igualmente a ganhar relevância.

Entre janeiro e maio foram matriculados 460.217 veículos, representando 9,7% do mercado europeu, acima dos 8,3% registados no mesmo período do ano anterior.

O crescimento foi particularmente expressivo em:

  • Itália (+84,9%);

  • Espanha (+46,5%);

  • Alemanha (+16,1%).

Apesar deste desempenho positivo, muitos analistas consideram que os PHEV poderão desempenhar um papel cada vez mais transitório à medida que a autonomia dos elétricos aumenta e a infraestrutura de carregamento continua a expandir-se.

Gasolina e diesel continuam a perder terreno

Enquanto os veículos eletrificados registam uma evolução positiva, os automóveis equipados com motores de combustão interna continuam a perder quota de mercado.

As vendas de veículos a gasolina caíram 18,2% entre janeiro e maio de 2026, passando de uma quota de mercado de 28,5% para 22,4%. França (-36,8%), Espanha (-20,3%), Alemanha (-18,5%) e Itália (-17,3%) registaram algumas das maiores quedas.

Também o diesel manteve a tendência descendente.

As matrículas diminuíram 16,6%, representando agora apenas 7,6% das vendas de automóveis novos na União Europeia, quando um ano antes correspondiam a 9,5%.

No conjunto, gasolina e diesel representam atualmente 30,1% do mercado europeu, um valor significativamente inferior aos 38% registados no mesmo período de 2025.

Portugal acompanha a tendência europeia

ilustração de mobilidade urbana sustentável com transporte público, bicicleta e peões em ambiente mediterrânico

Portugal também registou uma evolução positiva nos primeiros cinco meses de 2026. Segundo a ACEA, foram matriculados 110.731 automóveis novos, um crescimento de 9,8% face ao mesmo período de 2025, acima da média da União Europeia, que se fixou nos 4%.

A eletrificação continua igualmente a ganhar expressão no mercado nacional.

Entre janeiro e maio:

  • os automóveis 100% elétricos cresceram 33,2%, atingindo 27.134 unidades;

  • os híbridos plug-in aumentaram 23,8%, com 15.714 matrículas;

  • os híbridos convencionais registaram uma subida de 30,4%, totalizando 32.494 unidades.

Em sentido inverso, os veículos equipados com motores de combustão continuam a perder peso. As matrículas de automóveis a gasolina diminuíram 14,3%, enquanto os diesel registaram uma quebra de 23,2%.

Embora a ACEA não publique quotas de mercado específicas por país neste relatório, os números demonstram que Portugal acompanha a tendência de eletrificação observada no conjunto da União Europeia.

As marcas que mais cresceram

A transformação do mercado também se reflete na evolução dos fabricantes.

Entre janeiro e maio de 2026, algumas marcas destacaram-se pelo forte crescimento das vendas na União Europeia:

  • BYD aumentou as matrículas em 158,9%;

  • Chery registou um crescimento de 265,2%;

  • Leapmotor foi a marca com maior expansão relativa, crescendo 530,8%;

  • Tesla recuperou terreno e aumentou as vendas 77,3% face ao mesmo período de 2025.

Entre os grandes grupos automóveis, o Volkswagen Group manteve a liderança do mercado europeu, com uma quota de 26,7%, seguido pelo Stellantis (16,7%) e pelo Renault Group (10,2%).

Apesar do crescimento de novos fabricantes, sobretudo chineses, os grupos tradicionais continuam a concentrar a maior fatia das vendas na Europa.

O que explicam estes resultados?

Os dados da ACEA mostram que a eletrificação deixou de depender exclusivamente de incentivos públicos. A oferta disponível aumentou significativamente nos últimos anos, abrangendo modelos urbanos, familiares e comerciais ligeiros, o que permite responder a diferentes perfis de utilização.

Ao mesmo tempo, vários fabricantes reduziram preços ou lançaram versões mais acessíveis dos seus modelos elétricos, tornando esta tecnologia competitiva para um número crescente de consumidores.

Também a expansão da infraestrutura de carregamento em vários países europeus contribui para aumentar a confiança na mobilidade elétrica, embora persistam diferenças significativas entre Estados-Membros.

Em paralelo, a redução das vendas de veículos a gasolina e diesel reflete não apenas uma mudança nas preferências dos consumidores, mas também a estratégia dos próprios construtores, que continuam a reforçar a oferta de modelos eletrificados para cumprir os objetivos europeus de redução das emissões de CO?.

O que esperar para o resto de 2026?

Se a tendência dos primeiros cinco meses se mantiver, 2026 poderá consolidar-se como mais um ano de crescimento do mercado automóvel europeu.

A evolução dependerá, contudo, de vários fatores:

  • estabilidade económica e evolução das taxas de juro;

  • manutenção dos incentivos à compra de veículos de baixas emissões;

  • disponibilidade de novos modelos elétricos em segmentos mais acessíveis;

  • evolução dos preços das matérias-primas e da produção automóvel.

Tudo indica que os híbridos continuarão a desempenhar um papel central durante a transição energética, enquanto os automóveis 100% elétricos deverão continuar a ganhar quota de mercado.

Ao mesmo tempo, gasolina e diesel deverão prosseguir a trajetória descendente, acompanhando a estratégia de eletrificação da indústria automóvel europeia.

Leia também:

Leia também