Enquanto a atenção continua centrada nos automóveis elétricos de passageiros, há uma revolução bem mais silenciosa a acontecer nas empresas portuguesas. Cada vez mais carrinhas de distribuição, assistência técnica e logística estão a trocar o gasóleo pela eletricidade, numa mudança impulsionada não apenas pela sustentabilidade, mas sobretudo pela redução dos custos de utilização.

Os números mostram que esta tendência está a acelerar. No primeiro semestre de 2026, as matrículas de veículos comerciais ligeiros eletrificados cresceram 114,8% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto os comerciais ligeiros 100% elétricos registaram um aumento de 106,8%, passando a representar 19,1% do mercado.

Para muitas empresas, a eletrificação das frotas deixou de ser uma aposta no futuro para se tornar uma decisão económica do presente.

Porque estão as empresas a mudar?

Ao contrário dos automóveis particulares, os veículos comerciais percorrem frequentemente dezenas ou centenas de quilómetros por dia, muitas vezes em percursos previsíveis e com regresso à base no final da jornada.

Este tipo de utilização adapta-se particularmente bem à mobilidade elétrica. Carregar durante a noite nas instalações da empresa permite iniciar cada dia com a bateria totalmente carregada, reduzindo a dependência da rede pública e simplificando a gestão da frota.

Além disso, o custo da eletricidade continua, na maioria dos casos, a ser inferior ao do gasóleo, permitindo reduzir significativamente o custo por quilómetro.

O custo total de utilização faz a diferença

Furgoneta eléctrica de entrega em ambiente urbano português, rua de Lisboa ao fundo

Apesar de o preço de aquisição continuar a ser superior ao de um comercial Diesel equivalente, essa diferença tende a ser recuperada ao longo da vida útil do veículo.

As principais vantagens incluem:

  • Menor custo por quilómetro.
  • Redução dos custos de manutenção.
  • Menor desgaste dos travões graças à travagem regenerativa.
  • Isenção de ISV e IUC nos veículos 100% elétricos.
  • Benefícios fiscais para empresas, incluindo vantagens ao nível da tributação autónoma e da dedução do IVA, quando aplicáveis.

Para empresas com dezenas de veículos, estas poupanças podem representar uma redução muito significativa dos custos de exploração.

A autonomia já não é um problema para a maioria das empresas

Uma das maiores barreiras à adoção dos comerciais elétricos era a autonomia. Hoje, essa realidade mudou.

Grande parte dos modelos disponíveis oferece autonomias superiores a 300 quilómetros em ciclo WLTP, suficientes para distribuição urbana, entregas de última milha, manutenção técnica, assistência ou serviços municipais.

Naturalmente, fatores como a carga transportada, a temperatura exterior ou o relevo continuam a influenciar a autonomia real. Ainda assim, para muitas empresas portuguesas, um único carregamento durante a noite é suficiente para cumprir toda a jornada de trabalho.

Nunca houve tanta oferta

A oferta de veículos comerciais elétricos cresceu de forma significativa nos últimos anos.

Nos comerciais compactos destacam-se modelos como o Renault Kangoo E-Tech, Peugeot E-Partner, Citroën ë-Berlingo Van, Opel Combo Electric, Toyota Proace City Electric e Nissan Townstar EV.

Para quem necessita de maior capacidade de carga, existem propostas como o Ford E-Transit, Mercedes-Benz eSprinter, Volkswagen ID. Buzz Cargo, Renault Master E-Tech, Fiat E-Scudo, Maxus eDeliver 7, Maxus eDeliver 9 ou o recente Foton eToano.

Esta diversidade permite hoje encontrar soluções para praticamente qualquer tipo de atividade profissional.

Os desafios continuam a existir

Apesar da evolução tecnológica, continuam a existir alguns obstáculos.

O investimento inicial permanece superior ao dos modelos Diesel equivalentes, obrigando muitas empresas a analisar cuidadosamente o retorno financeiro.

Também a infraestrutura de carregamento continua a ser determinante. Empresas com frotas numerosas necessitam frequentemente de instalar postos próprios e, em alguns casos, reforçar a potência elétrica disponível nas suas instalações.

Outro desafio prende-se com a carga útil. Embora as novas gerações de baterias tenham reduzido este impacto, alguns modelos continuam a transportar menos carga útil do que as versões Diesel equivalentes.

As cidades também estão a acelerar esta mudança

A crescente criação de zonas de baixas emissões em várias cidades europeias está igualmente a influenciar as decisões das empresas.

Embora Portugal ainda esteja menos avançado do que outros mercados nesta matéria, a tendência aponta para restrições progressivas à circulação de veículos mais poluentes nos centros urbanos.

Para empresas que operam diariamente nestas zonas, investir numa frota elétrica significa também preparar-se para futuras exigências regulamentares.

As principais vantagens de um comercial elétrico

A crescente adoção destes veículos explica-se por um conjunto de benefícios cada vez mais relevantes:

  • Custos de utilização mais baixos.
  • Menor necessidade de manutenção.
  • Isenção de ISV e IUC nos modelos 100% elétricos.
  • Benefícios fiscais para empresas.
  • Condução mais silenciosa e confortável.
  • Acesso facilitado a futuras zonas de baixas emissões.
  • Redução das emissões de CO? e da pegada ambiental da empresa.

O futuro das frotas já começou

Interior de parque de frota empresarial com várias furgonetas eléctricas em carregamento

Os dados do mercado mostram que a eletrificação dos veículos comerciais está a acelerar em Portugal. No primeiro semestre de 2026, as matrículas de comerciais ligeiros eletrificados mais do que duplicaram, acompanhando uma tendência que também se verifica noutros mercados europeus.

A questão já não é saber se os veículos comerciais elétricos vão ganhar espaço nas empresas, mas sim a velocidade com que essa transição acontecerá. À medida que a autonomia aumenta, a oferta cresce e os custos de utilização continuam a diminuir, tudo indica que as frotas elétricas terão um papel cada vez mais importante na mobilidade profissional em Portugal.

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