O verão traz temperaturas elevadas, viagens mais longas e um aumento significativo do tráfego nas estradas portuguesas. É também nesta altura do ano que muitos condutores se perguntam se o calor pode, por si só, fazer um pneu rebentar.
A resposta é simples: o calor, por si só, raramente provoca um rebentamento. No entanto, quando se junta a fatores como pressão incorreta, pneus desgastados, excesso de carga ou danos na estrutura da borracha, pode aumentar significativamente o risco de uma falha durante a condução. Conhecer estes fatores e fazer algumas verificações antes de sair para a estrada pode fazer toda a diferença na segurança da viagem.
Pneus no calor
Os pneus foram concebidos para suportar temperaturas elevadas, mas trabalham em condições particularmente exigentes durante o verão. Em dias de muito calor, o asfalto pode atingir temperaturas superiores a 60 °C, obrigando os pneus a dissipar uma quantidade considerável de energia.
Ao mesmo tempo, a circulação a velocidades elevadas gera calor adicional através da deformação natural da borracha e do atrito com a estrada. Se o pneu apresentar desgaste, danos ou pressão inadequada, esse esforço adicional pode comprometer a sua resistência.
É por isso que o calor deve ser visto como um fator que agrava problemas já existentes e não como a causa direta de um rebentamento.
O que aumenta o risco de um pneu rebentar?
Na maioria dos casos, os rebentamentos resultam da combinação de vários fatores. A pressão incorreta continua a ser uma das principais causas. Um pneu com pressão abaixo da recomendada deforma-se mais durante a circulação, aquece excessivamente e sofre maior desgaste interno. Já um pneu com pressão demasiado elevada torna-se mais sensível a impactos provocados por buracos ou outros obstáculos.
O estado da banda de rodagem também é determinante. Embora a profundidade mínima legal seja de 1,6 milímetros, muitos fabricantes recomendam a substituição quando o piso se aproxima dos 3 milímetros, sobretudo para quem conduz frequentemente em autoestrada ou em piso molhado.
Outro aspeto frequentemente ignorado é a idade do pneu. Mesmo que tenha poucos quilómetros, a borracha envelhece naturalmente com o passar dos anos, perdendo elasticidade e tornando-se mais vulnerável a fissuras e deformações.
A tudo isto juntam-se fatores como o excesso de carga, viagens longas sem pausas, velocidades elevadas e impactos contra lancis ou buracos, que podem provocar danos internos invisíveis.
É preciso aumentar a pressão dos pneus no verão?

É um dos mitos mais comuns. A pressão dos pneus não deve ser aumentada nem reduzida apenas porque está calor. O valor correto continua a ser o recomendado pelo fabricante do veículo, tendo em conta a utilização prevista e a carga transportada.
Se o automóvel vai viajar com cinco ocupantes e bagagem, por exemplo, é habitual existir uma recomendação específica para essa situação, disponível no manual do veículo ou na etiqueta colocada na ombreira da porta do condutor ou na tampa do depósito de combustível.
Seguir esses valores continua a ser a melhor forma de garantir segurança, estabilidade e desgaste uniforme dos pneus.
Posso verificar a pressão depois de conduzir?
O ideal é que não. Sempre que possível, a pressão deve ser medida com os pneus frios, antes de iniciar a viagem ou depois de o veículo estar parado durante algumas horas.
Durante a condução, os pneus aquecem naturalmente, aumentando a pressão no seu interior. Uma medição efetuada nessa altura pode apresentar valores superiores aos reais e levar a ajustes incorretos.
Verificar a pressão pelo menos uma vez por mês e antes de qualquer viagem longa continua a ser uma das medidas de manutenção mais importantes.
O que deve verificar antes de viajar?
Antes de uma viagem de verão, vale a pena dedicar alguns minutos aos pneus. Confirme a pressão recomendada pelo fabricante, inspecione visualmente a banda de rodagem e as paredes laterais, procurando cortes, bolhas ou deformações. Aproveite também para verificar a profundidade do piso e confirmar a data de fabrico gravada no flanco do pneu.
Outro ponto muitas vezes esquecido é o pneu suplente. Caso o veículo ainda esteja equipado com roda sobresselente, deve confirmar se também tem pressão suficiente para ser utilizado em caso de emergência.
Estas verificações simples ajudam a reduzir significativamente o risco de problemas durante a viagem.
O que fazer se um pneu rebentar em andamento?

Apesar de pouco frequente, um rebentamento pode acontecer. Se isso acontecer, a prioridade é manter a calma. Deve segurar firmemente o volante, evitar travagens bruscas e levantar gradualmente o pé do acelerador, deixando o veículo perder velocidade de forma progressiva.
Só quando o automóvel estiver estabilizado deve travar suavemente e dirigir-se para a berma ou para uma zona segura.
Travar a fundo ou fazer movimentos bruscos na direção pode aumentar o risco de perda de controlo do veículo.
Depois de parar, ligue os quatro piscas, vista o colete refletor antes de sair do automóvel e sinalize a avaria de acordo com as regras em vigor.
Como prolongar a vida útil dos pneus?
Além de manter a pressão correta, existem outros cuidados que ajudam a preservar os pneus.
Evitar acelerações e travagens bruscas, respeitar a carga máxima indicada para o veículo, fazer o alinhamento e o equilíbrio sempre que necessário e rodar os pneus nos intervalos recomendados pelo fabricante contribui para um desgaste mais uniforme.
Também é aconselhável inspecionar regularmente os pneus, sobretudo antes de viagens longas, e substituir qualquer unidade que apresente cortes profundos, bolhas ou desgaste irregular.
Vale a pena verificar os pneus antes das férias?
Sem dúvida. Poucos minutos dedicados à verificação dos pneus podem evitar uma avaria, melhorar o comportamento do veículo e aumentar a segurança de todos os ocupantes.
No verão, quando as temperaturas sobem e as deslocações aumentam, os pneus estão sujeitos a um esforço acrescido. Garantir que se encontram em boas condições continua a ser uma das medidas mais importantes para viajar em segurança.
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