Travões gastos, anomalias no escape, folgas na direção, amortecedores degradados e, desde o início de março, falha em cumprir um “recall”. Saiba o que pode fazer com que o seu automóvel receba luz vermelha na inspeção.

A inspeção periódica obrigatória continua a ser um dos momentos mais importantes na vida útil de um automóvel, não só porque confirma se o veículo pode circular em segurança, mas também porque expõe falhas que muitas vezes passam despercebidas no uso diário.

Entre os motivos que mais frequentemente levam um automóvel a chumbar estão detalhes fáceis de tratar, como luzes fundidas ou pneus gastos, mas também defeitos que exigem maior atenção, como folgas na direção, amortecedores degradados e travões com desgaste excessivo. Também são recorrentes as reprovações por fugas de fluidos, problemas no sistema elétrico, danos em espelhos, matrícula ilegível ou deformada e anomalias no escape. Umas são suficientes surgirem sozinhas para que representem a reprovação, como a falha de travões, outras, as menos graves, precisam de estar reunidas com outras.

Essa avaliação é feita pelos centros de inspeção, que catalogam as deficiências detetadas, como falhas ligeiras, graves ou muito graves. Para reprovar, um veículo precisa de apresentar mais de cinco deficiências ligeiras, do tipo 1, mas pode bastar uma dos tipos 2 ou 3 para que a sua interdição a circular seja declarada. E, desde o dia 1 de março de 2026, há mais um motivo para o possível chumbo automático: não cumprir chamadas à oficina, designadas por campanhas de “recall”, das marcas.

A importância de um “recall”

Técnico a registar dados numa inspeção automóvel, processo associado à verificação do veículo ao domicílio

A principal novidade de 2026 na inspeção periódica obrigatória está relacionada com as chamadas ações de “recall”, em que a marca lança um apelo para que determinadas unidades se apresentam para apreciação, sobretudo quando são detectadas falhas graves no fabrico, já que desprezar essa chamada pode passar a representar uma reprovação automática, mesmo que o veículo em causa não apresente qualquer defeito relacionado.

O centro de inspeção passa, assim, a verificar se o veículo tem campanhas de recolha pendentes na base de dados oficial e, se a intervenção técnica não tiver sido feita, o carro pode ser reprovado. O resultado não dependerá da deficiência da unidade, mas da gravidade do defeito indicado pelo fabricante.

Como saber se há “recall”

A maioria dos condutores pode ser apanhada desprevenida por falta de informação. No entanto, é fácil evitar surpresas desagradáveis. Basta que, com regularidade ou até mesmo dias antes da ida à inspeção, se procure saber se o automóvel tem alguma ação de “recall” por cumprir.

A informação é gratuita e para a obter basta usar a matrícula ou o VIN, a sigla em inglês para número de identificação do veículo, na plataforma online Recall, que resultou de uma parceria entre a ACAP- Associação Automóvel de Portugal com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, tendo o apoio da Direção-Geral do Consumidor (DGC). https://recall.motordata.pt

De qualquer das formas, não tendo existido alteração de morada, o proprietário do veículo deverá receber informação diretamente da marca, por carta. E não vale a pena adiar: em regra, a reparação associada a um “recall” é gratuita para o proprietário, sendo feita na rede indicada pela marca.

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