Nova geração será servida apenas em modo 100% elétrico, mas, promete o emblema, com a mesma espetacularidade de sempre.
Durante décadas, o motor V8 biturbo foi o coração e a voz dos desportivos da AMG. Mas o sucessor do GT 4 Portas, que chega às estradas em 2026, vira uma página na história e diz adeus a essa herança sonora e mecânica para inaugurar uma plataforma 100% elétrica com números ainda mais espetaculares: três motores, 1.169 cv e 700 km de autonomia!
Esta base técnica, inédita na marca da estrela, estreia uma arquitetura de 800 V com três motores elétricos de fluxo axial , um no eixo dianteiro e dois atrás. A tração integral é de série, mas com uma distribuição de potência assumidamente traseira, fiel à tradição da casa.
Uma versão potente, outra ainda mais potente

A gama vai desdobrar-se em duas variantes, o GT 63, no topo da oferta, com 1.169 cv, 0-100 km/h em 2,1 segundos e velocidade máxima de 300 km/h (com o opcional Driver’s Package); e o GT 55, a versão de entrada, com “apenas” 816 cv e 0-100 km/h em 2,5 segundos.
As duas recorrem a uma bateria NCMA (níquel, cobalto, manganês, alumínio) de 106 kWh, desenvolvida internamente pela AMG, que utiliza células mais pequenas e finas com refrigeração direta individual, o que permite cargas ultra-rápidas.
A potência máxima de carregamento DC atinge os 600 kW: em apenas dez minutos é possível recuperar mais de 460 km de autonomia. A autonomia total declarada em ciclo WLTP é de 700 km, o que é uma nova referência no segmento dos grandes desportivos.
Inspiração estética no concept GT XX

Visualmente, o novo GT 4 Portas bebe muito do protótipo AMG GT XX. O tejadilho descendente, a grelha Panamericana ainda mais agressiva e os faróis finos dão-lhe um ar de “caça” moderno. Mas há diferenças importantes face ao concept: o vidro traseiro é funcional e a fita de luz traseira escurecida reforça a identidade mais recente da Mercedes.
A aerodinâmica ativa é um dos trunfos. O spoiler traseiro e o difusor estendem-se em função da velocidade, enquanto as persianas móveis do sistema Airpanel otimizam o arrefecimento e a eficiência. O coeficiente aerodinâmico final é de apenas 0,22, um valor de referência para um coupé de quatro portas com mais de 2,4 toneladas (2.460 kg, para sermos exatos).
Habitáculo digital (mas com um toque físico)
Lá dentro, um painel de instrumentos e o ecrã central inclinado para o condutor conjugam-se com um monitor dedicado ao passageiro. Os botões físicos foram reduzidos ao mínimo, mas a consola central conserva três comandos rotativos: um para a resposta do sistema elétrico, outro para o controlo de tração e um terceiro para a dinâmica em curva. A acompanhá-los, um conta-rotações digital tenta recriar a sensação de condução de um desportivo a combustão.
A bagageira dianteira (frunk) de 60 litros é pequena, mas suficiente para arrumar o cabo de carga. No seu interior, um código QR dá acesso a vídeos exclusivos dos engenheiros da AMG, que explicam o desenvolvimento do motor elétrico e do polémico som artificial.
A ausência do V8 é compensada com um recurso artificial que a AMG desenvolveu à medida, o modo AMG Force S+, que não é mais do que um pacote sensorial que simula passagens de caixa, interrupções de binário e uma sonoridade inspirada no AMG GT R V8 biturbo.
Além deste, há uma outra ferramenta, que a marca define como um sistema háptico. É um vibrador sincronizado com a aceleração e com as mudanças simuladas gera vibrações de baixa frequência que percorrem a estrutura do carro. A marca garante que a experiência sonora e tátil é “extremamente autêntica”, capaz de transportar o condutor para o universo emocional dos AMG de oito cilindros. Resta saber se os puristas ficarão convencidos….
Dinâmica de alto nível

Com 2.460 kg para gerir, a AMG recorreu à suspensão AMG Active Ride Control com estabilização semi-ativa, direção traseira que vira as rodas até seis graus e o sistema AMG Race Engineer, que permite personalizar a resposta do acelerador e do controlo de tração. O objetivo é claro: manter a agilidade e a precisão que sempre definiram os GT, mesmo com o peso extra das baterias.
Quando chega e quanto custa
O novo Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé começará a ser produzido no verão de 2026, na fábrica de Sindelfingen, na Alemanha. As encomendas deverão abrir no final deste ano. Ainda não há preços oficiais.
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