Um automóvel passa por uma zona de piso escorregadio. Pouco depois, outro Volvo que se aproxima do mesmo local recebe um aviso, mesmo antes de o condutor conseguir perceber que existe um problema. É uma das possibilidades do Connected Safety, a tecnologia através da qual automóveis Volvo podem partilhar informação sobre determinados perigos encontrados na estrada.
A ideia não é propriamente nova. A Volvo introduziu os primeiros sistemas deste género em 2016, inicialmente nos modelos da Série 90 na Suécia e na Noruega, e anunciou a sua expansão à Europa em 2019. Nessa altura, as principais funcionalidades eram o Slippery Road Alert, destinado a avisar sobre piso escorregadio, e o Hazard Light Alert, que permitia alertar para automóveis com os quatro piscas ligados.
Sete anos depois dessa expansão europeia, o princípio mantém-se, mas o Connected Safety tornou-se mais abrangente. A Volvo anunciou em agosto de 2026 novos alertas para os EX60, EX90 e ES90, incluindo acidentes, obras, animais de grande porte, peões e ciclistas.
Volvo Connected Safety: como é que os carros comunicam entre si?
Apesar de podermos dizer que os automóveis “falam” uns com os outros, não se trata literalmente de uma comunicação direta entre dois Volvo que circulam próximos.
Segundo a documentação atual da marca, o Connected Safety utiliza uma ligação à Internet para permitir que os automóveis partilhem informação sobre situações encontradas na estrada.
Um Volvo pode, por exemplo, detetar condições de baixa aderência num determinado troço. Essa informação pode ser partilhada através do sistema e utilizada para avisar outros condutores que se aproximam da mesma zona.
A Volvo explica que, atualmente, mais de um milhão dos seus automóveis têm a tecnologia de segurança conectada ativada.
O conceito também está a deixar de estar limitado aos automóveis da própria marca. Através do ecossistema europeu Data for Road Safety, a informação de segurança pode ser partilhada com automóveis de outras marcas e centros nacionais de gestão de tráfego.
Estrada escorregadia? Um Volvo que passou antes pode avisar

O Slippery Road Alert é uma das funcionalidades que estiveram na origem do Connected Safety.
O sistema utiliza informação relativa às condições de aderência encontrada por automóveis que circulam mais à frente. Quando é identificada uma situação de baixa aderência entre os pneus e o pavimento, essa informação pode contribuir para alertar outros condutores que se aproximem da zona.
Para quem está ao volante, o benefício está sobretudo na antecipação.
Um troço com gelo, água ou outras condições que reduzam a aderência nem sempre é imediatamente evidente. Receber um aviso antecipado permite aumentar a atenção e adaptar a condução antes de chegar ao local.
Existem, porém, limitações. A própria Volvo alerta que nem todas as situações de piso escorregadio são necessariamente identificadas. Se o veículo que passou primeiro pelo local não tiver uma situação de baixa aderência que possa ser detetada, o sistema pode não gerar qualquer aviso.
Da mesma forma, uma ligação à Internet fraca ou inexistente pode impedir temporariamente o funcionamento da tecnologia.
Quatro piscas ligados? Os outros Volvo podem ser avisados
Outra das funcionalidades originais é o Hazard Light Alert.
Quando um automóvel compatível tem os quatro piscas ativados, essa informação pode chegar a outros veículos ligados ao serviço que se aproximem do local.
Imagine um carro imobilizado depois de uma curva com pouca visibilidade ou imediatamente após o topo de uma subida. O condutor que se aproxima poderá não conseguir vê-lo até estar relativamente perto.
Com o Connected Safety, pode receber antecipadamente uma indicação de que existe um automóvel com os piscas de emergência ligados mais à frente.
Quando apresentou a tecnologia à escala europeia em 2019, a Volvo utilizou precisamente curvas sem visibilidade e topos de subidas como exemplos de situações em que este tipo de alerta poderia ser particularmente útil.
Os novos Volvo conseguem avisar de mais perigos
O sistema já não se limita ao piso escorregadio e aos quatro piscas.
Em agosto de 2026, a Volvo anunciou quatro novos tipos de alertas Connected Safety para os EX60, EX90 e ES90.
Um deles é o Accident Ahead Alert, destinado a avisar o condutor da existência de um acidente mais à frente. A informação pode ser proveniente de automóveis Volvo conectados ou de centros de gestão de tráfego.
Há também o Roadwork Alert, que permite alertar para obras na estrada, e o Large Animal Alert, destinado a situações em que seja detetado um animal de grande porte na estrada ou nas suas proximidades.
A quarta novidade é o Vulnerable Road User Alert. Neste caso, o objetivo é avisar quando são detetados peões ou ciclistas na estrada ou nas suas proximidades, nomeadamente em vias rápidas.
Estas funcionalidades são disponibilizadas através de atualização de software nos modelos abrangidos.
Já não são apenas os Volvo a contribuir com informação
Esta é uma das evoluções mais interessantes do sistema.
Quando o Connected Safety começou a funcionar, o conceito assentava essencialmente na partilha de informação entre automóveis Volvo. Entretanto, a rede tornou-se mais abrangente.
A marca participa no European Data for Road Safety, um ecossistema através do qual os dados relativos a alertas podem ser partilhados com automóveis de outras marcas e centros nacionais de gestão de tráfego.
Isto significa que o conceito deixa progressivamente de depender apenas da quantidade de Volvo que circulam numa determinada estrada.
É uma evolução importante para este tipo de tecnologia: quanto maior for a quantidade de informação relevante disponível, maior poderá ser a possibilidade de um condutor receber um aviso útil antes de encontrar o perigo.
Que Volvo têm Connected Safety?
Quando a Volvo anunciou a expansão europeia em 2019, o Hazard Light Alert e o Slippery Road Alert passaram a estar disponíveis nos modelos baseados nas plataformas SPA ou CMA a partir do ano-modelo 2016. A marca indicava ainda que as funcionalidades seriam de série em todos os novos Volvo do ano-modelo 2020.
Atualmente, a Volvo indica que o Slippery Road Alert e o Hazard Light Alert são de série nos seus automóveis na Europa, com exceção do EX30.
Isto não significa, contudo, que todos os Volvo tenham exatamente as mesmas capacidades.
Os alertas mais recentes para acidentes, obras, animais de grande porte, peões e ciclistas foram anunciados especificamente para os EX60, EX90 e ES90.
A disponibilidade também pode variar consoante o mercado, modelo e plataforma. Num Volvo usado, sobretudo nos exemplares das primeiras gerações compatíveis, é aconselhável confirmar se o automóvel específico dispõe da funcionalidade.
É preciso ter Internet para receber os avisos?

Sim. Este é um dos aspetos importantes para compreender como funciona o Connected Safety.
A documentação da Volvo indica que a comunicação depende de uma ligação à Internet. Se esta for fraca ou estiver indisponível, a funcionalidade pode ficar desativada até a ligação melhorar.
Existem outros requisitos. O Connected Safety tem de estar ativado nas definições do automóvel, a funcionalidade precisa de estar disponível para os restantes utilizadores envolvidos e a estrada em questão deve constar da base de dados da Volvo Cars.
Isto também explica por que motivo a ausência de um alerta nunca deve ser interpretada como uma confirmação de que não existe qualquer perigo mais à frente.
O Connected Safety pode ser desligado?
Sim. Nos Volvo atuais compatíveis, a funcionalidade pode ser ativada ou desativada através das definições de privacidade.
No EX90, por exemplo, a marca indica que a opção pode ser encontrada nas definições de privacidade do automóvel.
Quando o sistema está ativo, aumenta naturalmente a quantidade de dados transferidos de e para o veículo. Desde o lançamento das primeiras funcionalidades, a Volvo refere que os dados relevantes para os alertas são partilhados de forma anónima.
A possibilidade de desligar o sistema é importante, sobretudo porque esta tecnologia depende precisamente da partilha de informação para funcionar.
Estes alertas substituem a atenção do condutor?
Não.
O Connected Safety deve ser encarado como uma camada adicional de informação e não como um sistema capaz de garantir que todos os perigos existentes na estrada serão identificados.
A própria Volvo alerta para essa limitação na documentação dos seus automóveis e recomenda que o condutor mantenha o mesmo nível de atenção que teria num veículo sem esta funcionalidade.
É fácil perceber porquê. Um troço de piso escorregadio pode não ter sido identificado, um veículo parado pode não estar ligado à rede ou pode simplesmente não existir cobertura de Internet suficiente para transmitir determinada informação.
O verdadeiro benefício está na possibilidade de antecipação. Quando o sistema dispõe da informação necessária, pode avisar sobre uma situação que o condutor ainda não consegue ver.
De dois alertas para uma rede de segurança conectada
Quando a Volvo começou a utilizar o Connected Safety em 2016, as possibilidades eram relativamente simples: avisar outros automóveis de piso escorregadio ou de um veículo com os quatro piscas ligados.
Uma década depois, o conceito ganhou outra dimensão.
Acidentes, obras, animais de grande porte, peões e ciclistas juntam-se agora aos perigos que alguns dos Volvo mais recentes podem comunicar. Ao mesmo tempo, os dados podem começar a circular num ecossistema que inclui automóveis de outras marcas e centros de gestão de tráfego.
A tecnologia não permite prever tudo o que acontece na estrada e continua dependente de fatores como conectividade, disponibilidade do serviço e informação recolhida por outros veículos.
Mas altera uma limitação que durante décadas foi inevitável: um automóvel só conseguia reagir ao perigo que os seus próprios sensores ou o condutor conseguiam detetar.
Com o Connected Safety, aquilo que um veículo encontra mais à frente pode transformar-se num aviso para quem ainda nem sequer consegue ver o problema.
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