Há automóveis que ficam para a história pela tecnologia, outros pelo design e alguns pelos números. O Opel Rekord C conseguiu reunir um pouco de tudo e tornou-se num dos modelos mais importantes da história da marca alemã.
Apresentado em agosto de 1966, o Rekord C celebra agora 60 anos. Completamente redesenhado face ao antecessor, trouxe novas soluções técnicas, uma enorme variedade de carroçarias e até versões desportivas que ajudaram a construir a sua reputação.
Mas há um número que resume particularmente bem o seu sucesso: quando a produção terminou, em dezembro de 1971, tinham sido fabricadas mais de 1,25 milhões de unidades. Foi o primeiro modelo da Opel a ultrapassar a barreira de um milhão.
Um Opel para quase todos os gostos
Na década de 1960, o Rekord ocupava na gama Opel uma posição comparável àquela que o Astra assume atualmente.
O Rekord A tinha surgido em 1963, seguido pelo Rekord B em 1965. Apenas um ano depois, a Opel apresentou o Rekord C, uma terceira geração praticamente desenvolvida de raiz.
O novo modelo chegou como berlina de duas ou quatro portas, nas versões standard e luxury, mas a família não ficou por aí. Existiam também station wagons de três e cinco portas e uma variante destinada ao transporte de mercadorias.
Poucos meses depois chegaria um dos modelos mais desejados da gama: o Rekord Coupé, com carroçaria fastback.
A diversidade também se encontrava debaixo do capot. A gama utilizava motores CIH de quatro e seis cilindros, com cilindradas entre 1,5 e 2,2 litros e potências entre 58 e 106 cv.
Tecnologia pouco habitual há 60 anos
O Rekord C não se destacou apenas pela quantidade de versões disponíveis.
A Opel aproveitou a nova geração para introduzir várias alterações técnicas destinadas a melhorar o comportamento, o conforto e a segurança.
Na traseira, as antigas molas de lâmina deram lugar a molas helicoidais, acompanhadas por braços duplos e uma barra Panhard. O Rekord C tornou-se assim no primeiro automóvel de passageiros da Opel equipado com molas helicoidais no eixo traseiro.
À frente, a largura da via aumentou e a suspensão foi revista. Todas as versões recebiam ainda de série um sistema de travagem de duplo circuito e servofreio, equipamentos que estavam longe de ser comuns em automóveis desta categoria na segunda metade dos anos 60.
Até a ventilação do habitáculo mereceu atenção. O sistema permitia introduzir ar exterior, aquecido ou com temperatura regulada, enquanto o ar do interior era expelido através de saídas traseiras, uma solução avançada para a época.
O Coupé tinha um design inspirado numa garrafa de Coca-Cola

Se as berlinas e station wagons garantiam a vertente familiar do Rekord, outras versões mostravam um lado bastante mais emocional.
O Rekord Coupé chegou na primavera de 1967 e assumiu inicialmente o lugar de topo da gama. Não tinha pilares B e apresentava uma traseira fastback que lhe conferia uma silhueta muito diferente da berlina.
As linhas da carroçaria seguiam aquilo que ficou conhecido como o desenho em forma de “garrafa de Coca-Cola”, com curvas pronunciadas sobre as rodas e uma zona central visualmente mais estreita.
No mesmo ano surgiu o Rekord Sprint. As faixas de competição e os faróis auxiliares denunciavam imediatamente as suas intenções.
O motor de quatro cilindros e 1,9 litros desenvolvia 106 cv e permitia acelerar dos 0 aos 100 km/h em 12,5 segundos, um desempenho respeitável para um automóvel desta categoria em 1967.
Mas ainda estava longe de ser o Rekord C mais radical.
O “Black Widow” nasceu quase às escondidas da própria Opel
Em 1968 apareceu um Rekord muito diferente de todos os outros.
Conhecido como “Black Widow”, este automóvel de competição do Grupo 5 nasceu a partir de um Rekord 1900 S e foi desenvolvido pelo designer da Opel Anatol Lapine e por alguns colegas.
A parte mais curiosa da história é que, segundo a própria Opel, o projeto foi realizado sem o conhecimento oficial do Conselho de Administração da marca.
Os engenheiros instalaram dois carburadores duplos e levaram o motor de quatro cilindros até aos 180 cv, praticamente o dobro da potência do automóvel de série. A transmissão foi reforçada e o chassis recebeu igualmente várias modificações.
O resultado não demorou a aparecer.
Na sua segunda participação numa corrida, em Hockenheim, em 1968, o Rekord conduzido por Erich Bitter conseguiu a volta mais rápida, apesar da forte concorrência da Porsche.
O Rekord C também teve sucesso nos ralis. O piloto sueco Lille-Bror Nasenius terminou como vice-campeão europeu em 1967 ao volante do modelo.
Houve até um Opel Rekord C descapotável

A quantidade de derivações do Rekord C não terminou no Coupé e nas versões de competição.
A gama contou ainda com o Rekord Sport Cabriolet, um descapotável de quatro lugares construído pelo carroçador Karl Deutsch, de Colónia.
O Rekord C serviu também de base ao Opel Commodore A, lançado em 1967 para ocupar uma posição superior na gama. O Commodore preenchia o espaço existente entre o Rekord e os modelos de topo Opel Kapitän e Admiral.
Era uma gama extraordinariamente diversificada para a época, permitindo que a mesma base desse origem a propostas familiares, comerciais, desportivas e até descapotáveis.
O primeiro Opel a ultrapassar um milhão

Toda esta variedade ajudou a transformar o Rekord C num enorme sucesso comercial.
Quando deixou de ser produzido, em dezembro de 1971, mais de 1,25 milhões de unidades tinham saído das linhas de produção.
Nunca antes um modelo da Opel tinha ultrapassado a marca de um milhão de exemplares. O Rekord C tornou-se assim no primeiro “milionário” da fabricante alemã e estabeleceu um novo recorde para os seus modelos de gama média.
O impacto do automóvel acabaria, contudo, por ultrapassar o próprio mundo dos carros.
O mesmo Opel em duas capas dos Die Toten Hosen, separadas por 43 anos

Há uma curiosidade particularmente apropriada para o 60.º aniversário do Rekord C.
Em 1983, a banda alemã de punk rock Die Toten Hosen colocou um Rekord C Caravan na capa do seu álbum de estreia, “Opel-Gang”.
Mais de quatro décadas depois, o automóvel voltou a aparecer.
Em 2026, a banda escolheu novamente um Rekord C station wagon para a capa do álbum “Trink aus! Wir müssen gehen”. São 43 anos a separar as duas capas, mas o protagonista automóvel é o mesmo.
É também uma demonstração da dimensão cultural alcançada por um modelo que começou por ser simplesmente o automóvel de gama média da Opel.
Sessenta anos depois da apresentação, o Rekord C continua a ser recordado pelo design, pela diversidade de versões e pelas histórias que acumulou dentro e fora das estradas.
E permanece associado a um marco que nenhum Opel tinha conseguido antes dele: foi o primeiro modelo da marca a ultrapassar um milhão de unidades produzidas.
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