O mítico 2CV vai renascer em versão elétrica em 2028, com preço abaixo de 15 mil euros e produção em Itália. A Citroën confirma o regresso do ícone ao Salão de Paris 2026, prometendo manter o caráter popular do original, agora sem emissões.

A Stellantis tornou oficial o que até agora eram apenas rumores: o Citroën 2CV, um dos automóveis mais amados da história, vai voltar à estrada numa versão totalmente elétrica, confirmou o grupo, depois de ter deixado “escapar” que tinha na manga um E-Car https://www.standvirtual.com/diarioautomovel/stellantis-preve-pequenos-eletricos-na-europa-por-menos-de-15-000e .

A revelação aconteceu durante o Investor Day do grupo, em Auburn Hills (EUA), no âmbito do plano estratégico FaSTLAne 2030. E sabe-se agora que o modelo já mostrado numa primeira imagem “teaser” estará pronto para produção em 2028, com um preço de referência de cerca de 15 mil euros.

A revelação ao vivo será ainda neste ano, estando calendarizada para o Salão de Paris, que se realiza entre os dias 12 e 18 de outubro, ainda em versão protótipo.

Herança viva: de Mangualde para o mundo

Produzido entre 1949 e 1990, o 2CV ultrapassou os cinco milhões de unidades vendidas. Em Portugal, a fábrica de Mangualde foi a última a manter a produção ativa, após o encerramento da linha francesa de Levallois em 1988. O último exemplar saiu da fábrica portuguesa a 27 de julho de 1990. Agora, o “carro do povo” francês prepara um regresso que promete emocionar os puristas e conquistar uma nova geração de condutores urbanos.

Estrategicamente, o novo 2CV integrará a categoria E-Car, lançada pela Comissão Europeia com a ideia de haver pequenos veículos elétricos europeus com custos controlados. Para tal, Bruxelas criará a classe M1E, que oferecerá “supercréditos” de emissões aos fabricantes que apostarem em modelos compactos e acessíveis. O objetivo é também dotar a indústria do Velho Continente de capacidade para combater a invasão dos construtores chineses com um produto genuinamente europeu, barato e com identidade.

Xavier Chardon, diretor-executivo da Citroën, resumiu a ambição: “Oitenta anos depois do original, o novo 2CV vai democratizar a mobilidade elétrica.”

Linhas retro e tecnologia moderna

O teaser já divulgado revela uma silhueta fiel ao espírito do clássico: capô arredondado, faróis circulares e para-lamas destacados. O design está sob a responsabilidade de Pierre Leclercq, diretor de estilo da marca, que promete uma reinterpretação moderna sem cair no pastiche. A filosofia original , “quatro rodas debaixo de um guarda-chuva” , será traduzida em máxima simplicidade, robustez e conforto de suspensão.

A base técnica será a nova plataforma STLA One, modular e escalável, partilhada com o futuro Fiat Panda elétrico. As baterias serão do tipo LFP (lítio-ferro-fosfato), mais económicas e seguras. O objetivo é triplicar a quota da Stellantis no mercado europeu de elétricos até ao final da década.

A fábrica escolhida é a de Pomigliano d’Arco, na região de Nápoles (Itália), onde atualmente se produz o Fiat Panda híbrido e o Alfa Romeo Tonale. A unidade tem capacidade para cerca de 300 mil veículos por ano, o que garante escala para cumprir a promessa de preço baixo. O novo 2CV será um dos sete lançamentos da Citroën até 2030, ao lado de modelos como o C3 elétrico e outros inéditos.

Concorrência direta com Renault 5 e Fiat Panda

A aposta no revivalismo elétrico já é uma tendência consolidada. A Renault lançou o R5 E-TECH e o 4 E-TECH; a Fiat, depois do 500, apresentou o Grande Panda elétrico. A Citroën não quer ficar atrás. O regresso do 2CV é, provavelmente, a resposta da marca francesa a esta nova era de carros com história, mas com motorizações limpas e preços democratizados.

Com um custo abaixo dos 15.000 euros, o novo 2CV elétrico posicionar-se-á como um dos veículos mais acessíveis do mercado europeu; uma proposta que quer ser capaz de repetir o sucesso do original que, no pós-guerra, levou mobilidade e liberdade a milhões de famílias.

Leia também:

Leia também