A bateria de alta tensão é o componente mais valioso de um carro elétrico e um dos fatores que mais influencia o seu valor em segunda mão. Ao contrário do motor de um automóvel a combustão, o desgaste da bateria não é visível a olho nu, mas pode traduzir-se numa autonomia bastante inferior à anunciada quando o veículo era novo. Antes de comprar um elétrico usado, vale a pena perceber como avaliar a bateria e que informações deve pedir ao vendedor.
Bateria de alta tensão num carro elétrico usado
Quando se compra um carro elétrico usado, é natural que a atenção recaia sobre a quilometragem, o estado da carroçaria ou o histórico de manutenção. No entanto, nenhum destes elementos tem tanto impacto na experiência de utilização como a bateria de alta tensão.
É ela que determina a autonomia disponível, os tempos de carregamento e, em muitos casos, o próprio valor de mercado do veículo. Uma bateria em bom estado permite manter um desempenho muito próximo do original; uma bateria degradada pode reduzir significativamente a autonomia e influenciar o custo de utilização no dia a dia.
A boa notícia é que existem hoje várias formas de avaliar o estado da bateria antes de fechar negócio.
Porque é que a bateria perde capacidade?
Tal como acontece com qualquer bateria de iões de lítio, a capacidade diminui gradualmente com o tempo. Trata-se de um processo natural que resulta da utilização e do próprio envelhecimento dos materiais que compõem as células.
Existem dois fatores principais que influenciam essa degradação. O primeiro é o número de ciclos de carga e descarga realizados ao longo da vida do veículo. O segundo é o chamado envelhecimento por calendário, que ocorre mesmo quando o automóvel percorre poucos quilómetros.
A forma como o veículo foi utilizado também faz diferença. Permanecer durante longos períodos com a bateria totalmente carregada ou quase descarregada, recorrer frequentemente ao carregamento rápido em corrente contínua ou expor o automóvel a temperaturas muito elevadas pode acelerar a perda de capacidade.
Ainda assim, as baterias atuais apresentam uma durabilidade elevada. A maioria dos fabricantes oferece garantias de oito anos ou cerca de 160.000 quilómetros, comprometendo-se normalmente a reparar ou substituir a bateria caso a sua capacidade desça abaixo de um determinado limite, habitualmente situado nos 70%.
Como verificar o estado da bateria antes de comprar

O indicador mais importante chama-se State of Health (SoH), ou estado de saúde da bateria.
Este valor é apresentado em percentagem e indica quanta capacidade útil a bateria ainda conserva relativamente ao momento em que saiu de fábrica.
Por exemplo, uma bateria com capacidade original de 60 kWh e um SoH de 85% dispõe atualmente de cerca de 51 kWh utilizáveis. Na prática, isso traduz-se numa autonomia inferior à de um veículo novo.
Existem várias formas de conhecer este valor antes da compra:
- solicitar um diagnóstico oficial na rede da marca;
- recorrer a oficinas especializadas em veículos elétricos;
- utilizar aplicações compatíveis com determinados modelos através da porta OBD;
- pedir ao vendedor um relatório ou certificado do estado da bateria, caso exista.
Sempre que possível, vale a pena investir neste diagnóstico. O seu custo é reduzido quando comparado com o valor de uma eventual substituição da bateria.
O que observar durante o test-drive
O ensaio em estrada também permite identificar alguns sinais importantes.
Durante o test-drive, confirme se surgem mensagens de erro relacionadas com a bateria ou com o sistema de carregamento e verifique se a entrega de potência é consistente durante acelerações mais intensas.
Observe igualmente a autonomia estimada apresentada pelo computador de bordo, mas evite compará-la diretamente com a autonomia WLTP anunciada quando o carro era novo. Essa estimativa depende de fatores como a temperatura exterior, o estilo de condução recente e o percurso realizado anteriormente, pelo que não constitui, por si só, um indicador fiável do estado da bateria.
Na inspeção visual, examine ainda a tomada de carregamento e respetivos conectores, procurando sinais de corrosão, danos ou desgaste excessivo. Se possível, confirme também que o veículo recebeu as atualizações de software recomendadas pelo fabricante, uma vez que alguns modelos beneficiaram de melhorias na gestão da bateria ao longo da sua vida útil.
A garantia da bateria ainda está ativa?

Antes de avançar para a compra, confirme junto do vendedor se a garantia da bateria continua válida e se pode ser transferida para o novo proprietário.
Na maioria das marcas, a garantia acompanha o veículo, desde que tenham sido cumpridos os planos de manutenção previstos pelo fabricante. Ainda assim, convém confirmar esta informação junto da marca ou de um concessionário oficial.
Caso o veículo já esteja fora da garantia, algumas empresas especializadas disponibilizam garantias comerciais específicas para baterias de carros elétricos usados. Embora representem um custo adicional, podem oferecer maior tranquilidade, sobretudo em modelos mais antigos.
Vale a pena pedir um diagnóstico antes da compra?
Sempre que possível, sim.
Um diagnóstico efetuado por uma oficina especializada ou pela rede oficial da marca permite conhecer o verdadeiro estado da bateria e reduz significativamente o risco de surpresas após a compra.
Da mesma forma que é aconselhável realizar uma inspeção mecânica antes de adquirir um automóvel usado com motor de combustão, também nos veículos elétricos faz sentido confirmar o estado do componente mais caro e importante do conjunto.
Se estiver a ponderar adquirir um elétrico em segunda mão, vale ainda a pena consultar o nosso artigo sobre comprar um carro elétrico usado: bom ou mau negócio?, bem como a nossa checklist para comprar um carro usado, onde encontrará outros aspetos essenciais a verificar antes de fechar negócio.
Qual é um bom estado de saúde para uma bateria usada?
Não existe um valor universal, mas um State of Health (SoH) igual ou superior a 80% é geralmente considerado um bom indicador para um carro elétrico usado. Entre 70% e 80%, o veículo continua a responder às necessidades de muitos condutores, sobretudo em utilização urbana, embora com uma autonomia inferior à original.
Abaixo dos 70%, é importante que o preço reflita essa degradação e que o comprador avalie cuidadosamente se a autonomia disponível corresponde às suas necessidades diárias.
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