Apresentado no outono de 2025, o espetacular SC40 não veio para substituir o mítico F40, mas celebrar a sua ousadia, a sua busca pela leveza e a sua entrega à pura performance. Trata-se de um modelo único, uma peça de colecionador criada a pedido por um cliente anónimo e materializada pelo Centro de Estilo da marca de Maranello, liderado por Flavio Manzoni.

A sua missão era clara: criar uma ponte emocional com o lendário F40, o último carro aprovado por Enzo Ferrari, sem cair na réplica fácil. Daí que quem esteja à espera de encontrar, neste superdesportivo, laivos de um F40 do século XXI possa ficar até desiludido.

Filosofia do F40, base do 296 GTB

Vista lateral da Ferrari SC40 em branco, com a tampa do motor aberta

O SC40 é, na base, um 296 GTB, mas a sua carroçaria foi tão profundamente “resculpida” que a origem se torna irreconhecível. A ligação ao passado estabelece-se através de proporções e detalhes. A silhueta é dominada por uma asa traseira fixa, alta e imponente, pintada num branco exclusivo batizado de ‘Branco SC40’, que imediatamente evoca a atitude radical do modelo dos anos 80.

Os elos com a história não são óbvios, mas subtis. As entradas de ar laterais são uma reinterpretação moderna dos icónicos dutos NACA do F40, agora emolduradas por fibra de carbono. Na traseira, a grelha que revela a mecânica é protegida por persianas em Lexan fumado, um material que recusa a transparência total, tal como no seu antepassado. Até a inscrição ‘Charge’, localizada no depósito de combustível visível atrás do condutor, é um pequeno tributo que reforça a ligação à sua base mecânica.

Alma híbrida de um V6

Aqui reside a maior ruptura com o passado. Enquanto o F40 era um puro-sangue de combustão, com um visceral V8 biturbo, o SC40 abraça sem hesitação a era híbrida. Herdou integralmente a mecânica do 296 GTB, o que significa que sob a sua carroçaria única bate um coração V6 a 120° twin-turbo, apoiado por um motor elétrico. A potência combinada ronda os formidáveis 830 cv, garantindo uma performance que deixa o legado do F40 a uma distância considerável: dos zero aos 100 km/h em meros 2,9 segundos e uma velocidade máxima que ultrapassa a barreira dos 330 km/h.

O interior voltado para o futuro

Se o exterior dá pistas do F40 à distância, o interior permite tocar no seu legado. O material de eleição é o carbono-Kevlar, uma homenagem direta aos compostos de Kevlar que tornaram o F40 tão pioneiro e leve. Este material reveste os apoios de pés, áreas do tablier e até o aro do volante. Os bancos, por sua vez, combinam Alcantara num tom carvão com um tecido técnico Jacquard em vermelho, criando um ambiente de cabine que é simultaneamente desportivo e luxuoso. O logotipo ‘SC40’ está entrançado nos encostos, um detalhe discreto que afirma a sua identidade única.

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