O Diesel, que durante décadas foi uma das motorizações preferidas dos portugueses, está a perder protagonismo no mercado de automóveis novos. Em junho de 2026, os veículos a gasóleo representaram apenas 3% das matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal, enquanto os automóveis 100% elétricos lideraram com uma quota de 29%. Os números são do relatório Market Insights do Standvirtual e mostram uma transformação profunda nas escolhas dos consumidores.
O mercado automóvel português continua a crescer, mas a distribuição das motorizações está muito diferente daquela que marcou as últimas décadas.
Os automóveis elétricos e híbridos ganharam espaço, enquanto os motores exclusivamente a combustão perderam importância nas novas matrículas.
A mudança é particularmente evidente no caso do gasóleo, que já representa uma pequena parte dos automóveis novos matriculados no país.
Apenas 3 em cada 100 carros novos são Diesel

Segundo o relatório Market Insights do Standvirtual, elaborado com dados da Motordata.pt, ACAP e IMT, os automóveis a gasóleo representaram apenas 3% das matrículas de ligeiros de passageiros novos em junho de 2026.
É uma quota muito reduzida para uma motorização que, durante anos, esteve entre as mais procuradas no mercado nacional.
A comparação com as restantes tecnologias ajuda a perceber a dimensão da mudança.
Os automóveis 100% elétricos lideraram as matrículas de junho, com 29% de quota de mercado. Seguiram-se os híbridos, com 24%, e os veículos a gasolina, com 21%.
Os híbridos plug-in representaram 14% das matrículas.
Isto significa que os automóveis elétricos e híbridos, considerados em conjunto, já concentram uma parte maioritária do mercado de veículos novos.
O Diesel, pelo contrário, ficou reduzido a uma presença residual nas novas matrículas desse mês.
Os elétricos já vendem quase dez vezes mais do que os Diesel
A diferença entre as duas motorizações é particularmente expressiva.
Em junho, os automóveis 100% elétricos alcançaram uma quota de 29%, contra apenas 3% dos veículos a gasóleo.
Em termos proporcionais, a representatividade dos elétricos foi quase dez vezes superior à dos Diesel.
Esta diferença mostra até que ponto o mercado de automóveis novos se alterou.
Os elétricos deixaram de ocupar uma posição secundária e passaram a liderar as matrículas mensais, ultrapassando também os veículos a gasolina e os híbridos convencionais.
O relatório identifica esta evolução como parte de uma transformação energética do setor automóvel português, marcada pelo crescimento das tecnologias eletrificadas.
Mercado de carros novos cresceu mais de 10% no primeiro semestre
A perda de importância do Diesel acontece num contexto de crescimento do mercado automóvel.
De acordo com o relatório do Standvirtual, foram matriculados 136.863 automóveis ligeiros de passageiros novos em Portugal entre janeiro e junho de 2026.
Este resultado representa um crescimento de 10,5% face ao mesmo período de 2025, quando tinham sido registadas 123.851 unidades.
Junho foi particularmente positivo, com 26.316 matrículas, mais 13,8% do que no mesmo mês do ano anterior.
O resultado também ficou 3,9% acima do registado em junho de 2019, antes da pandemia.
Ou seja, a redução da quota do gasóleo não acontece num mercado em contração, mas num setor que continua a registar crescimento nas novas matrículas.
A diferença está nas motorizações que estão a ganhar maior peso.
Portugal está entre os mercados europeus com maior peso dos elétricos
A comparação internacional apresentada no relatório permite perceber que Portugal está numa posição de destaque na transição para a mobilidade elétrica.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, os automóveis 100% elétricos representaram 24,5% das matrículas de ligeiros de passageiros novos em Portugal.
Em Espanha, a quota dos elétricos ficou pelos 9,5%, enquanto no Reino Unido atingiu 23,9%.
A Noruega continua a ser um caso à parte, com 98,1% das novas matrículas correspondentes a veículos totalmente elétricos.
No caso do gasóleo, Portugal registou uma quota de 3,8% no conjunto dos primeiros seis meses do ano, abaixo dos 8,9% de Espanha e dos 4,8% do Reino Unido.
Estes números ajudam a distinguir o resultado específico de junho, em que o Diesel representou apenas 3%, da média acumulada do semestre.
Mas nos carros usados o Diesel continua a dominar
A situação muda significativamente quando analisamos o mercado de automóveis usados.
Segundo os dados do Standvirtual, os veículos a gasóleo representaram 42,59% da procura por tipo de combustível no primeiro semestre de 2026.
Apesar de continuar a liderar, esta quota está a diminuir.
No mesmo período de 2025, os automóveis Diesel concentravam 49,22% da procura, o que significa uma redução de 6,63 pontos percentuais num ano.
Em contrapartida, os automóveis 100% elétricos passaram de 11,5% para 17,3% da procura, enquanto os veículos a gasolina mantiveram uma quota próxima dos 30%.
A diferença entre os dois mercados é evidente. Nos automóveis novos, o gasóleo representa uma pequena parte das matrículas. Nos usados, continua a ser a motorização mais procurada.
Esta distinção é importante porque os números de matrículas de veículos novos não permitem concluir que os portugueses tenham deixado de procurar automóveis Diesel em segunda mão.
A oferta de usados a gasóleo também está a diminuir

A transformação do mercado não se limita à procura.
No primeiro semestre de 2025, os automóveis Diesel representavam 46,33% da oferta de veículos usados no Standvirtual.
Um ano depois, essa quota desceu para 41,94%, uma redução de 4,39 pontos percentuais.
Os automóveis a gasolina mantiveram uma presença significativa, com 36,18% da oferta.
Já os elétricos aumentaram a sua representatividade de 7,89% para 10,27%, enquanto os híbridos plug-in passaram de 5,94% para 8,11%.
Os dados mostram que a composição dos anúncios está a mudar gradualmente, embora o Diesel continue a ocupar a maior parcela da oferta de usados.
O fim do Diesel está próximo?
Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram que o gasóleo perdeu grande parte da sua importância no mercado de automóveis novos em Portugal.
Contudo, isso não significa que os veículos Diesel estejam prestes a desaparecer das estradas portuguesas.
O mercado de usados apresenta uma realidade diferente, com uma presença ainda muito significativa desta motorização, tanto na oferta como na procura.
Além disso, o relatório não permite determinar quando, ou se, o gasóleo deixará de ter expressão comercial no mercado nacional.
O que os dados confirmam é uma mudança clara nas novas matrículas.
Em junho de 2026, apenas 3% dos ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal eram Diesel, enquanto os elétricos alcançaram 29%.
É uma diferença que ilustra a velocidade da transformação do mercado automóvel português e a distância crescente entre as preferências refletidas nas matrículas de carros novos e a realidade do mercado de segunda mão.
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