Portugal importou 67.264 automóveis ligeiros de passageiros nos primeiros seis meses de 2026, um crescimento de 16,3% face ao mesmo período do ano anterior. Mas o dado mais surpreendente do relatório Market Insights do Standvirtual está no tipo de veículos que chegam ao país: 44% dos automóveis importados já são eletrificados, incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in.
A importação de automóveis continua a ganhar importância no mercado português. Os dados do primeiro semestre de 2026 mostram não apenas um aumento significativo do número de veículos provenientes de outros mercados europeus, mas também uma transformação na composição das motorizações.
O gasóleo, durante muitos anos dominante entre os automóveis importados, representa agora apenas 27% do total. A gasolina mantém uma quota de 29%, enquanto as motorizações eletrificadas, consideradas em conjunto, já lideram este mercado.
Mais de 67 mil carros importados em apenas seis meses
Segundo o relatório Market Insights do Standvirtual, elaborado com dados da Motordata.pt, ACAP e IMT, Portugal registou 67.264 matrículas de ligeiros de passageiros importados entre janeiro e junho de 2026.
No mesmo período de 2025 tinham sido registadas 57.852 unidades, o que representa um crescimento homólogo de 16,3%.
Em termos absolutos, significa que entraram no mercado português mais 9.412 automóveis importados do que nos primeiros seis meses do ano anterior.
Os números confirmam a importância crescente da importação na oferta automóvel nacional, num mercado em que os veículos provenientes de outros países europeus continuam a representar uma alternativa para os consumidores.
Junho confirma a tendência de crescimento

O último mês do semestre também apresentou resultados positivos.
Em junho de 2026 foram matriculados 10.649 ligeiros de passageiros importados, contra 8.888 no mesmo mês de 2025.
Esta evolução representa um crescimento de 19,8% em apenas um ano.
A comparação com 2019, último ano completo antes da pandemia, revela uma transformação ainda mais expressiva.
Nesse mês de junho tinham sido matriculados 5.557 automóveis importados. Sete anos depois, o volume aumentou 91,6%, aproximando-se do dobro.
É precisamente esta evolução que leva o relatório do Standvirtual a destacar o crescimento das importações face ao período anterior à pandemia.
Quase metade dos carros importados já são eletrificados
O crescimento do número de importações é apenas uma parte da história.
A principal transformação está na distribuição dos veículos por tipo de motorização.
Segundo o relatório, os automóveis eletrificados representam 44% do total importado em 2026, considerando conjuntamente os veículos 100% elétricos, híbridos e híbridos plug-in.
Este conjunto de motorizações ultrapassa, assim, tanto a gasolina como o gasóleo.
Os automóveis a gasolina representam 29% das importações, enquanto os modelos a gasóleo ficam pelos 27%.
A diferença é particularmente relevante quando se considera a importância histórica dos motores Diesel no mercado português de automóveis usados.
Embora o relatório não apresente, nesta análise, a distribuição individual dos 44% pelas três tecnologias eletrificadas, os números demonstram que estas motorizações já representam a maior parcela das importações.
Importa, contudo, distinguir os diferentes tipos de eletrificação. Um automóvel 100% elétrico utiliza exclusivamente energia armazenada na bateria para se deslocar. Já os híbridos e híbridos plug-in combinam um motor de combustão com um sistema de propulsão elétrica, embora com características e possibilidades de carregamento diferentes.
O gasóleo já não domina os carros que chegam do estrangeiro
Durante muitos anos, os automóveis Diesel tiveram um peso particularmente elevado no mercado português, incluindo entre os veículos usados importados.
Os dados apresentados pelo Standvirtual mostram agora uma realidade diferente.
Com uma quota de 27%, o gasóleo fica atrás da gasolina, que representa 29%, e bastante distante do conjunto das motorizações eletrificadas, que atingem os 44%.
O relatório identifica esta evolução como uma mudança na composição energética das importações.
Isto não significa que os veículos a combustão tenham deixado de ser relevantes. Somadas, a gasolina e o gasóleo continuam a representar 56% dos automóveis importados.
No entanto, a liderança individual que os motores Diesel tiveram durante muitos anos já não se verifica nesta distribuição.
A eletrificação começa, assim, a ganhar um papel central também nos automóveis que chegam a Portugal através do mercado de importação.
O mercado de importados está a mudar

A análise do Standvirtual permite identificar duas tendências que decorrem em simultâneo.
A primeira é o aumento do volume de automóveis importados, que cresceu 16,3% no primeiro semestre e quase duplicou em junho quando comparado com o mesmo mês de 2019.
A segunda é a alteração das motorizações presentes nesse mercado, com os veículos eletrificados a conquistarem uma quota conjunta de 44%.
Esta evolução mostra que a transição para a mobilidade eletrificada não está limitada ao mercado de automóveis novos vendidos originalmente em Portugal.
Também os veículos provenientes de outros mercados europeus estão a contribuir para alterar a composição do parque automóvel nacional.
Os dados não permitem concluir, por si só, quais são os principais motivos que levam os portugueses a escolher um automóvel importado, nem identificar as marcas e os modelos responsáveis pelo crescimento registado neste segmento.
Ainda assim, os resultados mostram que a importação continua a crescer e que a eletrificação já representa uma parte muito significativa desse movimento.
O que revelam estes números sobre o futuro do mercado português?
O primeiro semestre de 2026 deixa um retrato claro da evolução das importações de automóveis em Portugal.
Em seis meses, foram matriculados mais de 67 mil ligeiros de passageiros provenientes de outros mercados, com um crescimento de dois dígitos face ao ano anterior.
Ao mesmo tempo, os veículos eletrificados já representam quase metade desse volume, ultrapassando individualmente as motorizações a gasolina e a gasóleo.
O mercado continua a receber uma maioria de automóveis com motores de combustão, mas a distribuição está a mudar.
Se esta tendência se mantiver nos próximos meses, a importação poderá continuar a desempenhar um papel importante na renovação da oferta automóvel em Portugal, com um peso crescente dos modelos eletrificados.
Para já, os números do Standvirtual confirmam uma mudança significativa: importar um automóvel já não é um fenómeno dominado pelo Diesel, e a eletrificação está cada vez mais presente nos veículos que chegam ao país.
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