Quando um veículo sofre danos severos por fenómenos meteorológicos extremos como inundações ou queda de árvores, muitas pessoas ficam sem saber quem realmente arca com os prejuízos: o proprietário, o seguro, o município ou outro interveniente. A passagem de uma depressão como a Cláudia por Portugal evidenciou precisamente estas situações, com veículos danificados pela chuva intensa, vento e árvores que cedem. Neste artigo abordamos as duas hipóteses, carros inundados e carros atingidos por queda de árvores, e explicamos de forma clara e prática quem pode pagar os prejuízos, o que cobre o seguro automóvel em Portugal e quais os passos prudentes a seguir em caso de sinistro.

Seguro automóvel e fenómenos da natureza

Importa começar por compreender que tipo de cobertura se tem quando se subscreve um seguro automóvel. O seguro obrigatório de responsabilidade civil cobre danos causados a terceiros, mas não cobre, por si só, os danos que o próprio veículo sofra em consequência de fenómenos da natureza como inundações ou queda de árvores.

Para que o veículo esteja efetivamente protegido nestas situações, é necessário que a apólice inclua cobertura de danos próprios ou fenómenos da natureza. Esta cobertura garante a reparação ou indemnização de danos provocados por condições meteorológicas adversas, como tempestades, aluimentos de terras ou cheias.

Em qualquer dos dois cenários, inundação ou árvore caída, a verificação da apólice é essencial. Sem cobertura adequada, o prejuízo poderá recair integralmente sobre o proprietário.

Carros inundados

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A causa e o contexto

Em caso de chuvas intensas, como as que marcaram a depressão Cláudia, o veículo pode ficar submerso, com componentes eléctricos e motor comprometidos. Em zonas urbanas onde o escoamento é insuficiente, o risco é elevado. Estes danos apenas estão cobertos se a apólice do seguro automóvel incluir especificamente a cobertura para fenómenos da natureza.

Quem paga

Se o condutor tiver contratado essa cobertura, pode accionar o seguro e obter indemnização. Caso contrário, o seguro obrigatório não cobre. Se a inundação tiver ocorrido por falha na manutenção de infraestruturas públicas, como sarjetas entupidas, poderá haver lugar a responsabilidade da autarquia, mas será sempre necessário provar negligência.

O que fazer

Fotografar de imediato o local, o nível da água e os danos. Contactar a seguradora rapidamente e registar a ocorrência junto das autoridades. Guardar faturas e orçamentos. Confirmar na apólice se a cobertura por fenómenos da natureza está ativa.

Limitações e incertezas

Mesmo havendo cobertura, a seguradora pode aplicar franquia ou exclusões. Em zonas de risco ou com aviso meteorológico, poderá haver recusa de indemnização se o veículo foi ali estacionado deliberadamente.

Carros destruídos por queda de árvores

carro destruído por queda de árvore

A causa e o contexto

Durante fenómenos como a depressão Cláudia, o vento forte provocou a queda de árvores em vários pontos do país. Estes casos causam danos estruturais graves aos veículos e colocam questões de responsabilidade civil.

Quem paga

Se a árvore estiver em espaço público e for provada negligência da autarquia, por falta de manutenção ou aviso, poderá haver responsabilidade. Se for em propriedade privada, o proprietário pode ser responsabilizado.

Se o seguro automóvel tiver cobertura para fenómenos da natureza ou danos próprios, os prejuízos podem ser assumidos pela seguradora, independentemente de haver ou não responsável identificado.

O que considerar

É essencial saber se a árvore se encontrava em via pública ou terreno privado. Verificar se havia sinais de perigo visíveis ou conhecimento prévio da situação. A responsabilização exige prova concreta.

Procedimentos práticos

Fotografar a árvore, o local e os danos. Chamar autoridade, PSP, GNR ou Proteção Civil. Notificar a seguradora. Apresentar um requerimento à entidade gestora da árvore, se aplicável. Guardar todos os documentos.

Limitações e incertezas

Mesmo com a árvore em via pública, pode não haver indemnização se o evento for considerado imprevisível ou inevitável. O processo pode ser moroso. A seguradora pode recusar cobertura se a apólice não estiver ajustada ou se o local de estacionamento for considerado imprudente.

O caso da depressão Cláudia

A depressão Cláudia provocou mais de 1300 inundações em poucos dias, segundo a Proteção Civil. Carros submersos foram registados em Sesimbra, Seixal e noutras localidades. Apesar da dimensão do fenómeno, a indemnização depende sempre do tipo de cobertura contratada e do contexto específico de cada sinistro.

No caso das árvores, há registo de vários processos de indemnização em curso, com responsabilidades atribuídas a autarquias, desde que comprovada falta de manutenção.

Que passos seguir se o seu carro for afetado por intempéries

  • Verifique se tem cobertura de fenómenos da natureza ou danos próprios na sua apólice
  • Em caso de danos, fotografe e registe tudo
  • Notifique o seguro o quanto antes e junte provas
  • Se houver responsabilidade de terceiro, prepare um pedido fundamentado
  • Guarde orçamentos, faturas e comunicações
  • Evite zonas de risco durante avisos meteorológicos
  • Esteja preparado para tempos de espera e processos complexos

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