A Audi confirmou que vai apresentar, no outono de 2026, o novo A2 e-tron. O modelo chega para substituir na gama os atuais A1 e Q2, marcando o regresso de um nome que, entre 1999 e 2005, se tornou num ícone de arquitetura leve e design arrojado, mas agora com uma abordagem radicalmente diferente: 100% elétrica.
A marca dos quatro anéis já revelou alguns dos dados técnicos mais relevantes, e as primeiras informações apontam para um modelo que coloca a eficiência energética no centro do projeto. O A2 e-tron será oferecido com duas famílias de motores elétricos síncronos de ímanes permanentes: o APP350, disponível em versões de 170, 190 e 231 cv, e o APP550, que sobe aos 326 cv.
A versão de 190 cv, que deverá ser a mais procurada, integra uma bateria LFP (lítio-ferro-fosfato) com 61 kWh de capacidade, montada em arquitetura cell-to-pack , ou seja, sem módulos intermédios, o que permite maior densidade energética e melhor aproveitamento do espaço.
O consumo homologado anunciado pela Audi é de apenas 12,8 kWh/100 km, um valor notável que coloca o compacto alemão num patamar superior ao de rivais diretos. Para efeito de comparação, um Cupra Born de potência equivalente regista um consumo médio de 14,3 kWh/100 km. A marca prevê ainda uma versão com bateria de maior capacidade, cujos detalhes ainda não foram divulgados, e que deverá alcançar uma autonomia de 649 km.
Aerodinâmica afinada ao milímetro
Um dos pilares do novo A2 e-tron é a aerodinâmica. Com um coeficiente de resistência (Cx) de 0,24, o modelo supera claramente rivais como o Renault Mégane E-Tech (0,29) e aproxima-se dos valores típicos de modelos concebidos especificamente para reduzir o arrasto.
Para atingir este número, a Audi recorreu a um conjunto de soluções integradas. O design frontal arredondado e o tejadilho curvo contribuem para uma melhor penetração no ar, mas há mais: a grelha ativa pode fechar-se na maioria das situações, abrindo apenas quando é necessário arrefecer a bateria, durante carregamentos rápidos ou em condução desportiva. As duas condutas laterais no para-choques desviam o fluxo de ar à volta das rodas dianteiras, reduzindo a turbulência, enquanto os baixos do veículo estão praticamente totalmente carenados.
Segundo a Audi, este conjunto de soluções permite uma poupança de 0,9 kWh/100 km face a um veículo semelhante com uma aerodinâmica menos cuidada.
Propulsão e transmissão: a eficiência ao mais alto nível
A eletrónica de potência do A2 e-tron beneficia de semicondutores de carboneto de silício (SiC), uma tecnologia que reduz as perdas por calor em até 33 % face ao silício convencional. Esta escolha, aliada a um motor redesenhado para minimizar atritos internos, contribui para o baixo consumo anunciado.
Outro detalhe técnico de peso é a relação de transmissão de 10,2:1, significativamente mais longa do que a maioria dos concorrentes. Esta opção permite que o motor rode a baixas rotações em velocidade de cruzeiro, reduzindo o consumo em autoestrada , um dos cenários onde os veículos elétricos tendem a ser menos eficientes.
O modelo vai ainda além na integração energética, com suporte para carregamento bidirecional: a função V2L (vehicle-to-load) permite alimentar dispositivos externos, enquanto o V2H (vehicle-to-home) transforma o carro numa unidade de armazenamento doméstico, capaz de devolver energia à casa quando ligado a uma wallbox compatível.
Duas versões para perfis distintos
A gama do A2 e-tron estará organizada em dois níveis de equipamento: Attraction e Black Line. O primeiro, disponível apenas com o motor de 170 cv, inclui de série faróis LED, jantes de 19 polegadas, sistema de navegação, iluminação ambiente, controlo de cruzeiro adaptativo, assistente de tráfego cruzado traseiro e câmara de marcha-atrás.
Já a Black Line, que pode ser associada a qualquer dos quatro motores disponíveis, acrescenta faróis Matrix LED, porta da bagageira elétrica, vidros traseiros escurecidos, bancos desportivos e o kit estético S Line, conferindo ao modelo um carácter mais desportivo e sofisticado.
De Neckarsulm para Ingolstadt: a produção mantém-se na Alemanha
O Audi A2 original, produzido entre 1999 e 2005 na fábrica de Neckarsulm, media 3,83 metros de comprimento, oferecia quatro ou cinco lugares e uma bagageira com capacidade entre 350 e 390 litros, e esteve disponível com motores de combustão interna , gasolina e Diesel. Foi um dos primeiros automóveis de produção em série a utilizar carroçaria em alumínio, o que lhe conferiu um peso reduzido e um consumo excecionalmente baixo para a época.
O novo A2 e-tron manterá a produção em solo alemão: será fabricado na fábrica de Ingolstadt, a sede histórica da marca. A mudança de local reflete a nova realidade técnica do modelo, agora elétrico, com plataforma dedicada e tecnologias de última geração, mas mantém a ligação à tradição de engenharia alemã que sempre caracterizou o nome A2.
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