A Tesla divulgou dados de segurança utilizados no processo de aprovação nos Países Baixos, numa altura em que vários países europeus continuam a avaliar a utilização do sistema. A votação europeia está agendada para 6 de outubro, mas nada obriga a uma decisão final.
A votação sobre o FSD da Tesla, sistema de condução autónoma supervisionada, está marcada para 6 de outubro, depois de ter obtido aprovação nacional em seis países da União Europeia: Países Baixos, Lituânia, Estónia, Dinamarca, Bélgica e Eslovénia. E a empresa de Elon Musk parece decidida a ter luz verde no “velho continente”, tendo tornado público um dos elementos utilizados para apoiar a aprovação concedida nos Países Baixos, meses depois de já o ter partilhado com os todos os Estados-membros.
De acordo com a informação divulgada pela empresa, o FSD (Supervisionado) foi concebido para cumprir a regulamentação existente, designadamente a UN-R-171 DCAS e a informação agora divulgada ao público, através da rede social X, pretende servir como evidência de segurança.
A empresa afirma que, em comparação com a condução manual em veículos Tesla, o FSD (Supervisionado) reduz a ocorrência de acidentes graves em todas as classes de estrada. Os dados, relativos a três mil milhões de quilómetros percorridos em 2025, apontam para reduções de 45% em autoestradas, 69% em vias não urbanas, 50% em zonas urbanas e 40% em estradas locais.
A Tesla indica também reduções de até 84% nas ativações da travagem automática de emergência e de até 81% nas travagens bruscas, quando comparadas com a condução manual em autoestradas e ruas urbanas. Nas mudanças de faixa, o sistema terá reduzido em 99% as colisões ligeiras em autoestradas e em 93% as colisões ligeiras fora das autoestradas. Estes valores resultam, segundo a empresa, da análise de 377 milhões de manobras realizadas pela frota.
Processo europeu continua em avaliação
Mas, apesar da vontade da Tesla, nada aponta para que o processo de viabilização venha a ser fácil ou facilitado. Até porque envolve várias instâncias de análise. O Comité Técnico dos Veículos a Motor desempenha um papel na harmonização das regras entre os Estados-membros, enquanto os reguladores nacionais avaliam o comportamento do sistema nas estradas europeias.
A reunião do Comité Técnico realizada a 30 de junho de 2026 foi descrita como uma sessão de discussão, sem decisão final. A próxima oportunidade de apreciação deverá ocorrer em outubro. A documentação disponibilizada não garante, contudo, que uma eventual decisão europeia seja tomada nessa altura, admitindo que o reconhecimento à escala da União Europeia possa ser adiado para 2027.
A aprovação neerlandesa, atribuída provisoriamente no início de abril, tornou os Países Baixos no primeiro país da União Europeia a permitir o uso do FSD (Supervisionado) nas suas estradas. O sistema pode controlar o veículo, mas exige que o condutor permaneça atento.
A Eslovénia tornou-se entretanto o sexto país a conceder aprovação nacional para clientes, já neste setembro. “O FSD Supervisionado está agora aprovado na Eslovénia. O lançamento começará em breve”, escreveu a Tesla numa publicação na rede social X, posteriormente partilhada pelo presidente-executivo da empresa, Elon Musk. Jernej Vrtovec, ministro esloveno da Energia e das Infraestruturas, também republicou a mensagem com as palavras “A desenvolver a Eslovénia”.
A Agência Eslovena de Segurança Rodoviária confirmou a aprovação e afirmou que o país pretende manter-se aberto à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, mas defendeu que as novas tecnologias devem ser introduzidas em condições de segurança. “O reconhecimento da aprovação temporária do tipo para o sistema FSD (Supervisionado) é um exemplo concreto de como as novas tecnologias podem ser gradualmente integradas no sistema de transportes sob supervisão regulamentar e de segurança adequada”, declarou a agência.
Países mantêm posições diferentes
Além dos seis países que já aprovaram o sistema para clientes, a Finlândia e a Grécia estarão a ponderar autorizações. A França, que levantou questões relacionadas com a segurança em julho, iniciou testes com dois veículos equipados com o FSD depois do que o seu ministro dos Transportes descreveu como uma “troca construtiva” com Musk.
Mas vários mercados de maior dimensão manifestaram preferência por uma decisão à escala da União Europeia, em vez de avançarem de forma unilateral. Os reguladores continuam a analisar a documentação técnica apresentada pela Tesla, com especial atenção aos controlos de velocidade, aos testes em condições de inverno, como neve, chuva ou nevoeiro, e à supervisão obrigatória por parte do condutor.
A Tesla afirma que o FSD (Supervisionado) conduz à velocidade do trânsito envolvente ou abaixo dela em 98% do tempo. A empresa indica ainda uma redução de 67% nos episódios de fadiga do condutor em autoestrada face à condução manual.
Nos testes divulgados, os veículos de engenharia da Tesla terão percorrido 1,6 milhões de quilómetros sem colisões graves ou ligeiras atribuídas ao sistema. O FSD (Supervisionado) terá também completado mais de 230 mil testes de cenários em vários países e condições, com uma taxa de sucesso próxima de 98%. A empresa refere que essa taxa se manteve semelhante em situações de chuva, nevoeiro, durante o dia e à noite.
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