O novo Audi A2 e-tron recupera o espírito do original de 1999, com o mesmo perfil monovolume, o vidro traseiro bipartido e a mesma obsessão pela aerodinâmica. E propõe uma ideia diferente de premium.

Com um menor nível de complexidade e, consequentemente, controlados custos de construção, a eficiência do novo A2 e-tron começa na fábrica. Montado na mesma linha do Audi A3, em Ingolstadt, reaproveita mais de 1.200 componentes de fabrico, como equipamentos de soldadura já existentes. A área de pré-montagem do chassis foi igualmente modernizada, com as antigas estações semiautomáticas de aparafusamento dos eixos a darem lugar a unidades robóticas totalmente automatizadas.

Estreia-se ainda o princípio de produção em “cadeia de pérolas”, que fixa a sequência de encomendas seis dias antes da montagem e reduz o armazenamento e o esforço de sequenciação. O fabricante alemão conseguiu assim reduzir o intervalo entre o início do desenvolvimento e o arranque da produção para apenas 21 meses , um desempenho notavelmente mais rápido do que em projetos anteriores.

Segundo Gernot Döllner, CEO da AUDI AG, este modelo representa “o próximo passo” na renovação da marca: “É o Audi mais eficiente que alguma vez construímos e torna a mobilidade elétrica viável para o dia a dia. Ao mesmo tempo, demonstra como estamos a implementar a nossa transformação na prática: desenvolvendo mais rapidamente, produzindo com maior eficiência e fortalecendo a criação de valor industrial e a competitividade na Alemanha.”

O Audi mais eficiente de sempre

O novo a2 e tron recupera o perfil monovolume e o vidro traseiro bipartido do modelo original de 1999

Baseado na mesma arquitetura técnica (MEB) do ID.3, o novo compacto elétrico de 5 portas apresenta-se como o modelo de produção mais eficiente da história da Audi, anunciando um consumo homologado de apenas 12,8 kWh/100 km na sua versão mais económica, com autonomias que chegam aos 646 km.

Esse resultado nasce de um conjunto de soluções integradas e inteligentes, pensadas ao detalhe. Por exemplo, se o original registava um impressionante coeficiente de arrasto (Cx) de 0,25, o e-tron, tirando partido da ausência de uma grelha frontal e recursos, como a entrada de ar de refrigeração controlável, o subchassis praticamente fechado e as jantes aerodinâmicas ou os chamados gap reducers (que estreitam a folga entre o pneu e a carroçaria) e os puxadores embutidos, fixa um índice de arrasto de apenas 0,24, o melhor alguma vez alcançado por um Audi no segmento compacto.

A isto junta-se uma nova geração de motores síncronos de ímanes permanentes com eletrónica de potência em carboneto de silício, uma transmissão com engrenagens polidas e óleos de baixa viscosidade, e quatro níveis de recuperação de energia, incluindo condução com um só pedal.

Quatro versões, três baterias

A oferta mecânica é composta por quatro variantes, todas de tração traseira e sem opção quattro. A versão de acesso debita 125 kW (170 cv), acelera dos 0 aos 100 km/h em 8,8 segundos e anuncia 160 km/h de velocidade máxima, com autonomia até 423 km. Segue-se a variante de 140 kW (190 cv), que cumpre o mesmo sprint em 7,9 segundos e mantém os 160 km/h, mas eleva a autonomia aos 515 km. A terceira proposta sobe para 170 kW (231 cv), faz dos 0 aos 100 km/h em 7,0 segundos e alcança 646 km de autonomia. No topo da gama, a versão de 240 kW (326 cv) acelera dos 0 aos 100 km/h em 5,7 segundos, atinge 200 km/h e oferece até 630 km com a bateria NMC de 84 kWh.

As baterias disponíveis são de 52, 61 e 84 kWh de capacidade bruta. As duas mais pequenas recorrem a células LFP em configuração cell-to-pack, enquanto a maior utiliza química NMC de desenho modular. O carregamento rápido vai até aos 183 kW, permitindo repor de 10% a 80% em 24 a 29 minutos conforme a versão. O sistema suporta ainda carregamento bidirecional, com funções vehicle-to-load (V2L) e vehicle-to-home (V2H), esta última, para já, apenas disponível na Alemanha, Áustria e Suíça.

O mmi panoramic display combina o audi virtual cockpit plus de 11,9 polegadas com um ecrã tátil curvo de 12,8 polegadas

Eficiência também por dentro

O interior segue a mesma filosofia. Apesar das dimensões compactas , 4.321 mm de comprimento, 1.791 mm de largura e 1.549 mm de altura, com 2.770 mm de distância entre eixos ,, o A2 e-tron oferece 396 litros de bagageira, que sobem para 1.336 litros com os bancos rebatidos, e um teto panorâmico de 1,6 metros quadrados, que inunda o habitáculo de luz. A consola central foi redesenhada para libertar espaço, com o seletor de velocidades a migrar para a coluna de direção e um novo tabuleiro com carregamento indutivo Qi 2.2 até 25 watts para dois smartphones.

A Audi estreia-se também como primeiro fabricante premium a incluir de série o sistema de fixação magnética Fidlock, e aposta numa filosofia de materiais assente na economia circular: mais de 300 componentes do A2 e-tron utilizam materiais reciclados, dos quais mais de 100 incorporam material pós-consumo, incluindo aço, alumínio e plásticos. O objetivo é reduzir a variedade de materiais em cada componente para facilitar a reciclagem no fim do ciclo de vida.

Um novo entendimento de premium

Talvez o único capítulo onde o novo A2 e-tron parece não fazer poupanças, é na dotação de equipamento. A começar na digitalização, com base no MMI panoramic display, que combina o Audi virtual cockpit plus de 11,9 polegadas com um ecrã tátil curvo de 12,8 polegadas. Há ainda um head-up display de realidade aumentada na lista de opcionais, assistente Audi com inteligência artificial, planeador de rota e-tron e serviços de trabalho conectado com Microsoft Outlook e Teams. Sem esquecer uma vasta lista de itens de conforto e um completo pacote de segurança, incluindo de série itens como a travagem de emergência, o assistente de atenção, o cruise control adaptativo, o sistema de estacionamento plus e a câmara de marcha-atrás.

As encomendas abrem ainda durante o mês de setembro de 2026, com as primeiras entregas previstas para dezembro. Em Portugal, os preços ainda não são conhecidos, mas na Alemanha a gama arranca nos 38.200 euros.

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