O barril de Brent negociou esta quinta-feira, dia 6 de Agosto, nos 81 dólares, apenas nove dólares acima do valor a que era transacionado em vésperas do ataque ao Irão. Mas os preços dos combustíveis parecem não reagir na mesma proporção.
A 27 de Março deste ano, vésperas do que, na altura, poucos imaginariam que daí a menos de 24 horas se daria início a um ataque dos EUA e de Israel ao Irão, o barril de Brent negociava-se a 72,48 dólares. Apenas três dias depois, já tinha saltado para os 77,74 dólares e, com o desenrolar do conflito, que "fechou" o estreito de Ormuz, por onde anualmente passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, chegaria aos 114,44 dólares por barril (a 4 de Maio).
Não foi preciso tanto para que o valor nas bombas portuguesas tivesse subido. Uma semana depois do início da guerra, o preço do diesel saltava quase 20 cêntimos, um aumento que nem o desconto temporário do imposto sobre os produtos petrolíferos conseguiu mitigar. E, em Abril, o gasóleo atingiu um novo máximo histórico em Portugal, ultrapassando os recordes anteriores de junho de 2022, com valores médios e de referência nas bombas a superarem a fasquia dos 2,10 € por litro. Já a gasolina 95 apresentou-se em algumas bombas entre os dois euros e os 2,20 €.
Agora, o cenário, ainda que instável, parece favorecer uma situação em que os valores de referência baixam. O preço do barril de Brent chegou a cair abaixo da linha dos 80 dólares, nesta semana, colocando-o ao nível dos valores da primeira semana de conflito entre EUA e Israel contra o Irão. E haverá mexidas nos números nas bombas de combustível em Portugal, mas não tanto como se poderia desejar.
No arranque da próxima semana, tudo aponta para que os preços caiam cerca de dez cêntimos, para uma média de 1,90 euros no caso da gasolina e 1,91 para o gasóleo. Isto se os houthis, grupo armado do Iémen, derem uma trégua no mar Vermelho, já que as suas ações parecem ameaçar a estabilidade do valor do crude.
Porque é que os combustíveis não descem ao mesmo ritmo?

À primeira vista, seria lógico esperar que uma descida do preço do petróleo tivesse um efeito imediato nas bombas. Na prática, a relação entre a cotação do barril de Brent e o preço pago pelos consumidores é mais complexa.
Desde logo, existe normalmente um desfasamento entre a evolução das cotações internacionais e os preços praticados nos postos de abastecimento. Parte dos combustíveis vendidos resulta de compras efetuadas anteriormente e o mercado acompanha sobretudo as cotações internacionais dos combustíveis já refinados, e não apenas o preço do petróleo bruto.
Além disso, o Brent representa apenas uma das componentes do preço final. Ao custo da matéria-prima juntam-se as despesas de refinação, transporte, armazenamento, distribuição, as margens de comercialização e os impostos. Em Portugal, o preço pago pelo consumidor inclui ainda o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) e o IVA, que representam uma parcela significativa do valor por litro.
Por isso, uma descida do petróleo nem sempre se traduz numa redução imediata e proporcional do preço da gasolina ou do gasóleo. Da mesma forma, uma subida do Brent também não explica, por si só, todas as variações registadas nas bombas.
Ainda assim, as quebras nos preços ao consumidor parecem estar desfasadas da evolução dos mercados. É que, antes da guerra, com o barril a apenas menos dez dólares do que hoje, o litro da gasolina e do gasóleo vendia-se entre os 1,67 € e 1,77 € no caso do primeiro e de 1,58 € a 1,65 € por litro para o segundo.
Ou seja, o preço do barril de crude caiu, mas os preços, que rapidamente acompanham as subidas das cotações internacionais, parecem demorar mais tempo a refletir as descidas. Nada que já não estejamos habituados. Em 2022, após a invasão russa da Ucrânia, o mercado registou uma forte volatilidade, com os preços dos combustíveis a atingirem máximos históricos e o gasóleo simples a chegar aos 2,11 €/l. Os aumentos viriam a ser parcialmente atenuados pelas reduções temporárias do ISP aplicadas pelo Governo, mas os preços nunca regressaram aos níveis anteriores. Ainda se lembra? No início de 2022, o litro da gasolina rondava os 1,60 euros e o do gasóleo os 1,50 euros.
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