"2035 no horizonte: que carros vamos conseguir comprar e usar?" juntou no Centro de Congressos do Estoril: Mário Claro, Country Manager da BCA Portugal; Filipe Machado, Vice-Presidente da APVE; Carlos Ferraz, General Manager da Portugal Atlante; e Carlos Barbosa, Presidente da ACP.
"Esqueça 2035. É um número que puseram agora, uma data feita por inaptos europeus sentados no seu gabinete. A maior asneira que fizeram foi uma eletrificação tão rápida que entregaram o mercado automóvel à China." É assim, sem travão, que arranca o Presidente do Automóvel Club de Portugal a conversa moderada por Sara Sousa Pinto. "Os seus trisnetos ainda vão andar a combustão. Esqueça essa data, é para riscar", afirma Carlos Barbosa acerca da dara orginalmente proposta para terminar com a venda de carros movidos a combustão.
Enquanto Filipe Machado acredita numa transição "orgânica", que não funcionará "por decreto", Mário Claro, Country Manager da BCA Portugal, referindo-se aos preços que podem vir a ser praticados na compra e venda de automóveis, diz que "o que vai acontecer ainda é muito incerto". "O mercado de usados, em particular, responde mais a estímulos curtos do que a metas longínquas, o mercado vai-se ajustando", sublinha. Afinal, "nem toda a gente está preparada" para a transição para os veículos elétricos.
Sobre um mercado onde "os incentivos ainda são para as empresas, ao contrário do que acontece em outros países", Mário Claro afirma ainda que "se hoje começássemos só a vender carros elétricos demorávamos 30 anos a substituir o parque automóvel - é ficção, é um medo que não tem justificação".
Em oposição surge Carlos Ferraz, General Manager da Portugal Atlante. "2035 foi uma data definida, mas era necessário impor. A indústria automóvel europeia ficou sentada à sombra da bananeira e perdeu completamente margem para a China. Precisava muito de ser espicaçada para andar para a frente."
Também acérrimo defensor de um futuro elétrico, Carlos Ferraz sublinha que a "indústria não está a acompanhar a introdução do veículo elétrico em Portugal". Diz que é necessário "simplificar o processo", com o auxílio do Governo e dos Municípios, aumentado a infraestrutura e a rede, tornando-a "compatível com a frota automóvel".
É possível viver apenas com um carro 100% elétrico em Portugal?
Pelo caminho para a mudança, o General Manager da Portugal Atlante acredita que é preciso mudar hábitos. "Com o carro a combustão vamos propositadamente a um posto de abastecimento. Com o carro elétrico devemos pensar: vou almoçar e aproveito enquanto carrego", propõe.
Neste ponto não podia ter havido maior discórdia, com o presidente do ACP a interromper o discurso para dizer que tal mudança não é possível, para já, em Portugal, por não existir "ainda uma rede nacional de carregamento decente de elétricos". Carlos Barbosa ironiza até ao dizer que se recusa a esperar "numa fila de Teslas" para carregar o carro que utiliza.
A conversa prossegue e Mário Claro afirma que "não vamos acordar amanhã com uma infraestrutura pronta para responder a tudo". O Country Manager da BCA Portugal salienta que "os hábitos das pessoas vão mudando" e que, quiçá, daqui a uns anos já não seja necessária tamanha adaptação à utilização de um carro exclusivamente elétrico.
Filipe Machado, da APVE, por sua vez, apela a "evitarmos cair numa armadilha de Petro contra Eletro". Diz que "as duas tecnologias tiveram o seu tempo" e relembra os avanços que têm existido: "Há 10 anos não carregávamos o carro com gasolina a meio da noite no Alentejo". Qual o valor comercial que os veículos, a combustão ou elétricos terão no futuro? "Vai depender da evolução tecnológica", finda o representante da Associação Portuguesa de Veículo Elétrico.
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