Posição central de condução, motor V12 e peso-pluma lançado a 338 km/h! Eis o superdesportivo sonhado por Niki Lauda.

Numa espécie de ensaio final, que serviu para validar os parâmetros definitivos de desempenho, fiabilidade e afinação aerodinâmica antes do início das entregas aos clientes, o T.50s Niki Lauda, versão mais extrema do supercarro de Gordon Murray, desenvolvida exclusivamente para pista, foi aprovado com distinção ao retirar sete segundos ao GT3 mais rápido no Circuito Internacional do Bahrein.

A edição especial que homenageia o tricampeão mundial de Fórmula 1, com Dario Franchitti aos comandos, fixou o tempo por volta de 1:53.03, exatamente no último dia de testes na pista de Sakhir, num desempenho que deixou rendido o experiente piloto escocês tetracampeão da IndyCar e três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis.

“É o carro mais entusiasmante que já conduzi. Supera tudo o que fiz em pista — incluindo os meus modelos favoritos e os carros com que venci títulos. Tudo nele é simplesmente perfeito”, afirmou Franchitti.

V12 atmosférico a mais de 12.000 rotações

Não é para menos. Ao contrário do T.50 “convencional”, o T.50s Niki Lauda não está homologado para estrada, mas as diferenças não se esgotam nos regulamentos. O carro de pista usa o mesmo V12 de 3,9 litros desenvolvido pela Cosworth, mas redesenhado para oferecer mais 109 cv de potência, debitando um total de 772 cv às 11.500 rpm, com o “red line” às 12.100.

Com o registo impressionante de 198 cv/litro, a potência específica do V12 do T.50s Niki Lauda supera a do lendário motor Cosworth DFV de Fórmula 1.

Toda esta potência é gerida pela nova caixa de seis velocidades Xtrac IGS que é controlada através de patilhas no volante e beneficia de um escalonamento pensado para as pistas, incluindo um conjunto de relações mais próximas otimizadas para circuitos mais curtos, permitindo levar o GMA T.50s ‘Niki Lauda’ a atingir uma velocidade máxima de 338 km/h.

Atenção que esta nova iteração do motor Cosworth GMA V12 pesa apenas 166,3 kg, quase 12 kg menos do que aquele que já era o motor V12 de estrada mais leve já construído. Depois, a “dieta” do GMA T.50s Niki Lauda ainda inclui os “cortes” no uso de materiais na carroçaria e dos sistemas de som e ar condicionado. Tudo somado, o superdesportivo acusa na balança apenas 852 kg, menos 128 kg que a versão de estrada.

Bahrein: perfeito para testar limites

A escolha do Bahrein para esta validação final não foi inocente nem aleatória. A equipa liderada por Gordon Murray selecionou propositadamente este traçado devido às condições extremas que impõe a qualquer veículo. O circuito caracteriza-se por um cocktail particularmente exigente: travagens violentas que chegam a atingir picos de 3G, desgaste acentuado e agressivo dos pneus, zonas de baixa aderência que testam a eletrónica e, por fim, longas rectas de alta velocidade que permitem avaliar o comportamento em regime limite.

Foi precisamente neste traçado que os engenheiros puderam extrair dados cruciais sobre o comportamento do T.50s. Durante as voltas de teste, Franchitti alcançou os 296 km/h e suportou forças laterais de 2,7G, números que permitiram à equipa de desenvolvimento validar definitivamente a aerodinâmica, a estabilidade direcional e o comportamento dinâmico em situações verdadeiramente limite.

Quatro unidades já em fase final

Com o programa de testes definitivamente encerrado e a aprovação do piloto escocês, a produção no Reino Unido já avança a bom ritmo. Quatro unidades encontram-se em fase final de montagem, praticamente concluídas e prontas para os ajustes derradeiros. As restantes 21, recorde-se que serão apenas 25 exemplares em todo o mundo seguem nas próximas fases de produção, entrando progressivamente na linha de montagem artesanal.

Cada unidade será calibrada ao detalhe segundo o setup precisamente validado por Dario Franchitti durante os testes no Bahrein, garantindo que todos os proprietários recebem um exemplar com as afinações exatamente iguais às que permitiram ao piloto alcançar aquele tempo notável. É a garantia de que a experiência de condução será fiel à visão original dos engenheiros.

A filosofia de Gordon Murray

Gordon Murray, fiel ao seu princípio fundador, sublinha que o objetivo principal nunca foi a caça aos recordes de volta, mas sim a pureza absoluta ao volante. “Queríamos o carro de pista mais leve, com a potência certa e totalmente focado no condutor. Com a receita certa, a velocidade acaba por aparecer naturalmente”, explicou o engenheiro sul-africano, sublinhando a filosofia que norteou todo o desenvolvimento do projeto.

Esta abordagem diferenciadora reflete-se nas escolhas técnicas que caracterizam o T.50s: ausência de compromissos com regulamentos de competição, liberdade total para procurar a máxima eficiência aerodinâmica e um peso contido que rivaliza com modelos de competição muito menos potentes. O resultado é um automóvel que promete oferecer aquilo a que Murray chama “a perfeição na condução”, uma experiência sensorial que transcende a “mera performance” medida ao cronómetro.

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