A DS Automobiles apresenta o Nº7, o SUV que marca uma nova era para a marca francesa. Mais tecnológico, mais eficiente e com uma aposta clara na eletrificação, oferece híbridos e elétricos com mais de 700 km de autonomia.
O Nº7 abandona alguns trejeitos demasiado franceses do antecessor e assume uma linguagem visual mais depurada e global. Silhueta esguia, capot comprido e traseira musculada conferem presença. Os faróis e jantes trazem padrões inspirados na moda, e os puxadores traseiros, prolongados até à coluna D, são autênticas peças de joalharia sobre rodas. O teto panorâmico cresceu 40% e a área envidraçada aumenta a sensação de espaço. Parece maior do que é , e isso é propositado.
Alta-costura com alguns bordados por acabar
O habitáculo, seguindo o padrão das criações anteriores da marca francesa, é todo um exercício de estilo. A começar no painel de bordo que envolve condutor e passageiro, integrando toda a tecnologia de última geração na dupla de ecrãs, um para a instrumentação com 10" e outro, central de 16", para tudo o que é infoentretenimento. Os materiais são maioritariamente de qualidade, com Alcantara a integrar 68% de conteúdo reciclado e o couro Nappa curado com folha de oliveira, num processo não tóxico e biodegradável. Há ainda materiais recuperados em fim de vida: 60% nos têxteis, 75% na alcatifa e 96% nos tapetes. Mas há detalhes com toque menos nobre do que o visual sugere. O volante de quatro raios, simétrico, exige habituação.
Já os bancos dianteiros, são um capítulo à parte: espumas de alta densidade, apoios ajustáveis, aquecimento, ventilação, massagem e o DS Neck Warmer, que aquece a nuca. Lá atrás, há bancos aquecidos e climatização independente. O isolamento acústico é reforçado com vidros laminados, criando o palco ideal para o sistema Focal Electra 3D , cujos altifalantes iluminados são um detalhe de bom gosto.
A DS anuncia progressos também no espaço disponível em todas as secções do novo SUV, menos na volumetria total de carga: a mala oferece 560 litros (1.570 com bancos rebatidos) nas versões FWD, menos nos AWD , e menos do que o modelo anterior, que chegava aos 1.752 litros.
Motores: a eletrificação em três velocidades
A plataforma STLA Medium do novo DS Nº7 é a conhecida arquitetura multienergia do grupo Stellantis, e isso traz vantagens e compromissos. Por um lado, a bateria não integra a estrutura do chassis , o que simplifica reparações e reduz custos em caso de acidente. Por outro, o espaço sob o capot fica ocupado pelos componentes térmicos, eliminando qualquer hipótese de "frunk" e limitando algumas soluções técnicas que os rivais 100% elétricos já oferecem. É o preço a pagar pela flexibilidade de poder oferecer na mesma carroçaria motorizações híbridas e elétricas.
A versão de entrada é o Hybrid 145 cv, que combina o conhecido motor 1.2 PureTech a gasolina com um bloco elétrico e uma caixa automática e-DCS6, de seis relações. É a opção mais acessível , e a única que fica abaixo dos 50.000 €, com preços a arrancar nos 45.000 €.
Já a oferta elétrica divide-se em três níveis de potência e autonomia. A E-Tense 230 cv utiliza uma bateria de 73,7 kWh e anuncia 543 km de alcance combinado. Acima dela, a E-Tense 245 cv Long Range eleva a fasquia com uma bateria de 97,2 kWh, produzida na Gigafactory da ACC em Billy-Berclau, no Norte de França, prometendo até 740 km em ciclo WLTP. No topo da gama, a E-Tense 350 cv AWD Long Range mantém a bateria de grande capacidade, mas adiciona um segundo motor ao eixo traseiro para tração integral, com autonomia anunciada de 679 km.
Os motores elétricos, refira-se, são fabricados no Leste de França, enquanto a montagem final de todo o modelo decorre em Melfi, Itália. As versões E-Tense FWD e FWD Long Range recebem ainda o selo Eco-score, graças à otimização da pegada de carbono ao longo do ciclo de vida. Independentemente da versão escolhida, todas as motorizações beneficiam da função Boost, que disponibiliza potência extra em modo de aceleração.
Forte e linear
Foi a versão FWD Long Range de 245 cv que levámos a teste, no Sul de França, em estradas de montanha com asfalto de excelente qualidade. A resposta do motor é forte e linear, com uma entrega de potência fácil de modular , mais ágil do que propriamente rápida, mas com aceleração suficiente para ultrapassagens sem sustos.
A suspensão está calibrada para o conforto, e nota-se: mantém o equilíbrio em curva e controla bem os movimentos da carroçaria, sem nunca se tornar desportiva. Para quem optar pelas versões topo de gama, o sistema Active Scan acrescenta um argumento técnico de peso: uma câmara no para-brisas lê o piso e ajusta a firmeza dos amortecedores antes de cada irregularidade, antecipando-se ao terreno.
Em termos de consumos, a realidade fica entre os 17 e os 20 kWh/100 km em utilização mista, dependendo naturalmente do pé direito. O carregamento rápido suporta potências até 160 kW, o que permite recuperar de 20% a 80% em cerca de meia hora , ou adicionar 200 km de autonomia em apenas dez minutos. O sistema plug & charge dispensa cartões ou aplicações: basta ligar o cabo e a comunicação entre o carro e o posto faz o resto.
Quando chega e quanto custa?
A gama arranca nos 45.000 € para o Hybrid, subindo para os 49.400 € da E-Tense 230 cv. A Long Range de 245 cv começa nos 55.100 €, enquanto a versão AWD de 350 cv arranca nos 67.800 €. As versões topo La Premiére podem chegar aos 73.300 € no caso da AWD Long Range. A chegada a Portugal está marcada para outubro.
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