A Direção Geral de Tráfego (DGT) de Espanha autorizou a Uber a iniciar ensaios em vias públicas de Madrid com veículos dotados de sistemas de condução autónoma de nível 4.

A plataforma de mobilidade Uber vai avançar com testes de condução automatizada de nível 4 segundo o padrão SAE (Society of Automotive Engineers), depois do aval da Direção Geral de Tráfego (DGT) espanhola.

O projeto prevê a circulação de veículos sem ninguém aos comandos, embora com um condutor especialista em segurança a bordo durante a fase inicial e resulta de uma colaboração entre a Comunidade de Madrid e os parceiros tecnológicos WeRide e Avomo.

A capital espanhola torna-se assim na quarta cidade onde a Uber e a WeRide colaboram, após Abu Dhabi, Dubai e Riade, sendo que o objetivo comum é aplicar o mesmo conceito a um total de 15 centros urbanos até 2030.

“Estamos entusiasmados por levar a nossa parceria com a Uber a novos patamares. A expansão para novas cidades em vários continentes reflete a confiança de ambas as empresas na nossa tecnologia e o nosso compromisso comum com soluções de transporte inovadoras e sustentáveis”, resumiu o fundador e CEO da WeRide, Tony Han.

O que significa o nível 4 de condução autónoma

No nível 4 o veículo assume o controlo completo da condução em zonas pré delimitadas sem necessidade de intervenção humana

No nível 4 de automatização, o veículo assume o controlo completo da condução em condições específicas e em zonas pré-delimitadas, sendo capaz de tomar decisões críticas, traçar trajetórias e intervir para evitar colisões sem que haja necessidade de qualquer utilizador estar atento.

Para que esse nível seja possível, os parceiros vão, primeiro, mapear a infraestrutura urbana. Ou seja, antes de ativar as funções autónomas, a frota deve percorrer e digitalizar ao milímetro dados estáticos com o objetivo de criar mapas tridimensionais com a largura exata das faixas de rodagem, a inclinação transversal da via, a localização de lancis e sinais de trânsito. Depois, os mapas servirão de referência para a comparação contínua com os sensores instalados nos veículos.

Supervisão humana

Uber e a weride chegam a uma quarta cidade depois de abu dhabi dubai e riade rumo a quinze centros urbanos até 2030

Em Madrid, a fase inicial dos testes contará com uma frota de cerca de vinte veículos, sendo que cada unidade incorporará um condutor especialista de segurança atrás do volante, capacitado para monitorizar a telemetria e assumir o controlo manual de forma imediata perante qualquer falha.

O modelo selecionado para estes testes é o WeRide GXR, da Farizon, uma marca do grupo Geely. A carrinha 100% elétrica, com cerca de 4,7 metros de comprimento, não dispõe de lugar para passageiro no banco da frente, o que permite ganhar habitabilidade e espaço de carga, admitindo até cinco ocupantes nas filas traseiras.

Serviço comercial em testes antes do fim de 2026

O plano estratégico da Uber e da WeRide em Madrid prevê cobrir trajetos urbanos predefinidos em zonas de grande procura, avaliando a interação do software com os restantes utilizadores da via: peões, ciclistas, transportes públicos e veículos convencionais.

O objetivo anunciado pela operadora é completar a validação das rotas e iniciar os testes do serviço comercial antes do fim de 2026.

Dados que vão desenhar um futuro quadro normativo

A novidade madrilena surge numa altura em que os Estados-membros da UE se preparam para, em outubro, votar a possibilidade de dar luz verde ao sistema FSD Supervisionado da Tesla.

E, para além da prestação direta do serviço de transporte de passageiros, os dados telemáticos recolhidos durante estes ensaios serão determinantes para estabelecer as bases para o quadro normativo de certificação, homologação e eventual venda de veículos de condução autónoma no mercado comunitário europeu.

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