A Mercedes-AMG apresentou um novo SUV totalmente elétrico que leva a tecnologia da família GT para um formato mais espaçoso. Chama-se Mercedes-AMG GT SUV e combina uma autonomia anunciada de até 700 quilómetros com carregamentos que podem atingir os 710 kW.

O número que mais chama a atenção é a possibilidade de recuperar até 450 quilómetros de autonomia WLTP em dez minutos. Mas há outras características pouco habituais num SUV: a versão mais potente anuncia 1169 cv, três motores elétricos e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos.

Os dados divulgados pela marca são ainda provisórios, estando sujeitos à homologação final.

Mercedes-AMG GT SUV: uma nova base para os elétricos desportivos

O GT SUV é o primeiro SUV de grandes dimensões desenvolvido de raiz pela Mercedes-AMG. Utiliza a arquitetura AMG.EA, criada especificamente para automóveis elétricos de alto desempenho, que também serve de base ao novo GT Coupé de quatro portas.

A proposta combina uma carroçaria de tejadilho baixo, vias largas e uma posição de condução mais próxima da de um desportivo com as necessidades práticas de um SUV. A bateria está integrada numa posição baixa, contribuindo para reduzir o centro de gravidade.

A gama divide-se em três versões: GT 53, GT 55 e GT 63. Todas são elétricas e dispõem de tração integral, embora utilizem soluções de propulsão diferentes.

Até 450 quilómetros recuperados em dez minutos

A Mercedes-AMG anuncia duas capacidades úteis de bateria: 106 e 128 kWh. Ambas utilizam tecnologia de 800 V e células cilíndricas com arrefecimento direto, uma solução concebida para controlar a temperatura durante carregamentos rápidos e utilizações mais exigentes.

Com a bateria de 106 kWh, a potência máxima de carregamento em corrente contínua chega aos 600 kW. Segundo a marca, permite recuperar até 380 quilómetros de autonomia WLTP em dez minutos.

A bateria de 128 kWh eleva a potência máxima para 710 kW e a autonomia recuperada no mesmo período para até 450 quilómetros. O comunicado aponta também para cerca de 12 minutos para passar dos 10 aos 80% de carga, nas condições previstas pelo fabricante.

Estes resultados exigem um posto compatível e condições adequadas de funcionamento da bateria. A potência máxima não corresponde necessariamente à potência mantida durante toda a sessão, e os quilómetros recuperados são calculados com base no ciclo WLTP.

A marca apresenta igualmente valores para postos de 400 kW: nestas condições, anuncia uma passagem dos 10 aos 80% em 14 minutos com a bateria de 106 kWh e em 16 minutos com a de 128 kWh.

Para carregamento em corrente alternada, a potência máxima indicada é de 11 kW.

Três versões, dos 544 aos 1169 cv

A entrada na gama faz-se com o Mercedes-AMG GT 53 SUV. Utiliza dois motores elétricos síncronos, um em cada eixo, que disponibilizam uma potência combinada de 544 cv.

Nesta versão, o motor dianteiro pode ser desacoplado quando não é necessário, reduzindo as perdas mecânicas. No eixo traseiro existe uma transmissão de duas relações, que procura conciliar aceleração e eficiência a velocidades mais elevadas.

Os GT 55 e GT 63 adotam três motores elétricos de fluxo axial: dois no eixo traseiro e um no dianteiro. Esta configuração permite controlar a distribuição de força entre as rodas traseiras, contribuindo para a tração e o comportamento em curva.

O GT 55 anuncia 816 cv. Já o GT 63 chega aos 1169 cv de potência máxima e aos 2000 Nm de binário. A Mercedes-AMG distingue este valor de pico da potência contínua, que no topo de gama atinge 721 cv.

Dos 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos

O GT 63 SUV anuncia uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos e dos 0 aos 200 km/h em 7,2 segundos. Com o Driver’s Package, a velocidade máxima chega aos 270 km/h.

A marca destaca também tempos de 2,5 e 6,8 segundos, respetivamente, mas estes utilizam o método de medição «one-foot rollout». Neste procedimento, os primeiros 30,48 centímetros de movimento não entram na contagem.

A distinção permite perceber por que motivo o mesmo automóvel surge com dois valores de aceleração no comunicado.

Suspensão ativa e direção às quatro rodas

Para gerir o desempenho e os movimentos da carroçaria, o GT SUV recebe a suspensão AMG ACTIVE RIDE CONTROL+, de série no GT 63 e opcional no GT 55.

O sistema combina molas pneumáticas com elementos hidráulicos ativos que controlam a inclinação em curva e os movimentos da carroçaria durante travagens e acelerações. A altura ao solo também pode variar, incluindo uma redução em função da velocidade para melhorar a aerodinâmica.

A direção ativa do eixo traseiro é outro dos elementos de destaque. A velocidades inferiores a 80 km/h, as rodas traseiras podem virar em sentido contrário às dianteiras, facilitando as manobras. Acima desse limiar, viram no mesmo sentido para favorecer a estabilidade.

O GT 63 inclui ainda travões carbocerâmicos nos dois eixos. No GT 55, este equipamento é opcional.

Aerodinâmica que se adapta à condução

O desenho exterior inclui elementos móveis que ajustam o comportamento aerodinâmico às necessidades do automóvel.

Nos GT 55 e GT 63, um defletor ativo no tejadilho altera a posição a partir dos 150 km/h, de acordo com a velocidade e a situação de condução. Na dianteira, entradas de ar com lâminas móveis abrem quando é necessário aumentar o arrefecimento e permanecem fechadas noutras condições para reduzir a resistência ao avanço.

A assinatura visual inclui vidros laterais sem moldura, guarda-lamas pronunciados e seis elementos circulares nas luzes traseiras.

Um elétrico com som de V8

Apesar da propulsão exclusivamente elétrica, a Mercedes-AMG mantém uma ligação sonora aos seus motores de combustão.

O programa AMGFORCE Sport+ reproduz sons de motores V8 nos GT 55 e GT 63, enquanto o GT 53 utiliza uma sonoridade inspirada num motor de seis cilindros. A experiência inclui passagens de caixa simuladas e efeitos de vibração nos bancos.

A intensidade sonora pode ser ajustada, incluindo uma configuração silenciosa.

Interior com cinco lugares e até três ecrãs

O habitáculo dispõe de um painel de instrumentos de 10,2 polegadas e de um ecrã central de 14 polegadas orientado para o condutor. Um segundo ecrã de 14 polegadas para o passageiro dianteiro está disponível como opção.

O banco traseiro tem três lugares e encostos rebatíveis. A marca anuncia espaço para as pernas e para a cabeça apesar da linha descendente do tejadilho.

Entre os equipamentos disponíveis encontram-se bancos AMG Performance, um sistema de som Burmester 4D e um tejadilho panorâmico que pode alternar entre transparente e opaco.

Quando chega e quanto custa?

Segundo o calendário internacional divulgado pela Mercedes-AMG, as encomendas do GT 53 SUV abrem a 20 de outubro de 2026. Os GT 55 e GT 63 seguem na primavera de 2027.

O preço anunciado para o GT 53 começa nos 113.050 euros, mas corresponde ao mercado alemão, com IVA de 19%. O documento não indica preços nem uma data específica de chegada a Portugal.

A produção do novo Mercedes-AMG GT SUV ficará a cargo da fábrica de Sindelfingen, na Alemanha.

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