Os veículos 100% elétricos foram, em junho, a motorização mais vendida em Portugal, com 29% das matrículas de ligeiros de passageiros novos. Nos usados, a procura por elétricos também cresceu.

Cada vez mais pessoas em Portugal adotam a mobilidade 100% elétrica e, só em junho deste ano, os ligeiros de passageiros novos de zero emissões representaram 29% das matrículas.

A conclusão consta do relatório Market Insights , 1.º Semestre 2026, elaborado Standvirtual e apoiados nas informações fornecidas pela Associação Automóvel de Portugal , ACAP, Instituto da Mobilidade e dos Transportes , IMT e Motordata.pt. No acumulado do primeiro semestre, porém, foram os híbridos a segurar a liderança, com 29,3% de um mercado em crescimento (mais 10,5%, com 136.863 matrículas), enquanto os elétricos fixaram-se nos 24,5%.

Elétricos somam preferências

Em junho de 2026, os veículos 100% elétricos (BEV) lideraram as matrículas de automóveis novos, com uma quota de 29%, no que se descreve como uma “transformação energética radical” do mercado nacional. Ou seja, um em cada três automóveis matriculado foi elétrico. Seguiram-se os híbridos, com 24%, e a gasolina, com 21%. Já o gasóleo representou apenas 3% das escolhas, mantendo o declínio observado desde o “Dieselgate”, o escândalo das emissões que perturbou todo o sector em 2015.

A preferência por um veículo 100% elétrico também não será alheio ao forte aumento dos combustíveis fósseis, desde o início da guerra no Irão, que fechou o estreito de Ormuz, e para o qual não existe para já solução à vista. Desde 28 de fevereiro, o litro da gasolina 95 aumentou mais de 40 cêntimos; o gasóleo, 20 cêntimos. E o mercado dos usados também reflete a mesma tendência.

A procura por veículos elétricos no Standvirtual passou de 14% para 64% após o início do conflito. Em contrapartida, as pesquisas por veículos de combustão desceram: o gasóleo registou uma queda de 11% e a gasolina de 3%. Ou seja, quase uma em cada quatro pesquisas por automóveis passou a ser por modelos elétricos, face a uma em cada sete antes do conflito.

A oferta de elétricos usados também aumentou, mas a um ritmo inferior: cresceu 28,5%, de 4.250 para 5.460 anúncios. A quota dos elétricos no stock total da plataforma atingiu 10,27%, contra 7,89% no primeiro semestre de 2025, mais 2,38 pontos percentuais.

Esta diferença entre o crescimento da procura e o da oferta elevou a dinâmica de mercado dos veículos 100% elétricos. Em abril de 2026, esse indicador atingiu 71,5%, o pico do semestre, num contexto em que a procura cresceu mais de 120% e a oferta 49,5%.

Híbridos lideram semestre

Apesar do primeiro lugar dos elétricos em junho, a quota acumulada do primeiro semestre de 2026 coloca os híbridos na frente, com 29,3% das matrículas. Os veículos 100% elétricos somam 24,5%, a gasolina 22,4%, os híbridos plug-in 14,2%, o gasóleo 3,8% e outras motorizações 5,8%.

Mas o maior crescimento face aos números do período homólogo é mesmo dos elétricos: mais 33,2% face aos primeiros seis meses de 2025. E este pulo dá-se mesmo tendo em conta todos os constrangimentos: os 100% elétricos continuam a ser muito caros, a confiança na durabilidade das baterias fraca e resistem muitas dificuldades de acesso ao carregamento doméstico, o que é fator decisivo de poupança quotidiana.

A mudança nas preferências reflete-se também na composição da procura de usados. O gasóleo, que representava praticamente metade das pesquisas no primeiro semestre de 2025, desceu para 42,59% em 2026. A gasolina manteve-se estável, enquanto os elétricos cresceram de 5,80 pontos percentuais. Os híbridos plug-in subiram de 6,58% para 6,72%, os híbridos de 2,20% para 2,59% e os veículos a GPL de 0,40% para 0,77%.

Chineses pesam nos usados

Uma conclusão que se pode retirar do relatório é o aumento da presença das marcas chinesas no mercado dos usados, sobretudo no segmento elétrico. O stock médio diário de anúncios cresceu 154%, e já representam 9% de toda a oferta de elétricos na plataforma. A procura média mensal por veículos chineses também cresceu: 130,6%.

O preço médio dos veículos 100% elétricos anunciados por profissionais no Standvirtual manteve-se estável entre fevereiro de 2025 e junho de 2026, oscilando entre os 32.000 e os 34.500 euros. E este continua a ser um dos principais entraves à adoção dos elétricos, apesar de não parecer ameaçar a posição de Portugal entre os mercados mais eletrificados da Europa, onde a Noruega é “rainha” (os eléctricos têm um peso de 98,1% do mercado) e a vizinha Espanha anda pelos últimos lugares, com uma quota de apenas 9,5%.

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