“Luca de Meo expressou a sua decisão de se demitir para assumir novos desafios fora do setor automóvel.” O comunicado da Renault, empresa na qual o Estado francês detém uma participação de 15%, acrescenta ainda que De Meo deixará o cargo em meados de Julho, altura em que já deverá haver um nome para lhe suceder.

A saída de De Meo, que nos últimos cinco anos resgatou a Renault de uma situação extremamente difícil, repensando toda a estratégia da marca, nomeadamente com uma aposta inequívoca na eletrificação, não era esperada e é a segunda de peso nos últimos meses. No fim do ano passado, Carlos Tavares abandonou a liderança do conglomerado Stellantis.

De Meo ingressou na Renault vindo do Grupo Volkswagen em 2020, ano em que a fabricante francesa registou perdas recordes. O italiano conseguiu, porém, tornar a empresa mais eficiente, ainda que tenha implementado medidas pouco populares, nomeadamente cortes de custos com a redução de funcionários, com um plano que batizou de Renaulution.

Em comunicado, o gestor considerou que “chega um momento em que sabemos que o trabalho está concluído”, apontando para os atuais resultados da Renault, que descreve como “os melhores da nossa história”.

Jean-Dominique Senard, que preside ao conselho de administração, descreveu De Meo como “um capitão de indústria excecional”, enaltecendo os seus feitos à frente dos destinos da Renault nos últimos cinco anos, da ofensiva SUV à adoção de mecânicas híbridas e elétricas.

Adeus, automóveis! Olá, moda!

Depois dos automóveis, Luca de Meo vai assumir a posição de CEO da Kering, substituindo François-Henri Pinault.

A especulação sobre a liderança do grupo, que detém as marcas Gucci, Yves Saint Laurent e Balenciaga, surgiu depois de os meios de comunicação franceses terem noticiado que Pinault estava prestes a abandonar o cargo de CEO e foi confirmada pela empresa.

De Meo terá, assim, pela frente outra empresa para recuperar: as ações da Kering perderam mais de 60% do seu valor nos últimos dois anos, arrastada pelos maus resultados da Gucci, uma antiga fonte de receitas para a empresa e ainda a sua marca mais importante em termos de faturação e lucros.

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