Com o primeiro Prius, há mais de 25 anos, a Toyota apostou nos híbridos como solução de futuro. Hoje, as tecnologias da eletrificação massificaram-se e não há fabricante de automóveis que dispense o seu papel cada vez mais importante na diminuição do consumo de combustíveis fósseis e na redução de emissões poluentes. É caso para dizer que híbridos há muitos e desafiamo-lo a conhecer cada sistema.

Motores híbridos, o que são?

Por definição, os veículos híbridos incorporam dois tipos de energia para a sua propulsão, existindo normalmente um motor de combustão, a gasolina ou Diesel, associado a um ou mais motores elétricos, alimentados por bateria de alta voltagem. Esta surge normalmente combinada com uma unidade de controlo de potência, que se encarrega de gerir toda a funcionalidade do sistema de modo que as unidades motrizes, térmica e elétrica, possam operar independentemente ou em conjunto. A parte elétrica também está encarregue de gerar energia para a carga da bateria principal e recuperação de energia de travagens e desacelerações e arranque do motor de combustão.

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Nos modelos híbridos mais simples, a bateria principal acumula energia para escassos quilómetros em modo elétrico, enquanto os veículos denominados híbridos “plug-in” possuem uma bateria de maior capacidade que admite carregamentos externos, podendo percorrer algumas dezenas de quilómetros sem intervenção do motor térmico, o que os torna os mais versáteis e eficazes numa utilização mista: cidade e estrada.

Ainda inseridos na categoria dos modelos puramente elétricos existem algumas variantes equipadas com extensor de autonomia que consiste num grupo gerador elétrico acionado por motor térmico que permite melhorar consideravelmente a quilometragem entre recargas da bateria.

Renault aposta no sistema E-Tech

Depois do pioneirismo na democratização dos automóveis elétricos com o bem-sucedido Zoe, a Renault fez a aposta forte nos híbridos, com a introdução de tecnologia inovadora que denomina de E-Tech.

O primeiro modelo a beneficiar deste sistema foi o Clio, anunciando uma redução de 40% nos consumos, comparando com o mesmo motor não eletrificado. Trata-se do 1.6 atmosférico a gasolina, usado em vários modelos da marca fora da Europa, mas muito otimizado e associado a uma bateria de iões de lítio de 1,2 kWh que trabalha a 230V e alimenta um motor elétrico principal de 35 kW, encarregue de transmitir movimento às rodas da frente e de fazer a regeneração na travagem e desaceleração.

Há ainda um segundo motor elétrico, de 15 kW, que serve sobretudo para a sincronização da caixa de velocidades robotizada que a Renault designa de multimodo. É uma caixa de velocidades manual, mas dispensa a embraiagem e tem duas relações ligadas ao motor elétrico principal e quatro ligadas ao motor a gasolina, permitindo assim um total de 15 combinações, contando com o ponto morto de cada motor. É este elemento que permite ao sistema E-Tech funcionar em vários modos: apenas elétrico, híbrido em série, híbrido paralelo, regeneração, regeneração assistida e modo a gasolina.

Nissan ganha e-Power

Entre as diversas tecnologias no catálogo da Nissan, o sistema e-Power distingue-se de outros híbridos por usar um motor térmico muito eficiente (1.5 Turbo) que se encarrega do recarregamento contínuo da bateria de iões de lítio com 1,5 kWh de capacidade. E é este acumulador que alimenta o motor elétrico (140 kW) que aciona as rodas dianteiras, com a vantagem de não existir nenhuma ligação entre a mecânica térmica e as rodas. Estas são acionadas apenas pelo motor elétrico, que responde de forma enérgica, imediata e silenciosa, o que facilita a utilização em todos os cenários da condução. O engenhoso sistema híbrido da Nissan já está disponível no Qashqai e no X-Trail.

e:HEV, Honda positiva

Sofisticado na tecnologia motriz, um dos mais tecnológicos Civic de sempre recorre ao sistema e:HEV, sistema híbrido de recarregamento interno que é responsável pela elevada eficiência no consumo de combustível.

No módulo e:HEV, há um motor 2.0 a gasolina, atmosférico, a funcionar segundo o ciclo Atkinson, desde logo para reduzir gastos e emissões, mas parco em potência (143 cv) e no binário disponível (186 Nm), devido à ausência de sobrealimentação. Essa função no sistema da Honda cabe ao motor elétrico, mais enérgico (184 cv e 315 Nm), e também mais interventivo na movimentação do Civic, passando claramente o motor de combustão para segundo plano.

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Na cidade e em estrada aberta, é o motor elétrico que assume o protagonismo, enquanto o quatro cilindros a gasolina se encarrega sobretudo de recarregar a bateria de 2,1 kWh de capacidade.

Híbrido leve no acesso à gama VW

A Volkswagen investiu muito na tecnologia de baterias e dispõe atualmente de uma gama com vários níveis de eletrificação, dos BEV, 100% elétricos, aos híbridos leves, como é o 1.5 eTSI, mecânica moderna que incorpora a tecnologia de desativação de cilindros, para especial contenção nos consumos e nas emissões de gases de escape, em combinação com o sistema “mild-hybrid” (MHEV), com máquina elétrica apoiada por uma rede complementar de 48V, que assiste o motor térmico durante as acelerações e as retomas de velocidade.

A intervenção nota-se em quase todos os momentos da condução, utilizando a energia recuperada nas desacelerações e travagens. A bateria de iões de lítio, arrumada sob o banco dianteiro do passageiro, não interfere com a habitabilidade.

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