Era até aqui algo que se veria num filme de ficção científica ou nos feitos de um batmóvel. Mas a McMurtry Automotive acaba de provar que é mesmo possível conduzir tanto no chão como no teto com o Spéirling.
A construtora colocou o seu hipercarro de pista Spéirling de cabeça para baixo, recorrendo ao sistema de ventoinhas Downforce-on-DemandTM. Resultado: o veículo foi sugado pelo piso e, quando a plataforma rotativa o colocou na posição invertida, manteve-se colado ao chão – ou será ao teto?

A demonstração da tecnologia teve lugar na sede da McMurtry, em Gloucestershire, Inglaterra, e contou com a presença de funcionários e de juízes independentes, assim como do cofundador e diretor-geral da empresa, Thomas Yates, que avaliou a experiência como “surreal”: “Foi um dia fantástico no escritório! Colocar o cinto e conduzir invertido foi uma experiência completamente surreal. Os 2000 kg de força descendente que o sistema de ventoinhas consegue gerar são verdadeiramente surpreendentes e é ótimo mostrar a razão pela qual o nosso Spéirling continua a bater recordes em todo o mundo.”

Durante a experiencia, Thomas Yates conduziu o Spéirling por uma rampa até uma plataforma, cujo piso rodou, invertendo completamente o hipercarro e excedendo a força da gravidade. Uma vez totalmente invertido, Thomas conduziu para a frente, sem qualquer apoio.
A tecnologia foi aplicada num ambiente controlado, recorrendo a uma plataforma construída para o efeito, mas Yates acredita que se trata apenas do início de uma longa aventura. “Com uma pista invertida mais longa ou um túnel adequado, talvez possamos ir ainda mais longe”, declarou.
De qualquer das formas, o sistema de ventoinhas admite prestações incríveis com as rodas assentes no chão: o hipercarro elétrico acelera até aos 100 km/h em apenas 1,5 segundos e percorre 400 metros em 8 segundos. Já as curvas podem ser realizadas a mais de 3g, ou seja, três vezes a força da gravidade.

Isto significa que, com o sistema patenteado Downforce-on-DemandTM da McMurtry, o Spéirling pode acelerar, travar e virar com muito mais aderência do que outros hipercarros. Com uma nuance: enquanto noutros hipercarros a força descendente só é aplicada a altas velocidades recorrendo a superfícies aerodinâmicas, no Spéirling a força descendente está disponível a qualquer velocidade, inclusive quando o carro está parado.
O Spéirling que fez o feito é ainda um protótipo do modelo de produção, que só deverá ficar pronto no ano que vem. Com edição limitada a cem unidades, o hipercarro de produção deverá apresentar-se com uma bateria de 100 kWh, o que significa até 20 minutos de tempo em pista ao “ritmo GT3”.
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