A corrida aos usados acabou: em junho a oferta cresceu mais do que a procura

Depois de vários meses em que a procura por carros usados cresceu muito mais depressa do que a oferta, o mercado português chegou a um ponto de viragem. Em junho de 2026, pela primeira vez neste ciclo, a oferta cresceu mais do que a procura no Standvirtual.

A diferença é pequena, mas significativa. Face a junho de 2025, a procura por ligeiros de passageiros usados aumentou 10,9%, enquanto a oferta cresceu 12%.

O resultado foi uma dinâmica de mercado negativa em 1,5%, levando o Standvirtual a considerar que o primeiro semestre de 2026 encerra um ciclo de forte pressão da procura e marca a entrada numa fase de maior estabilidade.

No início do ano, a realidade era muito diferente

A mudança torna-se mais evidente quando olhamos para a evolução dos primeiros seis meses de 2026.

Em janeiro, a procura por usados estava a crescer 20,8% em termos homólogos, enquanto a oferta recuava 4,1%. A diferença entre as duas evoluções colocava a dinâmica de mercado nos 25,2%.

Em fevereiro, essa diferença caiu para 15%. Em março estava nos 10%, em abril nos 9,9% e em maio nos 9,2%.

Junho trouxe a inversão: a procura cresceu 10,9%, mas a oferta avançou 12%, colocando a dinâmica nos -1,5%.

Não significa que os portugueses tenham deixado de procurar carros usados. A procura continua a crescer face ao ano anterior. O que mudou foi a velocidade a que a oferta está a aumentar.

Há mais carros a disputar a atenção dos compradores

Citroen C3 Carros usados ate 5000 euros

Para quem está a pensar vender o seu carro, esta mudança é particularmente importante.

Quando a procura cresce muito mais depressa do que a oferta, existe maior pressão dos compradores sobre os automóveis disponíveis. Quando a oferta passa a crescer mais depressa, há mais carros no mercado a competir pela mesma procura.

É precisamente essa diferença que os números de junho começam a mostrar.

A situação contrasta fortemente com a registada um ano antes. Em junho de 2025, a procura tinha aumentado 29% em termos homólogos, enquanto a oferta recuava 0,5%. A dinâmica de mercado encontrava-se então nos 28,9%.

Um ano depois, passou para -1,5%.

Os carros abaixo dos 15 mil euros continuam a destacar-se

Nem todos os usados enfrentam, contudo, as mesmas condições.

Os automóveis anunciados por menos de 15.000 euros continuam a apresentar a maior fluidez do mercado. Em junho, este segmento registava uma procura 25% superior à do período homólogo, enquanto a oferta crescia apenas 4%.

A dinâmica positiva de 21% ajuda a explicar por que razão estes automóveis apresentam os menores tempos de permanência em stock.

Em junho de 2026, um carro abaixo dos 15.000 euros permanecia em stock, em média, 38 dias. Em junho de 2025 eram 48 dias.

Entre 15 mil e 30 mil euros, vender é mais difícil

A situação muda significativamente no escalão seguinte.

Nos automóveis entre 15.000 e 30.000 euros, a oferta aumentou 8%, enquanto a procura recuou 7%. A dinâmica resultante foi negativa em 15%.

Estes veículos permaneciam em stock durante uma média de 56 dias em junho de 2026, praticamente o mesmo valor dos 57 dias registados um ano antes.

Acima dos 30.000 euros também existe mais oferta do que procura. Neste segmento, a oferta cresceu 10% e a procura recuou 1%, resultando numa dinâmica negativa de 11%.

O tempo médio de stock situava-se nos 60 dias em junho, abaixo dos 70 dias registados no mesmo mês de 2025.

O preço torna-se ainda mais importante para quem quer vender

O próprio comportamento dos preços mostra que o mercado está a ajustar-se à nova realidade.

À primeira vista, os carros parecem estar mais caros. O preço médio anunciado no Standvirtual atingiu 25.700 euros em junho de 2026, um novo máximo na série apresentada pelo relatório.

Mas este valor é influenciado pela composição dos automóveis disponíveis. Estão a entrar no mercado carros mais caros e frotas mais jovens, fazendo subir a média global.

Quando o Standvirtual retira esse efeito e compara veículos com características equivalentes, a tendência é precisamente a contrária.

O valor ajustado passou de 23.100 euros em janeiro para 22.800 euros em junho. Segundo o relatório, o mercado está a ajustar os preços em baixa para conseguir escoar o stock.

A corrida aos usados está a dar lugar a um mercado mais equilibrado

Os números de junho não mostram uma queda da procura por carros usados. Mostram uma alteração na relação entre compradores e oferta disponível.

A procura continua 10,9% acima da registada um ano antes, mas a oferta avançou ainda mais, 12%. Depois de começar 2026 com uma dinâmica positiva superior a 25%, o mercado chegou a junho com uma diferença negativa de 1,5%.

Ainda assim, o relatório considera que o primeiro semestre permanece numa fase positiva para o mercado português, já que os tempos médios de stock dos três escalões de preço analisados continuam abaixo dos 70 dias utilizados como valor de referência.

Para quem pretende vender um carro, a mudança deixa uma mensagem importante: continuam a existir compradores, mas também há mais oferta a disputar a sua atenção. Num mercado que está a tornar-se mais equilibrado, acertar no preço do anúncio pode fazer cada vez mais diferença.

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