Os carros elétricos estão a ganhar terreno, o mercado de novos está cada vez mais eletrificado e o Diesel parece estar a desaparecer das escolhas dos portugueses. Mas se tem um carro a gasóleo para vender, os números mostram uma realidade diferente no mercado de usados.

No primeiro semestre de 2026, os automóveis Diesel representaram 42,59% de toda a procura registada no Standvirtual. Apesar da queda face ao ano anterior, continuam a concentrar a maior fatia da procura por tipo de combustível.

Ou seja, há menos interesse por carros a gasóleo do que há um ano, mas estão longe de ter deixado de ter compradores.

O Diesel ainda representa mais de 40% da procura

vista de um carro diesel a gasóleo em anúncio de stand, reflectindo mercado de usados em Portugal

No primeiro semestre de 2025, os automóveis a gasóleo concentravam 49,22% da procura no Standvirtual. Um ano depois, essa percentagem caiu para 42,59%.

São menos 6,63 pontos percentuais, a maior quebra entre todas as motorizações analisadas no relatório Market Insights do Standvirtual.

Ainda assim, a dimensão da procura continua a ser significativa. A gasolina surge bastante atrás, com 30% da procura, enquanto os automóveis 100% elétricos representam 17,30%.

Seguem-se os híbridos plug-in, com 6,72%, os híbridos, com 2,59%, e o GPL, com 0,77%.

Para quem pretende vender um Diesel usado, isto significa que existe ainda uma parcela considerável de utilizadores à procura deste tipo de automóvel.

Oferta e procura estão muito próximas

Há outro dado relevante para quem pretende colocar um Diesel à venda.

Os automóveis a gasóleo representam 41,94% da oferta disponível no Standvirtual e 42,59% da procura. As duas percentagens estão, portanto, muito próximas.

Também do lado da oferta o peso do Diesel está a diminuir. No primeiro semestre de 2025 representava 46,33% dos anúncios, contra os atuais 41,94%, uma redução de 4,39 pontos percentuais.

O mercado está a mudar dos dois lados: há proporcionalmente menos carros Diesel disponíveis e também menos procura por eles.

Então porque parece que já ninguém quer Diesel?

Uma das razões pode estar na enorme diferença entre o mercado de carros novos e o mercado de usados.

Em junho de 2026, os automóveis Diesel representaram apenas 3% das matrículas de ligeiros de passageiros novos em Portugal. Os 100% elétricos lideraram com 29%, seguidos pelos híbridos, com 24%, e pela gasolina, com 21%.

Nos usados do Standvirtual, a realidade é muito diferente: o Diesel continua a representar mais de quatro em cada dez pesquisas por tipo de combustível.

Isto significa que a perda de importância do gasóleo nos carros novos não pode ser automaticamente transportada para o mercado de segunda mão.

Os elétricos são quem mais está a ganhar terreno

ecrã de computador com painel de métricas de anúncio de carro usado, gráficos de visualizações e contactos

A tendência, no entanto, é clara. Enquanto o Diesel perde peso, os automóveis elétricos estão a crescer rapidamente na procura por usados.

A quota dos 100% elétricos passou de 11,50% para 17,30% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Segundo o relatório, a procura por elétricos aumentou 68,7% em termos homólogos.

Do lado da oferta, o crescimento também é evidente. Os elétricos passaram de 7,89% para 10,27% do stock disponível na plataforma.

Ainda existe uma diferença considerável para o Diesel, mas a evolução mostra como as preferências de quem procura um usado estão a mudar.

Ter procura não significa que qualquer Diesel se venda facilmente

Os 42,59% mostram o peso do gasóleo no conjunto da procura por combustível no Standvirtual. Não significam que qualquer carro Diesel tenha automaticamente comprador ou que todos sejam igualmente fáceis de vender.

O próprio mercado de usados está a entrar numa fase diferente. Em junho de 2026, a procura total por ligeiros usados cresceu 10,9% em termos homólogos, enquanto a oferta aumentou 12%. A dinâmica entre ambas ficou ligeiramente negativa, em 1,5%.

Para quem vende, isto significa que existe mais concorrência pela atenção dos potenciais compradores.

O preço também continua a ter um papel importante. Segundo os mesmos dados, os automóveis abaixo dos 15.000 euros apresentam a maior fluidez do mercado, enquanto os veículos entre 15.000 e 30.000 euros permanecem, em média, mais tempo em stock.

Tem um Diesel para vender? Ainda há mercado

Os números não sustentam a ideia de que deixou de existir procura por automóveis Diesel no mercado de usados.

O gasóleo perdeu peso e enfrenta uma mudança evidente nas preferências dos consumidores, sobretudo com o forte crescimento dos elétricos. Ainda assim, no primeiro semestre de 2026 continuou a representar 42,59% da procura por combustível registada no Standvirtual.

Para quem tem um Diesel para vender, a conclusão é simples: compradores ainda existem, e em número significativo. Mas num mercado em transformação e com a oferta a crescer, definir um preço ajustado torna-se cada vez mais importante para conseguir destacar o anúncio.

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