A debater-se com dificuldades financeiras e de produção, a Nissan perdeu globalmente a sua posição de referência e, depois de 16 anos a marcar presença entre as dez marcas mais vendidas, abandonou o top-10.

A saída, registada no primeiro semestre de 2025, acontece depois de as vendas da empresa terem caído 6%, para 1,6 milhões de unidades, e deu lugar ao crescimento de outras marcas, como as chinesas BYD e Geely, que ultrapassaram o emblema nipónico. A primeira, aliás, com um crescimento nas vendas superior a 30%, saltou diretamente para o oitavo lugar.

A agravar o quadro da Nissan está porém o registo de outra marca: a rival doméstica Suzuki, que conseguiu superar os números da Nissan em 20 mil unidades, fazendo história: foi a primeira vez que a Suzuki ultrapassou a Nissan em mais de duas décadas.

Ofensiva para breve

Novo Nissan Leaf lateral

A debater-se com diversas dificuldades, nomeadamente nos EUA e na China, a Nissan prepara-se para lançar uma nova ofensiva de produtos. Nos EUA, o novo Leaf foi apresentado com um competitivo preço, enquanto um actualizado Kicks, que não temos por cá, está a ganhar espaço. Já na China o sedan N7 EV, apresentado em abril, pode permitir à marca um bom salto qualitativo da sua oferta.

Já para a Europa, a Nissan tem dois produtos apetecíveis a sair do forno: um repensado Micra e o tal novo Leaf. Por outro lado, a tecnologia e-Power voltou a ser trabalhada de forma a se tornar mais eficiente, e promete ser uma porta de entrada para quem quer começar a explorar a eletrificação sem abdicar da comodidade de ter um depósito a combustível fóssil.

Compromisso com contenção

Nissan Micra autonomia

Da parte da empresa, a informação oficial é de que se mantêm as perspetivas de receitas líquidas para o ano fiscal de 2025 em 12,5 bilhões de ienes (cerca de 72 mil milhões de euros), mantendo a ressalva de que, “dada a dificuldade em prever o ambiente empresarial que rodeia a empresa neste momento, as perspetivas de lucro operacional, rendimento líquido e fluxo de caixa livre automático para o ano fiscal permanecem indeterminadas”.

“Estes resultados servem para recordar a urgência do nosso plano de recuperação Re:Nissan”, avaliou o presidente e CEO da Nissan, Ivan Espinosa, deixando antever o que aí vem e que passa pela contenção de custos. “No último trimestre, demos os primeiros passos decisivos, cortando custos, redefinindo a nossa estratégia de produto e de mercado e reforçando parcerias chave. Temos agora de ir mais longe e mais depressa para alcançar a rentabilidade. Todos na Nissan estão unidos para conseguir uma recuperação que garanta um futuro sustentável e rentável.”

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