A VinFast lançou o VF2, um citadino elétrico de quatro lugares que, no Vietname, custa cerca de 6.500 euros. Vir para a Europa é uma possibilidade.

O VF2, com 3,10 metros de comprimento, é apenas 70 centímetros mais curto que o novo Dacia Spring ou que um Renault Twingo E-Tech, o que faz dele um verdadeiro especialista a estacionar em qualquer buraco da cidade. No entanto, não deverá roubar clientes nem a um nem a outro. Mas pode muito bem conquistar aqueles que hesitam em comprar um Citroën Ami, quando percebem que dois lugares não chegam.

O pequeno elétrico da VinFast foi desenvolvido para ser assumidamente urbano, barato e funcional, pensado para substituir a moto ou o transporte público em trajetos curtos, ideal para famílias à procura de um segundo carro e que querem mobilidade sem complicações, ou operadores de mobilidade partilhada à procura de frotas mais acessíveis.

Mas convém olhar para o contexto. Apesar deste atrativo caderno de encargos, a marca vietnamita está longe de ser uma marca consolidada na Europa. Em 2025, vendeu apenas 22 veículos em França, um número que ilustra bem a dimensão do desafio que tem pela frente.

Ainda assim, a empresa não esconde a ambição: em comunicado, compara o VF2 aos Citroën Ami e Fiat Topolino e admite a possibilidade de o levar também para os mercados norte-americano e europeu.

Quatro lugares, ao contrário dos rivais

Apesar do preço baixo o vinfast vf2 traz ecrã digital de 7 polegadas e ar condicionado

Ao contrário dos minúsculos Citroën Ami ou Fiat Topolino, que são praticamente quadriciclos, o VF2 tem homologação para quatro ocupantes. Claro que quem optar por levar dois passageiros atrás terá de prescindir de espaço na bagageira, mas a versatilidade é um dos seus trunfos. Com os bancos traseiros rebatidos, consegue-se uma área de carga surpreendentemente generosa para um carro deste tamanho.

As dimensões ajudam a perceber o posicionamento: 3.090 mm de comprimento, 1.496 mm de largura, 1.663 mm de altura e 2.065 mm de entre eixos. Face a um Fiat 500e, é cerca de 540 mm mais curto , uma diferença que se traduz em manobras muito mais fáceis em centros urbanos antigos e parques de estacionamento apertados.

Motor modesto, equipamento generoso

O vinfast vf2 custa cerca de 6.500 euros no vietname e a marca admite levá lo também para a europa

Tecnicamente recorre a um só modesto motor elétrico de 41 cv montado no eixo traseiro, com velocidade máxima limitada eletronicamente a 80 km/h.

A bateria de 18,3 kWh garante uma autonomia de 210 km no ciclo NEDC, número que, em ciclo WLTP, deverá rondar os 150 km. Para quem faz percursos citadinos de 30 a 40 km por dia, significa carregar uma vez por semana.

O carregamento não é rápido, mas é suficiente para o propósito: vai dos 10 aos 70% em cerca de 34 minutos, num carregador de 24 kW. Apesar do preço baixo, não falta equipamento: ecrã digital de 7 polegadas, ar condicionado, fecho elétrico dos vidros, Bluetooth, câmara de marcha-atrás, faróis LED e jantes de 13 polegadas em liga leve. Em segurança, conta com airbag para o condutor, ABS, EBD e controlo de tração.

O grande trunfo: o preço

O grande trunfo é o preço: no Vietname, onde já foi lançado, custa cerca de 6.500 euros, bateria incluída. A VinFast chega mesmo a compará-lo ao valor de uma moto de gama alta.

Além disso, a marca oferece um argumento adicional difícil de ignorar: até fevereiro de 2029, os proprietários do VF2 têm direito a dez carregamentos gratuitos por mês na rede pública V-Green. É uma forma inteligente de baixar o custo de utilização e de atrair quem ainda olha para os elétricos com desconfiança.

Os desafios europeus

A VinFast não descarta mesmo a possibilidade de o trazer para a Europa. Ainda assim, há obstáculos consideráveis. O primeiro é regulamentar: para obter homologação europeia, o VF2 terá de cumprir normas de segurança muito mais exigentes do que as vietnamitas, o que poderá obrigar a reforços que encareçam o produto final. O segundo é a rede de distribuição: a VinFast não tem presença comercial significativa na Europa, ao contrário da romena Dacia, que beneficia da estrutura da Renault.

E há ainda a questão da própria utilização: com uma velocidade máxima de 80 km/h, o VF2 não pode circular em autoestrada, o que limita o seu raio de ação. Para muitos compradores europeus, isso é um fator eliminatório, mas para quem procura um segundo carro para a cidade ou para quem prefere estradas nacionais, pode ser exatamente o que precisa.

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