Com expressivos 443 cv, o novo M350 xDrive torna-se o guardião do seis cilindros em linha, além de adotar o modo “Drift Moment”, uma nova funcionalidade que permite transformar o carro de tração integral numa máquina de tração traseira.
Se há marca no setor automóvel capaz de carregar meio século de ADN de competição e, ao mesmo tempo, manter uma estratégia super ofensiva na vaga de eletrificação, essa é, sem dúvida, a BMW. Atualmente, em cada dez modelos da marca, um traz o emblema M da divisão de alto desempenho. Ou seja, mesmo com a eletrificação em alta, os desportivos a combustão continuam a ter uma base de clientes sólida e fiel.
É exatamente neste contexto que surge o novo M350 xDrive, que substitui diretamente o M340i xDrive (geração G20) no topo da gama Série 3 a combustão, representando um salto geracional importante. Embora ambos utilizem o reputado motor 3.0 litros de seis cilindros em linha, a versão do M350 xDrive foi profundamente revista com componentes herdados dos motores M puros.
O ganho de 69 cv, para expressivos 443 cv, aproxima o rendimento deste modelo “M Lite” do comportamento de um M3 da geração anterior. O novo sistema mild-hybrid de 48V está agora acoplado diretamente à transmissão automática de oito velocidades, eliminando qualquer atraso do turbo e fornecendo binário instantâneo nas rotações mais baixas, com recuperações substancialmente mais vigorosas. O resultado traduz-se em 0 a 100 km/h em 4,1 segundos , 0,3 segundos mais rápido , e velocidade máxima limitada eletronicamente a 250 km/h.
Com mais potência e binário disponíveis, outra diferença na performance prática reside na tração. Enquanto o M340i distribui a tração de forma inteligente mas permanente às quatro rodas, o M350 xDrive introduz o modo “Drift Moment”, uma nova funcionalidade que permite transformar o carro de tração integral numa máquina pura de tração traseira.
O sistema xDrive utiliza uma embraiagem multidisco eletrónica instalada na caixa de transferência para enviar binário para as rodas da frente quando deteta perda de aderência. Ao ativar o Drift Moment, o computador de bordo ordena a abertura total e contínua dessa embraiagem, e sem essa ligação mecânica, 100% da potência e dos 580 Nm de binário são enviados exclusivamente para as rodas traseiras, com o Controlo Dinâmico de Estabilidade (DSC) automaticamente desativado.
A função será introduzida em 2027 através de uma atualização remota (over-the-air) para todos os veículos já entregues.
O derradeiro seis cilindros como guardião de uma era

O M350 xDrive ocupará uma posição singular na próxima geração do Série 3: será o único modelo a combustão da gama a conservar um motor de seis cilindros, já que todas as restantes versões a gasolina vão recorrer a blocos de quatro cilindros.
Para domesticar a potência adicional sem comprometer a agilidade, os engenheiros da BMW equiparam-no de série com suspensão adaptativa M, direção desportiva variável e diferencial M Sport no eixo traseiro, reforçando ainda a rigidez torsional e vertical do chassis face ao antecessor.
No interior, a experiência é igualmente distinta: o novo sistema de infoentretenimento iDrive X estreia-se com um ecrã tátil central de 17,9 polegadas e inclui um menu dedicado ao Launch Control, sublinhando que este não é apenas o Série 3 mais potente da gama. É também o mais tecnologicamente preparado para explorar essa potência.
O que isto diz sobre o futuro da M

O Drift Moment não é apenas uma funcionalidade a mais, mas a prova de que a BMW está a testar a aceitação do mercado para “desempenho desbloqueado por software”, afirmando que, mesmo quando a forma de propulsão muda, a essência da diversão continua a passar por ter uma traseira com capacidade de deslizar “à antiga” e pelo diálogo entre o acelerador e a direção.
Para os puristas que insistem que “um M verdadeiro tem de ser tração traseira e sem ajudas eletrónicas”, o M350 xDrive pode muito bem ser a fórmula de manter os desportivos a combustão apelativos numa era irreversivelmente elétrica.
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